O GÊNIO MULTIFACETADO DE MÁRIO DE ANDRADE, A SEMANA DE ARTE MODERNA E MACUNAÍMA – eixos representativos e configuração histórica, por Carlinhos Perdigão

Ou o texto dá um sentido ao mundo.

Ou ele não tem sentido nenhum.

Marisa Lajolo

Em nossas aulas ligadas ao mundo da língua portuguesa, já houve questionamentos por parte de estudantes sobre a razão de ser da literatura. A perspectiva que existe em torno desse assunto reside na compreensão de que uma palavra veiculada nesse campo de linguagem não é apenas literária, podendo levar a vários lugares e dizer muito mais do que enuncia. Indo além e aprofundando a análise, ainda há o importante aspecto de que, em tal interface, existe a questão da arte!

Essa resposta intrigante e metafórica é intencional. Nesse sentido, a complexidade que envolve a trilogia “palavra, literatura e arte” é típica também do ser humano. E faz pensar! Potencializa todo esse quadro a depreensão de que uma pessoa escreve para tornar maiores as dimensões da vida, para tentar entender o mundo e a nós mesmos, para detectar a realidade irreal (ou a “irrealidade” real!), e para aventurar-se em diversas vivências. Enfim: o ser humano escreve para ser e significar de alguma forma.

E é assim que, diante de tantas possibilidades, a formulação estética do ato criador linguístico se transforma em literatura. Essa, experimentada no interior da vida, termina por abarcar os nossos anseios, as nossas finitudes infindas, os nossos risos de vida. Desse modo, ela se torna uma das manifestações artísticas mais importantes e fundamentais dentro do longo caminho de experiências humanas em todo o mundo.

E no Brasil o percurso da literatura não poderia ser diferente. País aberto às artes em suas várias vertentes, possui um caldeirão cultural altamente pulsante. A partir daí, pode-se compreender que diversos são os literatos brasileiros que se ocupam em retratar as emoções e os atos da nossa pluralidade de raças. Portanto, é sustentável afirmar que a arte literária historiciza o nosso povo, as nossas manias, fraquezas e franquezas, os nossos segredos, desejos, amores e desilusões, as nossas necessidades fundamentais e formas de vida, a nossa língua em suas mais distintas variedades e a nossa visão do mundo.

Toda essa também é a perspectiva de Mário Raul Morais de Andrade (1893 – 1945), um intelectual dinâmico e com espírito aberto às artes. Formado pelo Conservatório Dramático e Musical de São Paulo – e nessa escola posteriormente professor da disciplina História da Música, deixou importantes contribuições nos domínios da poesia, do romance, do conto, da crítica, do folclore e das artes plásticas. Assim, centrou seus estudos em aspectos da língua falada, dos folguedos, dos ritos sociais (como as festas religiosas e os atos cívicos), dos cantadores populares, das danças, da literatura – inclusive de cordel -, da pintura, dos ritmos afros e amazônicos, do samba rural, choro e frevo nordestino, dentre outras manifestações da vida simbólica popular. Também fundou e dirigiu o Departamento de Cultura de São Paulo, onde pôde organizar diversas ações ligadas às artes brasileiras, das quais se destaca a redação do projeto para a criação do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

Paulistano, consta que Mário teve uma infância verdadeiramente feliz. Na adolescência, não foi um aluno exemplar. Dispersivo, acumulava notas baixas e recriminações dos professores. Nessa época, só era competente mesmo nos estudos da língua portuguesa. Mais na frente, entretanto, sua vida acadêmica sofreu uma guinada: passou a realizar diversas pesquisas, lendo tudo que lhe caísse nas mãos – como Marx, Freud e Durkheim, além de Gilberto Freyre e Câmara Cascudo. Passou então, em casa, a ter fama de inteligente. Entretanto, ao mesmo tempo em que a família reconhecia-lhe o talento, também considerava esquisitas suas preferências literárias. E ele adorava que fosse assim. Afinal, esse era um jeito de ele quebrar convenções, de obter sua liberdade e de, fundamentalmente, seguir os próprios passos.

