O Harakiri emocional, por Renato Ângelo

A consciência… foi enjaulada
A promessa, quebrada
A minha voz… ‘tá embargada
A palavra, violada
A honra, difamada
A asa depenada
A casa, descasada
A planta, na sacada
A morte, ressuscitada
A crença, desconfiada
A porta… está trancada
A mente, anuviada
A semente, desperdiçada
A corrente, ameaçada
A carícia, escorraçada
A abominação… bem infiltrada
A “amiga”, desmascarada
A “flor”, despetalada
A decência… foi roubada
A paciência, exasperada
A fé, desenganada
A comunhão… foi rechaçada
A distância, ampliada
A espada, desembainhada
A cor… ‘tá desbotada
A prece… não escutada
A sala, desabitada
A roupa… ficou manchada
A vida, mortificada
A bondade, endiabrada
A espiritualidade, suicidada
A gentileza, asperizada
A delicadeza, brutalizada
A sobremesa… ‘tá estragada
A lembrança… vai maculada
A pureza, violentada
A castidade… foi estuprada
A sabedoria, tergiversada
A confiança… não é usada
A capacidade, transbordada
A praga… foi espalhada
A mentira, disseminada
A peçonha… ganhou morada
A ferida… não estancada
A estranheza, valorizada
A correção… foi apagada
A punição, desmesurada
A solução… foi complicada
Toda razão, alucinada
Toda canção… ficou calada
Destruição, anunciada
A consagração… foi profanada
A lâmina… foi afiada
A reunião… foi cancelada
A perfeição… foi questionada
A eleição… foi golpeada
A nação, polarizada
A delação… foi premiada
A família… foi separada
A história… mal contada
A paixão… foi sufocada
A saúde, alienada
A confissão, capitulada
A colisão, ensanguentada
A emoção… foi trespassada
A perdição eternizada
E a maldade… abençoada

Renato Angelo

Mestre em políticas públicas, professor universitário, pesquisador, poeta e contista

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