Tecelã de afetos e memórias, Ana Valeska Maia Magalhães: a vida é uma luta diária para manter a poesia

Pulsão irrefreável: arte contemporânea no feminino, livro que trata da energia feminina e do encontro com a arte,  leva os leitores de Ana Valeska Maia Magalhães a descobrir que “quando o olhar muda, quando você ajusta o foco, o mundo inteiro se transforma”Ana Valeska nasceu na capital cearense, é mestre em Políticas Públicas e Sociedade pela UECE. Pesquisadora em artes e Advogada, hoje a professora é também aluna, graduanda em Psicologia pela UNIFOR,  e costuma falar de encontros, memórias, artes e afetos. Na sala de aula, Ana sabe o nome de cada um, e conhece cada um, não importa o tamanho da turma, não importa se viu uma ou ou dez vezes. No primeiro encontro ela te captura e te guarda como se soubesse os sinais e as singularidades de cada pessoa. Basta chegar mais perto para entender porque Ana trocou o campo jurídico onde atuava pelo mundo da arte. Em parceria com a TVC, em 2006, produziu um documentário com o título “Mulheres Artistas: o tempo da arte”.  Em 2014, assistindo uma aula de Estética e História da Arte, uma colega disse: eu queria que essa aula não acabasse nunca, porque tudo que a professora (Ana) falou, ela falou somente pra mim. A sala era sempre cheia e muitos outros colegas tinham aquela mesma impressão.

 

  1. Em que outra época gostaria de ter vivido: Paris nos anos 20.
  1. A palavra que eu mais (menos) gosto: amo a palavra afeto, pelo que encanta e movimenta. Gosto de todas as palavras, mas uma mete medo pelo potencial destrutivo: inveja.


  1. Politicamente, eu estou sem esperanças na representatividade.
  1. Quem você ressuscitaria: não teria coragem de ressuscitar ninguém. Isso poderia ser cruel demais.
  1. O livro que já li várias vezes: As cidades invisíveis, de Italo Calvino.
  1. Eu me acalmo com um bom livro.
  1. Eu me irrito com calor.

  1. Um dia ainda vou fazer o caminho de Santiago.


  1. Dinheiro é sedutor e traiçoeiro. Promete mas não cumpre e ainda pode roubar sua alma.

  1. A vida é uma luta diária para manter a poesia.


  1. Eu gostaria de ser pianista.
  1. Não perco uma oportunidade de me perder e me achar numa exposição de arte.
  1. A solidão e o silêncio são fundamentais para restabelecer o equilíbrio psíquico.

  1. O Brasil é uma incógnita.

  1. O ser humano vai aprender algum dia que se ganha com a generosidade. Compartilhar é melhor do que competir.


  1. Eu sou frágil. Minha mensagem é que só encontramos nossa força pelo reconhecimento de nossas fragilidades. Coragem é ir em frente, mesmo com medo, mesmo sem saber se vai dar conta.

 

Eu sou frágil, disse ela. Ela que te ensina a OLHAR o mundo como se fosse a primeira vez. Ana delicada, firme, apaixonada pela Arte. Ana – uma flor lúcida que escreve porque vive. A palavra que inquieta e depois traz calmaria, instiga, provoca e redescobre as pulsões indomáveis, sobretudo das mulheres. O “olhar de azeitonas negras” que cativa na primeira piscada.  Ana que anda com graça, sem artifícios ou disfarces astuciosos. Ana que te olha… Eu queria que essa aula não acabasse nunca, porque tudo que a professora (Ana) falou, ela falou somente pra mim… E aquela era apenas uma sala de aula no meio de dezenas que pertenciam à faculdade, só que todos naquela sala pertenciam a Ana, e ela nos pertencia. Era a aula dos encontros, com os outros e com nós mesmos.  Continua, Ana, o seu tear de palavras e mesclar de muitas histórias e arte,  a gente agradece.

Resenha do livro Pulsão Irrefreável

 

 

 

 

Heliana Querino

Heliana Querino - jornalista, escritora, pesquisadora, coordenadora de Cultura em SegundaOpinião.jor Um cronópio num mundo repleto de Famas. Metade de minha alma tem quinze, a outra, duzentos anos.

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1 comentário

  1. Sérgio Costa

    Ana é maravilhosa! Sem palavras pra descrever cada palavra que ela sempre compartilha com tanto afeto e generosidade com a gente. Felicidade imensa de ter sido seu aluno. Resenha maravilhosa!

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