Já adulto, tornou-se metódico, com hábitos regulares de trabalho e estudo. Para sobreviver, dava aulas particulares de piano e redigia artigos para várias publicações. Todo esse quadro citado revela sua rica formação intelectual, possuidor que era de uma apreciável cultura geral. Inquieto, também gostava de participar de passeios, de festas e de rodas literárias.

Assim, no entorno dessa vida cultural e agitada, Mário de Andrade participou de algo com grande repercussão: a Semana de Arte Moderna. Tendo como espaço o Teatro Municipal de São Paulo, ela foi amadurecida no período que vai da exposição de Anita Malfatti em 1917 até fevereiro de 1922, quando efetivamente aconteceu. Atualmente, após quase um século de sua ocorrência, e mesmo tendo questionada a grandiosidade de sua importância, o evento é considerado um gesto cultural que fez romper coletivamente a tradição artística brasileira. Afinal, compreende-se que agrupou diferentes universos culturais, reelaborou linguagens, valorizou experimentações e pesquisas estéticas; tornando-se, ao fim e ao cabo, numa espécie de incorporação da “vanguarda tupiniquim”, como denomina Ítalo Moriconi no livro Como e Por que ler a Poesia Brasileira do século XX (2002:27).

Reunindo um grupo heterogêneo de intelectuais jovens e ainda pouco conhecidos em vários campos das artes, a Semana teve momentos de algazarra e de extrema agitação. Assim é que, literatos tradicionais, descontentes com os rumos artísticos nela apregoados, organizaram protestos veementes contra aquilo tudo. Em tal contexto, parte do público manifestava-se a todo instante contra os espetáculos, e com vaias generalizadas interrompia poetas e prosadores que tentavam declamar e ler seus textos. Mesmo com toda essa confusão, os participantes da Semana – denominados pela imprensa da época de “futuristas”, levaram o programa até o fim.

Em termos de novidades literárias para a época, sinteticamente, o grupo modernista pregava os seguintes aspectos: criação de textos ambíguos e polissêmicos, ou seja, que permitissem ao leitor ter diferentes interpretações; a incorporação do cotidiano vivenciado como forma de expressão da literatura – assim, a linguagem utilizada deveria ser coloquial, espontânea, misturando a língua padrão aos termos populares; versos livres, sem maiores rigores com a métrica e até mesmo com as rimas; os sinais de pontuação facultativos, havendo subordinação das regras gramaticais às intenções estilísticas do autor. Com toda essa perspectiva, as tendências valorizadas pelos modernistas tinham um objetivo primordial: a arte deveria ser – essencialmente – libertária!

Durante a Semana, era comum ver Mário de Andrade no saguão do teatro discutindo literatura e reunindo em torno de si diversos espectadores. E após esse intenso percurso, ele lançou, em 1928, “Macunaíma, o Herói sem Nenhum Caráter”, considerada por muitos sua obra mais importante. Esse romance, fruto de longos estudos do autor sobre mitologias indígenas e o folclore nacional, apresenta também profundas observações sobre a língua dos brasileiros.

O livro se desenvolve em torno dos costumes populares e indígenas, crendices e superstições presentes no Brasil, e traduz a identificação do escritor com o nacionalismo primitivista. Aliás, segundo Mariza Veloso e Angélica Madeira, no livro Leituras Brasileiras – itinerários no pensamento social e na literatura, ele entendia como primitivo o povo que preserva práticas reveladoras de uma sensibilidade estética (1999:124). Alfredo Bosi corrobora com essa visão, ao sustentar – em Dialética da Colonização – que o escritor paulistano via a cultura popular como “expressão da sensibilidade tupi, articulada em lendas, mitos e ritos (…)” (2005:333). Assim, em torno desse contexto, e com metáforas, símbolos e alegorias, Mário de Andrade – na obra em foco – une a vida cotidiana das cidades do sul do país com costumes nordestinos, e mistura o universo dos índios às lendas sertanejas, caboclas e, até mesmo, afro-brasileiras.

