POR QUE VOTAR CONTRA BOLSONARO NO SEGUNDO TURNO E SEMPRE. Por Uribam Xavier.

“Não é bom, em meio a um contexto tão sinistro, deixar-se afundar no catastrofismo melancólico e derrotista. Porque todo poder visa também a isto: nos separar de nossa força, nos inculcar a tristeza, a angustia, o medo, a culpa e sobretudo a sensação de impotência.” Peter Pál Pelbart.

As pessoas que me são mais próximas sabem que venho há um bom tempo me posicionando de forma crítica em relação ao pensamento político petista , ao seu projeto de governo e de seu envolvimento nas práticas de corrupções, mas que também sou crítico do leninismo-marxista. Penso que esquerda, centro e direita são partes operante da ordem capitalista e que com essas práticas não teremos nenhuma ruptura sistêmica. A luta pela liberdade é uma luta epistêmica, pensar dentro do modelo epistêmico Iluminista é perpetuar a dominação, mesmo que seja um pensamento crítico de esquerda. Hoje tento pensar a partir da ideia de diferença colonial, como pensada por Walter Mignolo, mas não tenho tempo para desenvolver essa ideia aqui. Nas ultimas eleições tenho votado em pessoas e não em partidos, com uma preferencia mais acentuada por pessoas filiadas ao PSOL. No primeiro turno votei em Boulos [50] e estava propenso a votar nulo, mas não vou fazer por alguns motivos que lhe ofereço na esperança que possam lhes servir, caso você pretenda votar em branco, para um posicionamento contra Bolsonaro. Vou votar no Haddad, vou fazer um voto simbólico contra Bolsonaro e o que ele representa para nosso país e para a humanidade. Aqui vou lhe apresentar apenas três dos meus argumentos:

1.º – Bolsonaro é um homem com pensamento e prática fascista, ele usa do direito de livre expressão e, como deputado, usa da imunidade parlamentar, para ser o que ele é: violento, machista, homofóbico, racista e para defender à execução sumária de bandidos, combater o fantasma do comunismo, transforma em alvo de ódio os índios, os negros e as mulheres que não aceitam o papel que lhe impõe a cultura patriarcal. O senhor Bolsonaro é um agente estimulador e multiplicador de um estilo de vida protofascista e é, sim, corresponsável pelo conjunto de afetos e práticas de violência que durante a campanha eleitoral de 2018 vem se proliferando em nosso país;

2.º – Bolsonaro passou a ser o candidato dos interesses dos Irmãos Charles Koch e David Koch, segunda a revista Forbes, cada um é possuidor de 42,9 bilhões de dólares, eles ocupam o sexto lugar na lista dos bilionários do mundo. São empresários do ramo do petróleo. No campo político eles atuam mundialmente por meio do Instituto Benito Mussolini e Sociedade John Birch, organizações de extrema direita que patrocina ações de combate aos direitos civis e aos direitos humanos. No Brasil, os irmãos Koch vêm atuando há mais de uma década; financiaram o movimento “ Estudantes Pela Liberdade”, o “ Movimento Brasil Livre – MBL”, e o Instituto Ordem Livre, nas suas ações contra os governos petistas. O mentor intelectual do MBL, Fabio Ostermann, mantém relações com o Instituto Liberal e o Instituto Liberdade. Todas essas organizações são patrocinadoras de cursos de doutrinação e divulgação de ideias que compõem a visão de mundo da extrema-direita e do fascismo. São patrocinadoras de meios de comunicações, jornalistas, colunistas de jornais, editoras e pensadores conservadores. Portanto, é uma grande ingenuidade acreditar que o senhor Bolsonaro é um homem de bem comprometido com a moralidade do Brasil e interessado em colocar ordem no país, ou seja, acabar com a violência e a corrupção e fazer o país crescer;

3.º – Estamos numa conjuntura de perdas, vivemos um momento sombrio e tenebroso, onde a extrema-direita tem a iniciativa política e vem construindo uma hegemonia. Assim, a vitória de Bolsonaro seria a formação de um novo bloco no poder: o bloco fascista. A vitória de HADDAD, é a única opção para evitar um desastre maior, um desastre que a maioria dos que votam em Bolsonaro, cegos, pelo seu ódio ou descontentamento com os governos petista e com o governo Temer, não tem alcance para perceber. Nem todo eleitor do Bolsonaro é fascista ou de extrema-direita, mas seguindo suas paixões podem cair num buraco e levar o país a uma situação de guerra de todos contra todos. Bem, que a esperança seja nossa companhia em nossa árdua tarefa de derrotar, no segundo turno, o fascismo no Brasil. E, aqui, ele tem nome: Bolsonaro.

Uribam Xavier

Uribam Xavier

Graduado em Filosofa Política e Doutor em Sociologia, professor da área de Ciência Política do Departamento de Ciências Sociais. Autor do Livro “O Capital e a Política”, editora Livro Novo, São Paulo, 2012.

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