Virada histórica: a poética da posse de Cristiano Zanin no Supremo Tribunal Federal do Brasil

De Aristóteles aprendemos que a aquisição de um conhecimento arrebata não só o filósofo, mas todos os seres humanos, mesmo que não saboreiem tal satisfação durante muito tempo. O conhecimento filosófico, segundo outro pensador, Platão, é quem garante aos humanos emergir da Caverna das Sombras para se ter a compreensão mais próxima da realidade. Entretanto, da contemplação a que se dedicam os humanos em observar os objetos, tal contemplação os instrui, induzindo-os a discorrer sobre cada uma e a discernir nas imagens as pessoas deste ou daquele sujeito conhecido.

Portanto, humanos retiram conhecimento não somente de um exercício puramente racional filosófico como também da contemplação estética do concreto transformando-a em poesia. O prazer poético advém da perfeita execução, do colorido, das conexões sonoras (ritmo, melodia, harmonia) ou de alguma outra causa do mesmo gênero. Por tais motivos, a poesia é mais filosófica do que a história, porque a poesia alcança o universal, enquanto a história detém-se no particular; a história escreve o que aconteceu, a poesia diz do que poderia ter acontecido. A missão do poeta é fabricar fábulas.

Dois gêneros poéticos são tratados, em seus estudos, de forma particular por Aristóteles: a comédia e a tragédia. A comédia realiza a mimesis do ridículo, o qual reside num defeito ou numa tara das personagens de uma determinada fábula. Por sua vez, a tragédia é a imitação de uma ação importante e completa, suscitando a compaixão e o terror. Deste modo, a tragédia tem por efeito obter a purgação dessas emoções – a catarse. A tragédia, segundo a compreensão aristotélica, é a imitação de ações da vida, pois é das ações dos humanos que dependem sua felicidade ou infelicidade. Por isso, o elemento básico da tragédia é a fábula, a combinação dos atos que permitem qualificar as personagens em suas ações.

Imaginemos um juiz que não age como juiz, um promotor que não age como promotor, utilizando-se de suas prerrogativas institucionais, ambos unidos por um pacto sombrio de perseguição sistemática de lideranças democráticas, visando à destruição pública e moral da maior liderança popular nacional, para, em pleno conluio com organismos alienígenas do império mundial, desmoralizar a Política e assim entregar o patrimônio público nacional às mãos do Capital internacional, articulados com os poderes locais midiático, militar, religioso e financeiro, abrindo as portas para a entrada do neofascismo no Poder Central.

Nessas ações, o juiz que não age como juiz e o procurador que não age como procurador, mas como agentes do poder alienígena imperial, criaram uma ditadura jurídica, aprisionando dezenas de lideranças políticas, burlando a Lei, acobertados pelo Tribunal Federal Regional de sua jurisdição, grampeando escritórios de advocacia, realizando conduções ilegais coercitivas midiáticas, perpetrando escandalosamente escuta telefônica criminosa da Presidente da República e divulgando-a cinicamente para a mídia global associada em tal empreitada. Entre as muitas vítimas deste terror, o Reitor da Universidade Federal de Santa Catarina foi exposto à humilhação pública, injustamente, barbaramente, ilegalmente, tendo cometido suicídio. Outros tantos líderes democráticos amargaram em sentenças ilegais um aprisionamento por anos a fio.

Finalmente, em abril de 2018, a maior liderança popular do país, era colocada na prisão, sem provas de haver cometido crime algum. Aconselhado a buscar exílio no exterior, esta liderança acatou a sentença, pois era inocente, e sabia que todo o processo persecutório à sua pessoa fazia parte de uma partitura de guerra híbrida da extrema-direita, cujo objetivo era a entrega do país ao golpismo bolsofascista militar.

De sua prisão, a maior liderança popular brasileira armou seu quartel-general de resistência, designando o advogado Cristiano Zanin como o seu comandante oficial. Zanin assumiu tal tarefa como a missão de sua vida, lutando incansavelmente, dentro e fora do país, gerando uma unidade nacional de todos os democratas em compromisso com essa sua luta, para demonstrar cabalmente o terror jurídico que estava em andamento nas mãos do juiz que não era juiz e do promotor que não era promotor. O juiz que não era juiz tornou-se ministro do bolsofascismo; o promotor que não era promotor estava articulando um fundo bilionário para suas ações políticas. Até que, como na Tragédia aristotélica, ocorreu uma “peripécia”, quando, subitamente, um especialista em informática, residente em Araraquara – SP, entrou na rede digital comunicacional do juiz que não era juiz e do promotor que não era promotor, obtendo os diálogos estarrecedores estabelecidos por estes em seu Telegram, permitindo à Sociedade Civil ter acesso  ao inescrupuloso ataque ao Estado de Direito perpetrado por aqueles dois cínicos bufões, comprovando a ampla materialidade da defesa apresentada nos autos pelo advogado Cristiano Zanin.

Em 2022, a maior liderança popular, já absolvida das injustiças impetradas contra sua pessoa, concorreu às eleições presidenciais, sendo eleito para o seu terceiro mandato popular. O promotor que não era promotor foi cassado enquanto deputado federal. O juiz que não era juiz está em vias de perder seu mandato de senador. Em 2023, Cristiano Zanin, numa cerimônia das mais concorridas, foi empossado Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), numa virada histórica, lavando a alma do povo brasileiro, promovendo uma catarse nacional.

Alexandre Aragão de Albuquerque

Mestre em Políticas Públicas e Sociedade (UECE). Especialista em Democracia Participativa e Movimentos Sociais (UFMG). Arte-educador (UFPE). Alfabetizador pelo Método Paulo Freire (CNBB). Pesquisador do Grupo Democracia e Globalização (UECE/CNPQ). Autor dos livros: Religião em tempos de bolsofascismo (Independente); Juventude, Educação e Participação Política (Paco Editorial); Para entender o tempo presente (Paco Editorial); Uma escola de comunhão na liberdade (Paco Editorial); Fraternidade e Comunhão: motores da construção de um novo paradigma humano (Editora Casa Leiria) .

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