Tudo sobre: Cultura

VISTA

 
Olhar pro alto
Há salto. Dou mais um…
Olhar pra baixo
Eu me encaixo,
Ou esculacho?
Olhar pra frente
Sempre em frente?
Sempre rente
Renitente
E pros lados?
Às vezes há o inusitado
Bem perto…
Fique esperto.
Olhar e ver
Olhar e viver
Olhar e conviver
Tanto a aprender
Tento Ser…
Aprendiz
Às vezes macambúzio
Circunspecto
Em outras, feliz
Tá bom assim.
22/07/2024
Dora

MÃOS

 
Minha mãe parou
Pra olhar as mãos
Achou tão importante
E ficou falante
Com as mãos plantava
Debulhava e catava o feijão
Depois de bem cozidinho
Fazia capitão
E o mais importante ainda
Dava os bolinhos na boca
Dos seus meninos
Ficou olhando espantada
Como suas mãos estavam
Iluminadas
Minha mãe pensava sobre as

TUDO

TUDO
O Sol prateando as águas
O céu pranteando as mágoas
Tudo lava. Tudo leve
E tudo é calma
Nessa vida breve
A brisa roça meu rosto
Eu gosto.
Mais ainda do teu gosto.
Isso posto,
Tudo é mar
22/07/2024
Dora de Paula

POSSES

POSSES
Não te aperreies
Pra me conhecer
Eu também me surpreendo
Ao amanhecer
Quem é esse meu Deus?
Ainda sinto ciúme
Dos encantos teus
A tua blusa transparente
Mostra o que penso ser meu
Ainda me sinto dependente
Do teu café cheiroso e quente
Sinto inveja do teu poder
De resolver, envolver,
E deixar

AS NOSSAS UTOPIAS QUOTIDIANAS

 
Tenho um certo pendor (mania cultivada, confessada) pela leitura de dicionários. Deleito-me com aqueles verbetes organizadamente postos diante de nós, frequentadores eventuais ou habituais leitores, como eu e alguns conhecidos de livrarias e de bares.
Queixava-se um amigo do incômodo que

SETE

Hoje de manhãzinha
Um cheiro me entrou pelas narinas
Eram meus sete anos
Cachorrinhos e bichanos
Galinhas de pintos, um quintal
Um tempo sem bem nem mal
Com sementes de romãs
Roupa voando no varal
Um tempo de manhãs
 
21/07/2024
Dora de Paula

AMANHECER

 
Retrato da casa
Do ninho,
Do mesminho dia a dia
Tudo igual ela fazia
Amanhecia tal e qual
Harmonia
Ele dizia
Era apenas a mãe
Sendo mãe
Era a mãe sendo o dia!
17/07/2024
Dora de Paula

SEM AÇÚCAR, SEM AFETO

A minha coluna da semana passada, a propósito da obra de Chico Buarque de Hollanda, teve boa receptividade. Entre e-mails e mensagens pelo “zap”, foram muitos os comentários, mas gostaria de destacar um deles, que me pareceu particularmente relevante: é