Em sua trajetória, o personagem Macunaíma – segundo o autor: “herói de nossa gente”, e cujo nome tem origem indígena – vai incorporando interpretações míticas e mudando de figura várias vezes. Portanto, filho de índios, nasce negro e vira branco (as três etnias amalgamadas de nossa formação), depois se transforma em imperador do Mato-Virgem, em malandro na cidade de São Paulo e, surpreendentemente, em um grupo de estrelas, a constelação Ursa Maior.

Do ponto de vista literário, coligado ao clima anticonvencional vivenciado naqueles tempos, o texto se mostra cheio de surpresas, sendo difícil prever que decisão o protagonista toma diante de um problema. E o resultado da obra, enfim, termina por revelar o gênio multifacetado do escritor e a sua tentativa de delinear um mapeamento cultural, linguístico, geográfico e psicológico do Brasil e da gente brasileira.

Há críticas, entretanto, a essa perspectiva de Mário. Bosi comenta, no livro Literatura e Resistência (2002:23): “esse fio o aproxima, para o bem e para o mal, da obsessão de definir o caráter nacional, o modo de ser brasileiro, a nossa psicologia coletiva, o nosso inconsciente”. Tal comentário, entretanto, surge no bojo da compreensão do pensamento de uma geração. Como o mesmo Bosi sustenta:

Se terá faltado a Mário de Andrade uma teoria dialética da história cultural como tensão entre indivíduo e sociedade, pode-se dizer que semelhante “falha” terá sido da sua geração e do seu tempo, dividido entre o velho historicismo factual, linear e causalista e o impressionismo estético atomizados em juízos de gosto pessoal. (2002:24)

CONCEPÇÃO DO ROMANCE

“Macunaíma, o Herói sem Nenhum Caráter” tem uma narrativa estruturada de forma inventiva. Nesse sentido, são tratados curiosamente: seu enredo, a caracterização dos personagens e até mesmo o estilo de escrita. Em relação a esse último aspecto, destaque-se que a linguagem do romance é construída em um processo de colagem, ou seja, que combina vocábulos e expressões populares colhidos dos mais diferentes falares do Brasil. Desse modo, ao usar de tal recurso estilístico, e num processo de busca de identificação com o receptor, pode-se depreender que o romancista tenta trazer o leitor para dentro da narrativa, procurando envolvê-lo em meio às sutilezas líricas e aos deboches escrachados da trama.

Reforçando essa pluralidade, o tempo e o espaço geográfico presentes na obra, por sua vez, são fragmentados. Assim, o “herói sem nenhum caráter” – nos seus encontros com personagens reais ou lendários da história do país pode, em um mesmo capítulo, estar em São Paulo, viajar para o mitológico rio Uraricoera, e correr por Sergipe, Bahia e Mato Grosso.

Segundo o crítico João Luís Lafetá, o protagonista foi inspirado num ciclo de lendas dos índios Taulipang e Arecuná – estudadas na Amazônia pelo cientista alemão Theodor Koch-Grümberg, e em informações colhidas de outros pesquisadores, como Barbosa Rodrigues e Couto de Magalhães.

Assim, ambientado tropicalmente, compreende-se que o romance expressa o desejo de Mário em construir uma visão crítica sobre a população brasileira, de formação mestiça. E, com tal quadro de referências, as aventuras macunaímicas podem representar – apesar de possíveis discordâncias – os destinos de um povo e sua identificação enquanto nação, tudo isso em diálogo com as influências externas e com um vasto território, cheio de possibilidades, descobertas e de desafios.

