MOLEQUES IRRESPONSÁVEIS, por Alexandre Aragão de Albuquerque

No meio de uma intensa semana que decididamente marcará a vida política do país, com as históricas revelações manifestas pelo jornalista Glenn Greenwald sobre as maquinações perpetradas pela força tarefa de Curitiba, sob o comando de Sérgio Moro e Deltan Dallagnol, foi ao ar pela Rede TVT (TV dos Trabalhadores), no dia 13 de junho, a entrevista com o Presidente Lula na qual ele volta a reforçar pela enésima vez as diversas máculas presentes em todo o processo espúrio que o condenou à prisão, apontadas agora nesta série de reportagens do site Intecept, bem como realiza também uma brilhante análise de conjuntura que nos permite compreender um pouco mais aspectos do Golpe de 2016.

A Verdade, como lembra o filósofo Alain Badiou, pode ser encoberta, mas ela jamais desaparecerá porque é infinita. A centralidade da prisão de Lula funda-se no objetivo de impedi-lo de retornar à cena pública. De nada teria valido trucidar a democracia brasileira por meio do impeachment de Dilma caso ele pudesse retornar ao poder em 2018. Isto fica evidente pelo veredicto das instâncias julgadoras e pela velocidade recorde do processo contra Lula: nem o delegado, nem o procurador Dallagnol, nem o juiz Moro, nem o TRF-4, nem o STJ sabem definir o motivo concreto de sua prisão: ele foi condenado por FATO INDETERMINADO. Apenas por convicções. Não há provas razoáveis.

Com o reforço das revelações ocorridas ao longo de toda a semana, Lula avança com sua análise precisa, advertindo com a autoridade de ex-presidente eleito e reeleito pelo sufrágio universal que “as instituições brasileiras não podem ser manipuladas por moleques irresponsáveis”. Está claro para Lula que tanto Dallagnol quanto Moro estão a serviço dos interesses estadunidenses. Com essa preciosa avaliação Lula aponta ainda a Rede Globo como a grande mentora dessa panaceia ao induzir a população, diariamente, a acreditar que a solução de todos os males do Brasil está nas mãos da Lava Jato.

A Rede Globo transformou a pauta da “corrupção” numa grade da sua programação comercial na qual a narrativa de condenação de Lula é tema central, tendo sido citado por mais de 100 horas no Jornal Nacional (o maior produto comercial da tv aberta), diariamente. Pesquisadores comprovaram, após análise de mais de 200 edições do Jornal Nacional, que houve uma exposição diária e crescente de LULA sempre sobre a temática da corrupção, com construções de cenas e de narrativas. Essa exposição pública é componente estrutural da ação da Lava Jato. De fato, em artigo publicado em 2004 (Mani Pulite), Moro afirma que a publicidade conferida a investigações tem o efeito salutar garantindo o apoio da opinião pública às ações judiciais, mesmo se havendo sempre o risco de lesão indevida à honra do investigado ou acusado.

Diante deste quadro dantesco, é chegada a hora de saber o valor de nossas instituições brasileiras frente a frente com as verdades manifestas: abrirão processos judiciais contra as e os moleques à frente da Lava Jato ou se imiscuirão com eles na boca de esgoto da qual emana a fétida podridão? Todos os processos contra Lula precisam ser anulados imediatamente.

 

 

 

Alexandre Aragão de Albuquerque

Alexandre Aragão de Albuquerque

Especialista em Democracia Participativa e Movimentos Sociais (UFMG). Mestre em Políticas Públicas e Sociedade (UECE). Pesquisador do Grupo Democracia e Globalização (UECE/CNPQ). Autor do livro Juventude, Educação e Participação Política (Paco Editorial).

Mais do autor