Sobre Renato Angelo

Mestre em políticas públicas, professor universitário, pesquisador, poeta e contista

A MINA

A superfície sumia na forma de luz distante e em minutos tudo o que se veria seriam as lanternas sobre os capacetes dos mineiros, além do mórbido balançar dos cabos do elevador da velha mina. Uma rotina cumprida à escuridão,

Assim falou Katiúscia (no sertão do Ceará)

Lascou! Não tem lugar pra trabalhar!
Eu vou – vou voltar pro Ceará!
Cavalgando a mula manca
Que eu peguei do véi Venâncio
Viajei sem ter descanso
Pro sertão do Ceará
Já morei em Barcelona
Inglaterra e no Arizona
Mas agora eu tô na lona
Vou voltar pro meu

A torre de marfim

Construímos juntos, tu e eu
Nossa bela torre de marfim
Pusemos em cada canto nu
Um sentimento
Em cada degrau, um alento
O tapete ao chão estendido
Na brancura se fez
Das sancas um inefável amor
A base era sólida
Corria pelos dedos nossos
O concreto da vida
No seu cume

Os lusíadas alencarinos       

Dentre os piores pecados que um ser humano pode cometer, a ingratidão tem lugar de destaque. Esse mau costume de não reconhecer esforços de outros em seu benefício, direta ou indiretamente, impinge aos seres a desagradável fragrância do egoísmo. Tal

POEMA PANFLETÁRIO   

POEMA PANFLETÁRIO                            
(aos amigos da Sociedade da Jaboticaba)
 
Insurjamo-nos!
Munamo-nos de armas!
Armas culturais…
Contra o sistema que nos oprime!
 
Se custa-nos ver o idílio…
O leite e o mel derramado… 
Na paisagem terrena…
Recalcitremo-nos, pois, 
Por meio das bombas simbólicas da crítica mordaz!
 
Ponhamos

Joystick

É muito complicado escrever sobre o que não se conhece. Confere uma sensação de falsa erudição ou sabedoria forçada, autocomplacente, circunscrita a compromissos inegáveis do cotidiano, da vida.
Essa nossa vida atual: acordar, deglutir agrotóxicos e trigo geneticamente alterado, correr e

Não tá no gibi     

 
Quando criança, pensava que a vida era simples. Na semana, o colégio; no fim-de-semana, diversão em algum clube, praia ou incursões em casas de amigos. Quando o absoluto tédio o assolava descobria, em jogos de tabuleiro (distantes reminiscências dos anos

77 – Renato Angelo

 
Certo dia, conversando em uma festa com alguém em comum, foi-me revelado um novo estilo de lidar com a memória familiar, a afetividade e a privacidade. Meu interlocutor, pai recente, me contava de sua felicidade em descobrir-se criador. Como um

Entalhe Íntimo – RENATO ÂNGELO

Ele apodrecera
Dentro de si mesmo
Preenchendo o vazio
Com hordas de pedra, metal e carne
 
Cada golpe do cinzel
Cada apunhalada da vida
Cumpria o destino seco e inerte
Molde-abscesso, expiação sua
 
A natureza do mármore
A frieza do metal
A inconstância da carne
Avesso do vazio à língua muda
 
A

O breve, o longo e o eterno – Renato Angelo

Existem aqueles que devotam às mudanças o cerne das análises da vida. Em seu escorço
buscando fixar parâmetros mutáveis do real vivido criando modelos dinâmicos. Tais
moldes propõem captar o caminhar perene do respirar da vida. Como o universo em
constante mutação… vivo