Tambores de guerra, por Rui Martinho

Coreia, Ucrânia, Síria, Irã, Mar Meridional da China ameaçam a paz. Avaliar a situação consultando a História. A I GM eclodiu quando o Reino Unido e a França estavam perdendo terreno para a Alemanha, que por sua vez temia o fortalecimento da Rússia. Era preciso derrotar a aliança franco-russa antes que fosse tarde, diziam os generais alemães. O equilíbrio de poder estava ameaçado. A disputa por áreas de influência entre as potências representa perigo. O desmoronamento iminente do império Otomano e do império dual da Áustria e Hungria abriu uma corrida entre as potências pelo espólio destes dois moribundos. A conivência da Sérvia com o terrorismo, culminando com o assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando levou à guerra. Lideranças despreparadas, dadas a bravatas, como o imperador Guilherme II, da Alemanha, também contribuiram. O nacionalismo foi o combustível da I e da II GM.

A III GM foi evitada. Os líderes dos dois lados da guerra fria concordaram quanto aos limites das suas áreas de influência na Europa. Tal acordo não alcançou o terceiro mundo, onde se deram as guerras quentes da guerra fria. A memória pessoal da IGM e IIGM também esfriou os ânimos. O mundo se dividiu em dois blocos, facilitando o entendimento. As lideranças do período posterior à IIGM não eram tão medíocres.

A I e IIGM foram precedidas por grande exaltação na política interna nas potências. Após a IIGM havia cansaço, sem tanta exaltação. A memória dos horrores da IIGM nas grandes potências, hoje, está se extinguindo juntamente com a geração que viveu o grande conflito. As lideranças atuais são medíocres. O nacionalismo está forte. O mundo tornou-se multipolar, dificultando o entendimento. Não existe acordo sobre os limites das áreas de influência das potências. O equilíbrio de poder entre as potências está ameaçado pelo súbito fortalecimento da China, declínio dos EUA e a proliferação nuclear. A única barreira é a bomba atômica. Todos temem a hecatombe nuclear. Mas uma fagulha pode provocar um incêndio incontrolável.

Rui Martinho

Doutor em História, mestre em Sociologia, professor e advogado.