QUAL O DIREITO DO POVO PALESTINO?

Por que só ficamos sabendo da violência naquela região dos Territórios Ocupados quando alguns foguetes atingem Israel? Por que não se faz uma cobertura jornalística de forma que corresponda à verdade dos fatos, de acordo com uma linha cronológica com a qual se possa estabelecer uma relação entre causas e efeitos? Afinal o mais recente massacre do povo palestino, que ora estamos acompanhando por meio da versão midiática ocidental, começou  bem antes do lançamento dos foguetes lançados pelo Hamas em resposta às violências perpetradas pela direita supremacista judaica neste mês de maio de 2021.

Com que objetivo os EUA de Joe Biden enviam anualmente uma ajuda de US$4 bilhões para o governo racista, sionista e genocida de Benjamin Netanyahu aumentar seu poder bélico? Por que a única mensagem que os telejornais propagandeiam, ano após ano, guerra após guerra, é o direito unilateral de Israel, com seu estrondoso arsenal de guerra em se “defender”? E por que certas perguntas (quase) nunca são feitas: qual o direito do povo palestino? O que foi rapinado do povo palestino (o aniquilamento de suas vilas e o extermínio étnico praticado por Israel durante todo o movimento para a instauração do seu Estado em 1948), com a autorização da comunidade internacional?

Além da invasão feita em 1948, ao final da Guerra dos Seis Dias (1967), Israel ampliou fortemente a ocupação de territórios árabes como a Cisjordânia, Faixa de Gaza, Colinas de Golã, Península do Sinai e anexação da cidade de Jerusalém, mantendo esses territórios sob seu domínio, mediante a instalação de um governo militar, utilizando a força e a coerção na política desenvolvida em relação aos árabes vivendo sob a ocupação.

Em novembro de 1967, o Conselho de Segurança da ONU adotou de forma unânime a famosa resolução 242 afirmando a necessidade da retirada das tropas israelenses para as linhas fronteiriças anteriores à guerra; o fim de todo estado de beligerância contra os árabes; o respeito pela soberania, integridade territorial e independência política de todos os Estados da região, com o respectivo direito de viver em paz dentro de fronteiras seguras e reconhecidas, livres de ameaças e atos de força. Passados 54 anos, Israel nunca cumpriu a resolução até a presente data, nem tampouco o Conselho de Segurança da ONU a fez ser cumprida. Por quê?

Em seu artigo no New York Times, em 14/05, o senador estadunidense Bernie Sanders denunciou que os EUA não podem mais ser apologistas desse estado de coisas,apoiando o governo de Benjamin Netanyahu, com mais de 10 anos no poder, a incentivar a demonização dos cidadãos palestinos de Israel, em vez de preparar um caminho para a paz e a justiça, fortalecendo um controle desigual e antidemocrático sobre a população palestina, cultivando um nacionalismo racista, intolerante e autoritário.

Neste mês de maio celebra-se o Ramadã, nono mês do calendário lunar islâmico, considerado o mais sagrado para os muçulmanos. Nele se revelou o livro do Al Corão quando o Anjo Gabriel apareceu ao Profeta Mohammad em uma caverna, no Monte Hira, na Arábia Saudita, ordenando-o: “Escreve, em nome de Alá”. Portanto, o Ramadã é um mês de profundo recolhimento espiritual, meditação, quando se deve praticar a caridade e a reunião dos fiéis nas mesquitas. Em função de ser guiado pelo calendário lunar, o Ramadã não possui uma data prefixada no calendário solar.

Numa ação de violência previamente bem planejada pela direita supremacista judaica para afrontar os árabes em seu mês sagrado, quinhentas (500) famílias palestinas foram despejadas abruptamente, sem razão alguma e sem indenização, do bairro Sheikh Jarrah, de Jerusalém oriental. Somando-se a isso, no dia 08 de maio, os palestinos foram impedidos de entrar na Mesquita de AlAqsa, em Jerusalém, a terceira mais importante para omulçumanos, numa data sagrada do Ramadã.

Ao mesmo tempo, turbas racistas judaicas protagonizavam cenas deploráveis com uma marcha por Jerusalém oriental conclamando por “morte aos árabes”, com um espancamento brutal de um árabe, ao ser retirado violentamente do seu veículo, entre os muitos eventos de agressões justamente no mês sagrado para os palestinos.

Essa nova onda de radicalização sionista requereu uma resposta altiva dos árabes que por meio do Hamas, grupo político hegemônico na Faixa de Gaza (região mais densamente habitada do planeta, com grande parte de sua população vivendo em pobreza extrema), disparou foguetes contra Israel a partir do dia 10 de maio. Desde então o que se vê é o massacre sionista sobre a população civil árabe, incluindo as indefesas crianças.

Ontem a ONG Mídia Ninja fez circular um vídeo de uma criança palestina, aos prantos, em meio aos escombros, respondendo a uma pergunta de um jornalista. Diz a criança: “Eu sou só uma criança. Eu não sei o que fazer. Eu faria qualquer coisa pelo meu povo, mas não sei o que fazer. Eu só tenho 10 anos. Tudo isso quando eu vejo, eu choro todo dia. Eu digo pra mim mesma: por que nós merecemos isso? Eu estou sempre doente. O que nós fizemos para isso acontecer? Minha família diz que eles simplesmente nos odeiam. Eles não gostam da gente porque somos muçulmanos. Por acaso os muçulmanos agem assim com vocês? Por que você mandaria um míssil para matar crianças? Isso não é justo. Não é justo”.

Alexandre Aragão de Albuquerque

Mestre em Políticas Públicas e Sociedade (UECE). Especialista em Democracia Participativa e Movimentos Sociais (UFMG). Arte-educador (UFPE). Alfabetizador pelo Método Paulo Freire (CNBB). Pesquisador do Grupo Democracia e Globalização (UECE/CNPQ). Autor dos livros: Religião em tempos de bolsofascismo (Independente); Juventude, Educação e Participação Política (Paco Editorial); Para entender o tempo presente (Paco Editorial); Uma escola de comunhão na liberdade (Paco Editorial); Fraternidade e Comunhão: motores da construção de um novo paradigma humano (Editora Casa Leiria) .