Em meio à multidão, uma voz se levanta pelo fim da violência contra as mulheres. Um grito que ecoa nas ruas e pede por justiça, igualdade e respeito. É a voz de uma manifestante que não se cala diante da brutalidade do machismo. Uma voz que representa a luta pelo direito das mulheres à vida e à liberdade. Um grito que ecoa pelo movimento 'Nenhuma a Menos', em busca de um mundo onde a violência contra as mulheres seja uma triste lembrança do passado.

O feminicídio no Ceará: a urgência de uma mudança cultural e educacional

A cada ano, o feminicídio se alastra pelo mundo como uma doença, ceifando a vida de milhares de mulheres. Infelizmente, o Brasil está entre os países com altas taxas de violência de gênero e o estado do Ceará é um dos mais afetados, como vimos neste fim de semana em Fortaleza, com a morte trágica de duas mulheres em um intervalo de menos de 20 horas.

Até quando vamos ficar perguntando “até quando”? Até quando vamos aceitar que nossas mães, irmãs, amigas e filhas sejam vítimas dessa violência absurda e injustificável? Até quando vamos conviver com o medo constante de sermos a próxima vítima? É preciso que essa cultura mude e essa mudança precisa acontecer agora.

É inadmissível que parceiros não aceitem o fim de um relacionamento e usem da violência física para resolver a questão. Ainda mais cruel é quando esses mesmos parceiros chamam suas vítimas de “meu amor”, tentando usar um discurso romântico para encobrir a violência brutal que cometem.

Ontem, enquanto descia para jogar o lixo fora, testemunhei uma cena que me deixou indignada e triste ao mesmo tempo. Dois policiais estavam dentro do condomínio onde moro, socorrendo uma mulher com quatro filhos, que havia acabado de sofrer agressão do marido. Infelizmente, esse tipo de violência é uma realidade cruel que atinge muitas mulheres em nosso país, como vimos no fim de semana com o assassinato brutal de uma jovem mãe de 25 anos, que deixou três filhos. Segundo as informações nos jornais, a mulher foi morta pelo ex marido, que não aceitava o fim do relacionamento. E outra vítima foi morta pelo namorado porque se recusou a fazer comida para ele.

Presenciar essa cena me fez perceber que essa violência não “acontece” apenas nas manchetes dos jornais, ela pode estar acontecendo bem diante dos nossos olhos, dentro do nosso próprio condomínio. É um susto perceber que essa realidade pode estar tão próxima de nós, e que precisamos estar atentos e agir quando presenciamos ou suspeitamos de qualquer tipo de violência contra a mulher.

É preciso que nós, enquanto sociedade, nos indignemos e nos mobilizemos para combater essa realidade absurda e injustificável
E o que dizer dos filhos orfãos, que ficam sem suas mães e precisam lidar com as consequências emocionais e psicológicas dessa perda? Como fica a saúde mental dessas crianças, que muitas vezes não entendem o que está acontecendo ao seu redor?

Infelizmente, enquanto não houver uma mudança cultural profunda e uma responsabilização real dos agressores, essa triste realidade vai continuar estampando as páginas dos jornais. A Lei Maria da Penha é um importante instrumento de proteção das mulheres, mas ainda é insuficiente para combater o problema de forma efetiva.

É preciso que a educação seja um componente fundamental dessa mudança cultural, desde a escola primária até a universidade. É necessário ensinar desde cedo que a violência não é uma forma aceitável de resolver conflitos e que a igualdade de gênero deve ser uma realidade em nossa sociedade.

Sei que palavras por si só não vão resolver o problema. Mas é preciso que falemos sobre isso, que denunciemos, que lutemos por justiça e por mudança. Até quando vamos ficar perguntando “até quando”? Até quando vamos deixar que isso continue acontecendo? Essa triste realidade é uma afronta a todas as mulheres e não pode ser tolerada.

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Imagem: Manifestante protesta durante os atos pelo “Nenhuma a Menos” – Fonte: Mídia Ninja

Heliana Querino

Heliana Querino Jornalista

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Heliana Querino Jornalista