DO TEXTO AO CONTEXTO

No livro Literatura e Sociedade (2000, p. 04), o professor Antonio Candido afirma – dentre diversos aspectos estruturantes do objeto literário – que o ambiente externo importa como elemento que pode desempenhar um certo papel na constituição do material narrado, tornando-se, a partir daí, interno. Essa é também a perspectiva deste ensaio, que intenta relacionar a obra e a conjuntura social num processo de interpretação dialética situado na síntese entre texto e contexto.

Portanto: no início do século XX, o crescimento industrial de São Paulo é consequência dos lucros auferidos pelo nosso principal produto de exportação de então – o café. É em torno dessa atividade econômica que a capital paulista foi se tornando o grande centro do país, metropolizando-se. Assim, nada mais natural que ela fosse o principal espaço de penetração no Brasil de novas ideias artísticas, as quais, trazidas da Europa no bojo de movimentos de vanguarda, buscavam outros elementos estéticos em suas manifestações.

No continente europeu, esses movimentos encontravam motivações históricas advindas de dois importantes acontecimentos: de inovações tecnológicas proporcionadas pela segunda revolução industrial – que desenvolveu as cidades e fez surgir a produção em massa de bens diversos; e da Primeira Guerra Mundial, que trouxe desencanto e perplexidade, e converteu-se – artisticamente, em fonte questionadora a academicismos e convenções existentes naquele momento.

No Brasil, compreende-se que os movimentos europeus de vanguarda que repercutiram principalmente foram: o “Futurismo” – idealizado pelo italiano Felippo Marinetti, exaltava a imagem de um novo mundo e tentava quebrar com o discurso literário tradicional; o “Dadaísmo” – que, criado pelo romeno Tristan Tzara no período da Primeira Guerra, tinha como objetivo basilar a destruição de tradições artísticas; o “Cubismo” – que na literatura pregava a desintegração caótica da realidade com humor; e o “Surrealismo” – de expoentes como o escritor André Breton e o pintor Salvador Dali, que propunha um mergulho do artista nos universos reprimidos da mente com o intuito de buscar um registro autêntico de ideias e sensações humanas.

Por aqui, o nosso país estava também em ebulição. Assim, na década de 1920 ocorreram vários fatos: comemorou-se o centenário da Independência; foi criado o Partido Comunista do Brasil; ocorreu a primeira revolta tenentista, que culminaria com a marcha da Coluna Prestes pelo interior do Brasil, sempre travando combates com tropas governamentais.

No contexto desses acontecimentos, foi preparada a Semana de Arte Moderna e fundamentadas suas concepções artísticas ainda válidas e vigentes – mesmo que, por vezes questionadas – nos tempos atuais. O próprio Mário de Andrade elaborou depois revisões críticas sobre ela, afirmando que havia sido:

“(…) Desorganizada, prematura. Irritante. (…) Precipitada. Divertida. Inútil.” É o que expõe a pesquisadora Simone da Cruz Chaves, no artigo científico “O Modernismo avaliado por Mário de Andrade” (2013: 12), publicado na revista Grau Zero, do Programa de Pós-Graduação em Crítica Cultural da Universidade do Estado da Bahia, ao publicizar esse comentário de Andrade, originalmente presente no magazine carioca América Brasileira, em 1924.

Aliás, em consonância com essa depuração realizada pelo escritor, pergunta-se (afora outros pontos): será ainda “moderno” produzir uma literatura nos moldes de 1922? Será ainda importante a postura coloquial e a incorporação do cotidiano nos versos? Há ainda a questão do significado de “moderno”. Ampliando o conceito: os trovadores da Idade Média e a Divina Comédia de Dante – a seu tempo – foram…

Assim, de um modo geral, se no princípio vários dos artistas e escritores brasileiros ligados ao Modernismo foram influenciados pelas vanguardas europeias, mais na frente, entretanto, passaram a fundir os novos elementos formadores à nossa cultura popular. Em torno desse último aspecto, compreende-se ter Mário de Andrade explorado o conceito de cultura brasileira como um processo relacionado à capacidade de criação, delimitando-a na conjuntura de um nacionalismo estético e, por extensão, crítico. Portanto: estética(s) e criticidade; a leitura de “Macunaíma, o Herói sem Nenhum Caráter” entrelaça e reforça o diálogo entre elas.

