Segurança, a aposta falida da “oposição” cearense? por Emanuel Freitas

Elevado incide de assassinatos, chacinas, mortes de policiais, intervenção federal no Rio de Janeiro, um capitão da polícia militar quase eleito para a Prefeitura de Fortaleza (e cujos adesivos de campanha não foram descolados dos automóveis, a indicar “em plena campanha”): a conjuntura parecia indicar que, caso quisesse vencer a eleição no Ceará, a oposição deveria centrar fogo na problemática da segurança pública. Os ventos pareciam caminhar nesse sentido.

O deputado estadual Capitão Wagner (PROS) despontava como a grande aposta a ameaçar a reeleição de Camilo Santana (PT), que a seu favor contava com um secretário mais “sangue no olho” do que os anteriores. O problema era que Wagner, que já havia se aproximado do PT em 2012 (quando, então no PR, quase fora escolhido vice na chapa de Elmano de Freitas), agora surfava na onda do antipetismo exarcebado aos moldes do bolsonarismo, e buscava legitimar-se candidato ao governo do Ceará dando palanque a Jair Bolsonaro (PSL). O problema? O apoio do PSDB de Tasso Jereissati, que logo tratou de fechar possibilidades para pedidos de votos do capitão cearense para o capitão reformado. Aquele acabou por desistir da candidatura, lançando-se a deputado federal, após queda de braço com seu antigo correligionário e colega de “casadinha” Cabo Sabino, contra quem, agora disputa uma vaga na Câmara, deixando “sua” vaga na ALCE para seu apadrinhado Soldado Noélio. Wagner quer ir à Brasília, mas não sem antes deixar “seu” lugar aqui ocupado por um seu liderado: eis o enjeux.

Mas, a “oposição” cearense (ou aquilo que se ensaiou ser) não deixou o “cavalo selado” passar: agarrou o que parecia ser a deusa Fortuna maquiaveliana e, da cartola tassista, lançou um general, sobremaneira desconhecido no Ceará, para a disputa pelo governo do Ceará. Theophilo era seu nome, o nome daquele que, segundo Tasso, viria “renovar” a política cearense. Tasso, que havia iniciado sua vida política derrotando os coronéis e denunciando o atraso que representavam, agora apelava a um militar, indicando ver nele o “novo”.

Bota moral, general”, diz o slogan da campanha. Se o caos está instalado, quem melhor do que um general para “pôr moral”? Some-se a isso a presença de Wagner na campanha, a escolha de Eduardo Girão para uma das vagas para o Senado (muito alinhado às idéias centrais do bolsonarismo) e a famigerada sedução do “novo”, e o favoritismo do general estaria posto. Mas, o mundo real é mais complexo.

Contra esse cenário crido pela “oposição”, Camilo caminha para uma fácil reeleição, podendo o general terminar, “sem botar moral”, com menos de um dígito no resultado final da eleição. O cearense, por certo, não desconhece os infortúnios da segurança pública; mas algo lhe diz que o governador estar a fazer algo. O número cada vez maior de policiais militares nas ruas, ano a ano, talvez seja um fator importante, que leve o cidadão a pensar: “se há policiais, a parte dele está sendo feita”. Nesse sentido, “é melhor que ele continue, já já dará certo”.

Como se não bastasse isso, Cid Gomes, reconhecido desafeto de Wagner e seus liderados, aparece com índices de intenção de voto de quase 70% dos eleitores. Ora, se por um lado a oposição alardeia o caos na segurança, por outro o eleitor parece dar crédito ao que fizeram e dizem Cid e Camilo. Ambos, pois, continuam a “botar moral”. Tudo isso, obviamente, a se julgar pelas pesquisas. É esperar a contagem dos votos para ver.

Emanuel Freitas

Emanuel Freitas

Professor Assistente de Teoria Política Coordenador do Curso de Ciências Sociais FACEDI/UECE Pesquisador do NERPO (Núcleo de Estudos em Religião e Política)-UFC e do LEPEM (Labortatório de Estudos de Processos Eleitorais e Mídia)

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