Três Marias ou Mais – Daniella Cruz

 

Posso até estar errada, mas penso que toda mulher é também uma fortaleza, e as que não se enxergam assim é porque ainda não descobriram a força que têm.

Após tanto tempo de repressão, vivemos um tempo de maior liberdade, porém, longe ainda do que chamaríamos de tempo de igualdade e respeito. Nós, mulheres, ultrapassamos fronteiras, somos agentes de transformação de uma sociedade que ainda tem muito a aprender, assumimos nossa feminilidade, e nos damos, sim, o direito de sonhar, aproveitar as coisas boas da vida e de sermos imensamente felizes.

Quando penso na força feminina, algumas mulheres me vêm à mente: Irmã Maria da Conceição Dias (Freira), Maria Santa Oliveira (Pedagoga e minha mãe), Maria da Penha Maia (Farmacêutica). Como se não bastasse a similaridade por serem mulheres que transbordam força, determinação e encorajamento, ainda são Marias.

Admiro essas três Marias. Admiro e respeito.

Difícil citar apenas uma, quando as bandeiras levantadas por todas elas têm tamanha relevância, não só para  Fortaleza, mas para o país. Uma defende e vive a causa das crianças vítimas de câncer, outra se entrega pela educação infantil pautada na afetividade entre educando e educador na rede pública de ensino, a outra luta arduamente contra a violência doméstica contra a mulher.

Além do nome, não é difícil apontar o que as três Maria têm em comum…

Elas são mulheres, ora! Mas não só isso, são mulheres em quem podemos nos espelhar e ter como exemplos de verdadeiras fortalezas. Mulheres que sentem o cansaço da luta, mas, de cabeça erguida seguem avante por uma causa.

Umas mais conhecidas, outras menos. Isso pouco importa! São seres humanos que dedicam suas vidas a outras vidas, são seres humanos que em muitos dias precisaram buscar forças onde nada existia, precisaram ter esperança ao olhar para um túnel de dificuldades sem a certeza de uma luz no final.

Elas são Marias que levantam mesmo sabendo que podem cair novamente.

São mulheres simples, mulheres comuns. Considero-as como exemplos, pois, além da poderosa fragilidade que possuem, ainda reforçam em mim a certeza que a força, autenticidade e o poder de uma mulher não estão nas suas roupas, nem na sensualidade, não se resumem a um traje da moda… O poder de uma mulher vem de dentro, e está na simples forma dela ser ela mesma na mais profunda verdade de seu ser.

Elas transbordam, e nesses transbordar modificam a vida de outras pessoas.

Elas são guerreiras que pensam constantemente com o coração.

Quantas Marias têm esquecido quem elas realmente são para se enquadrarem em padrões de beleza? Quantas Marias camuflam suas dores e lágrimas? Quantas Marias estão caladas agora por desconhecerem a força que têm? Quantas Marias tiveram seus sonhos roubados? Sua infância violada?

 

Quantas de nós somos Marias?

Daniella Cruz

Daniella Cruz

Daniella Cruz é Psicóloga, empreendedora, especialista em Gestão Estratégica de Recursos Humanos e MBA em Gestão de Pessoas e Liderança. Tem participação em antologias literárias e é colunista no SegundaOpinião.jor

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2 comentários

  1. Heliana Querino

    Heliana Querino

    Daniella, eu sou Maria, me encantei com esse texto sobre outras Marias que tanto admiramos. Como bem escreveu, “Elas transbordam, e nesses transbordar modificam a vida de outras pessoas”…

    Parabéns, escritora Daniella Cruz

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