Além de tudo isso, a obra amalgama diversas situações humanas, com criação de linguagens e destaque sincrético de personagens. Nela, há igualmente a ideia de fazer o leitor perceber que ali, por conta mesmo das fragmentações e das entranhas do enredo, mil e uma possibilidades hão de surgir.

Assim, com tal pressuposto, Mário de Andrade provoca e não deixa por menos: exige envolvimento do receptor do texto, que ele pense nos termos, no vocabulário e, de tal modo, que ganhe novas visões de mundo. Partindo daí, com todo esse quadro engendrado, que o leitor desperte e note que a literatura macunaímica é uma poderosa aliada para tentar desvendar esse enigma do qual fazemos parte, este país contraditório, mas também maravilhoso, rico e plural chamado Brasil.

REFERÊNCIAS

AMARAL, Emília; ANTÔNIO, Severino; PATROCÍNIO, Mauro Ferreira do. Novo Manual Nova Cultural – redação, gramática, literatura, interpretação de textos. São Paulo: Nova Cultural, 1994.

BOSI, Alfredo. Dialética da Colonização. São Paulo: Companhia das Letras, 2005.

_____. Literatura e Resistência. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.

CANDIDO, Antonio. Literatura e Sociedade – estudos de teoria e história literária. São Paulo: T. A. Queiroz, 2000, 8ª ed.

CHAVES, Simone da Cruz. O Modernismo avaliado por Mário de Andrade. 2013. Disponível em: <http://www.poscritica.uneb.br/revistagrauzero/edicoes/VOLUME-1_NUMERO-1/1.VOLUME-1_NUMERO-1.pdf. Acesso em 20. set. 2018.

GONZAGA, Sergius. Manual de Literatura Brasileira. Porto Alegre: Mercado Aberto,1989.

LAFETÁ, João Luiz. Literatura Comentada – Mário de Andrade. São Paulo: Nova Cultural, 1988.

LAJOLO, Marisa. Do mundo da leitura para a leitura do mundo. 6ª ed. São Paulo: Ática, 2002.

MADEIRA, Angélica; VELOSO, Mariza. Leituras Brasileiras – itinerários no pensamento social e na literatura. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1999.

MIGUEL, Jorge. Curso de Literatura III – Modernismo. São Paulo: Editora Harper & How do Brasil, 1986.

MORICONI, Ìtalo. Como e Por que ler a Poesia Brasileira do século XX. Rio de Janeiro: Objetiva, 2002.

Carlinhos Perdigão é arte-educador, linguista, músico, professor de língua portuguesa e produtor cultural. É autor do livro “Fragmentos: poemas e ensaios” e do disco “Palavra”. Tem formação em Letras (UECE) e Administração (UNIFOR), com pós-graduação em Gestão Escolar (UECE). É professor da Faculdade Cearense – FaC e da UNIQ – Faculdade de Quixeramobim, além de atuar como revisor textual da Escola Creche Casa da Tia Léa. Contatos: [email protected]. Site: carlinhosperdigao.com.br

Carlinhos Perdigao

Carlinhos Perdigão é arte-educador, músico, produtor cultural, professor de língua portuguesa da Faculdade Plus e da UNIQ – Faculdade de Quixeramobim. É autor do livro “Fragmentos: poemas e ensaios” e do disco “Palavra”. Tem formação em Letras e Administração, com pós-graduação em Gestão Escolar. E-mail: [email protected]. Site: carlinhosperdigao.com.br