AS “ORIENTADAS”

— Clauder Arcanjo, você nos disse que a portaria do seu prédio dava acesso pela Henrique Insosso, e o taxista está nos dizendo que não existe essa rua por aqui, não! As duas “orientadas”, por mais que eu explicasse, não conseguiriam reter as informações necessárias. Resolvi, então, ir direto ao ponto: — Passe o […]
EM BUSCA DO VERBO
— O poeta espreita a vida à cata do verbo — disse eu esta sentença, como resposta a uma amiga, e fiquei a matutar: “O que me faz presa de tão cruel busca?”, “Que fios atam minha vida a esse mister?”, “Ou seria ofício?”. Sim, ofício do verbo. Não me resta outro destino a […]
Pílulas para o Silêncio (Parte CCLXXXVII) – Confidências a Verlaine

Estes lamentos Dos violões lentos Do outono Enchem minha alma De uma onda calma De sono. (Paul Verlaine, em “Canção de outono”.) É triste o pedestal, onde o nome do artista Já mal se pode ler à luz da ramagem. A ramagem alta encobre o nome altivo do poeta esquecido? Membro da trindade simbolista, pouco […]
Um fim sem fim

Apesar de todas as notícias falsas plantadas pelos negacionistas, a população de Licânia acorreu às filas de vacinação. Para aqueles assustados pela possível presença do Fantasma de Licânia, a vacina foi à casa deles. Um detalhe interessante: o companheiro Acácio se transformou em garoto propaganda da campanha “Vacina ou morte!”. Nos cartazes, Acácio aparecia ladeado […]
A quarentena fantasmagórica

Com a volta do Fantasma de Licânia e a pronta atuação do cabo Jacinto e do nosso Holmes licaniense, a província mergulhou numa paz de cemitério. Sim, caro leitor, sei que a metáfora “paz de cemitério” pode soar descabida nesses tempos de pandemia, mas, confesso, nada melhor me ocorre quando tento narrar mais um capítulo […]
A Ceia da Canaquina – CLAUDER ARCANJO

Nem tudo se resumia ao Fantasma de Licânia, havia uma corrente de negacionistas que incentivava o uso indiscriminado da canaquina, como única estratégia de prevenção contra o vírus. Antes que fossem concluídos os estudos que transcorriam na Fazenda Eldorado, alcunhada de “O Butantan de Licânia”, um grupo de extremistas já pregava o seu uso, de […]
O Fantasma voltou!

Quando correu pela província a notícia de que o Fantasma de Licânia estava de volta, o pânico se instalou. — O Fantasma voltou! “Meu Deus, além da peste, teremos que nos ver com o Fantasma!”, lamentavam os licanienses. A partir de então ninguém colocava mais o pé fora, e Licânia mergulhou na condição de urbe […]
E finalmente o Lau?

O bichano Nabuco, Companheiro Acácio e eu, mergulhados em elucubrações, ficamos sem nada fazer; melhor, sem nada tramar, por mais de quinze dias. “Laborando no oco do vazio”, como bem definiria o nosso proto–filósofo de Licânia, João Américo. De repente ouvimos uma zoeira. Apuramos os ouvidos e era como se toda a cidade gritasse: — […]
E o Lau? CLAUDER ARCANJO

— E o Companheiro Acácio, por onde ele se enfiou, Clauder Arcanjo? — indaga-me o amigo Osvaldo Araújo — Não me diga que ele abandonou a trama que traz o nome dele no título: A Razão de Acácio! — espeta-me, Osvaldo. Cabisbaixo, confesso que não sou um autor pleno de todas as respostas literárias. Desconfio de […]
Por onde andará o Lau? CLAUDER ARCANJO

— Alguma notícia do Lau, minha gente? Anastácia, incomodada com os holofotes postos sobre o Caneco Amassado, chamou a atenção de todos para a promessa do Lau. Se a tua memória não é de sonrisal, caro leitor, tu haverás de lembrar que esse nosso licaniense, apesar de toda a sua história de vida ligada a […]
A Covid no Caneco Amassado – CLAUDER ARCANJO

Enquanto a turma seguia na Virgulina, da Fazenda Eldorado para Licânia, em busca de desvendar o mistério da promessa do Lau, uma novidade despontara no curso da pandemia do coronavírus em solo licaniense. O caso é o seguinte: quando levantaram os dados da contaminação em todo o município, analisando-os por idade, sexo, localidade e outros […]