QUASAR – Infinito infinitivo, por RENATO ÂNGELO

Mergulhar no centro da galáxia

Espalhar estrelas em respingos

Dissolver-me em éteres da inexistência

Sondar o insondável

Conhecer a solidão do canto vazio do mundo

Abrir o peito em sóis de primeira grandeza

Perfurar os sonhos mesquinhos com a broca do delírio

O universo aberto em cores

Da ilusão penitente em dores

Semear a via láctea

Com o vaso inefável de Hermes

Regar os astros com sentimentos ocos

Abrir-me no verso e reverso do Ser

Desnudar-me de cada esperança ordinária

Saltar os trilhos do espaço livre

Chegar ao topo do infinito

Vislumbrar o que há antes e além do tempo

Encarnar na máquina assombrosa do universo

Salpicar cometas em cada mergulho cego

Penetrar a aurora da existência das raças e dos deuses

Sorver-lhes o alento da caminhada dos dias

Coletar da poeira dos corpos celestes

O celeste que há em cada corpo

Viver a respiração dos planetas, das dimensões mudas

Onde tudo é o nada

Reconverter a lógica do absurdo

Sublimar esse desejo astronômico

Granular em areia o pó dos dias eternos

Captar a ânsia das eras, das espécies e do que é…

Ser e estar naquilo e por aquilo

Que é e não é

Que está e oculto é

Ir e ficar onde a morte faz morada

E no desterro, mal amada,

Amar-lhe com paixão

Desvendar os caminhos brilhantes

Luzificar as trevas e pisar

Firme e resoluto

Reticente do infinito.

Nutrir os quasares e pulsares

Super superar as supernovas

Explodir no espaço aberto

No breu livre e estrelado

Contar as divisões infinitas

Do antes e do além no espectro de cores

Mimetizar cada molécula

Do cobertor de estrelas da Mãe Urânia

Deixar de ser e, por isso, existir

Causar em cada canto ermo do além

O além do alento que faz de cada sentimento

O reflexo da epifania do espelho

Eclipsar cada lua e cada sol

Amanhecer e anoitecer

Nascer e me pôr

Chover estelas cadentes

Na dança cósmica de Shiva

Brotar e crescer no terraço das Plêiades

Desdesesperar o medo do escuro da alma

Alumbrar os buracos negros do espírito

Saciar, no horizonte do eterno,

Mesmo que, a anos-luz estando,

Essa sede de ti em meu peito.

Renato Angelo

Renato Angelo

Mestre em políticas públicas, professor universitário, pesquisador, poeta e contista

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