GENÉRICOS DE VACINAS CONTRA COVID-19

Em nosso artigo UM GOVERNO DE LESA-HUMANIDADE analisamos o posicionamento ideológico de combate à saúde pública brasileira, adotado pelo capitão presidente da República, a partir de um pronunciamento seu em 22 de agosto de 2018, em comício enquanto candidato, realizado na cidade de Presidente Prudente – SP. Desde então ficou claro o alinhamento automático de Bolsonaro com o governo de Donald Trump(EUA), materializado na sua determinação quanto a desconstruir as conquistas do Estado brasileiro, alcançadas por meio dos 13 anos consecutivos das políticas de bem-estar social desenvolvidas pelos governos do Partido dos Trabalhadores (PT) à frente da Presidência da República.

Ontem, 05/05, o governo de Joe Biden tomou uma decisão sem precedentes ao apoiar a quebra de patentes das vacinas contra a Covid-19, representando uma mudança no posicionamento histórico daquele país neste tema, recebendo um apoio imediato do Presidente Lula: Quero saudar essa decisão histórica do governo Joe Biden. Desde 2020 defendemos que a suspensão do monopólio das patentes é a única saída para a vacinação em massa de toda a população. A saúde não pode ser mercantilizada. A humanidade vai vencer esse vírus”, postou Lula em sua conta no Twitter.

A lógica pragmática de Biden é bastante simples e bem de acordo com a inteligência prática da cultura daquele povo em torno da busca de lucros. Quanto mais rápido o mundo voltar ao “antigo normal”, maior será o retorno do lucro das empresas e dos Estados. O meio mais eficaz para retornar à normalidade das operações econômicas é o controle da pandemia. Este controle só pode se dar por meio da vacinação em massa. A flexibilização com aquebra de patentes vem resolver um problema mundial estrutural: o gargalo da produção em larga escala dos imunizantes, porque as empresas farmacêuticas que estão à frente da produção não estão dando conta.

Em uma economia globalizada, quanto mais rápido as populações forem vacinadas, mais eficazmente a pandemia será controlada. Portanto, para Biden, não se trata apenas de uma ação humanitária, mas principalmente de uma ação extremamente estratégica. Não adianta imunizar apenas um país. Só há chance real com a imunização do planeta. Isto se chama estratégia econômica. Mais uma vez fica provado que ciência e economia são parceiras, não inimigas, como o negacionismo bolsonarista apregoou e continua a defender estupidamente. Além de violentos, bolsonaristas comportam-se como asnos.

Com este ato, Biden deixou o Brasil de Bolsonaro ainda mais isolado no cenário mundial. No final do ano passado, os governos da África do Sul e da Índia apresentaram na Organização Mundial do Comércio (OMC) proposta de suspensão da patente das vacinas enquanto durasse a pandemia, cujo objetivo era ampliar drasticamente a produção de imunizantes. Afinal, calcula-se que nos países pobres do mundo apenas 0,3% das vacinas foram distribuídas. O governo de Donald Trumpfoi contra a proposta, seguido, imediatamente pelo capitão.Além de não garantir o abastecimento de vacinas para os brasileiros, essa postura do governo fortalece o bloqueio para que a maioria dos países pobres e em desenvolvimento não consiga proteger seus cidadãos com a velocidade necessária e a custos bem mais baixos.Agindo nessa direção contrária à quebra de patentes, para muitos países, o Brasil está sendo visto não apenas como um obstáculo, mas como um traidor.

Por sua vez, no dia de ontem, Bolsonaro, que não conseguiu fazer decolar o seu partido Aliança pelo Brasil, em 2019, e que já havia declarado que “ladrão de celular tem que ir para o pau, árduo defensor do pacote de “excludente de ilicitude” de Sérgio Moro (vulgo Russo), não fez referência alguma à histórica decisão de Joe Biden, mas voltou a atacar o “país que mais cresceu o seu PIB”, insinuando que o vírus foi fabricado neste país como resultado de uma Guerra Química planejada por aquela nação. Por acaso este país seria a China?

Registre-se que o Brasil de Bolsonaro é o único a declarar estas bobagens, talvez porque, entre outras ignorâncias, não saiba do processo de manipulação de vírus e dorastros evidentes que essas manipulações deixam para a comunidade científica detectar. Mais uma tentativa de desviar o foco da pauta política nacional no momento em que a CPI do Genocídio começa a aprofundar suas investigações. As declarações de Nelson Teich ontem foram muito importantes em relação à determinação de Bolsonaro pela propagação do uso da cloroquina como tratamento contra a Covid-19.

O deputado federal Fábio Pinato (PP-SP), em resposta a mais esse devaneio forjado, emitiu uma nota da Frente Parlamentar Brasil China, presidida por ele. Na nota Pinato afirma que o comportamento do capitão pode tratar-se de uma grave doença mental que faz o presidente confundir realidade com ficção (esquizofrenia). Penso que estamos diante de um caso em que se recomenda a interdição civil para tratamento médico. O Brasil agradecerá”.

Alexandre Aragão de Albuquerque

Mestre em Políticas Públicas e Sociedade (UECE). Especialista em Democracia Participativa e Movimentos Sociais (UFMG). Arte-educador (UFPE). Alfabetizador pelo Método Paulo Freire (CNBB). Pesquisador do Grupo Democracia e Globalização (UECE/CNPQ). Autor dos livros: Juventude, Educação e Participação Política (Paco Editorial); Para entender o tempo presente (Paco Editorial); Uma escola de comunhão na liberdade (Paco Editorial); Fraternidade e Comunhão: motores da construção de um novo paradigma humano (Editora Casa Leiria) .

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