Nossa Bandeira, por RENATO ÂNGELO

                                                                                          

A quem pertence

Oh! Leitor….

“Nosso” símbolo?

A nação posta em panos

Signo de nossa vergonha positivista

Põe a sujo os limpos panos…

 

O losango amarelo

Que descreve compasso e esquadro

Dos maçons a influência

Das tramas do pano

Ao pano das tramas

Da voz subterrânea

 

A faixa-lema

De Comte tomada, falta o Amor…

E daquilo que ficou

Mais se ausenta no real país

O país do real

Moeda irreal

 

E o globo?

Ah! Esse globo azul-estrelado…

Pareceria o céu noturno

Visto pelos negros

Em caravelas lúgubres

No Atlântico profundo d´outrora

 

Mas são então

Estelas cadentes

Corpos celestes frios

Despidos de sua carne de luz

E ossatura fosfórea

 

O globo azul crivado

Seriam estrelas no manto firmamento?

Seriam oitenta balas de fuzil

Matando um homem, sem remorso?

 

Seria negro?

Seria pobre?

Seria artista?

 

Pobres, seremos

Vendendo hoje os sonhos

Do amanhã de nosso povo

 

O disco estrelado

Bamboleando sobre o fino fio

Da tênue tez da tela de couro da pele morena

 

O globo equilibrado pelo fio

O fio da república?

Da retórica positivista?

O frio da hipocrisia reacionária

Vendendo barato o que, de assalto do povo tomaram

 

O globo ou círculo

Como moeda biface

 

A cara: o anil desbotado, crivado… exangue!

A coroa: o breu, ocaso, oblívio do abissal Brasil

Que cresce em silêncio qual fera do lago

Qual predador de si e dos outros

Faminto…

 

A moeda-globo gira gerando geral, o acaso

Teu passado reflete essa tristeza

Teu futuro espelha a incerteza

 

Tudo enquadrado

No cercado verde… esmeraldino?

Ou oliva-olávico?

A esmeralda sem esmero

 

O desespero do país que se afoga em tolo ódio

Seguindo mentecaptos

Autoproclamados “filósofos”

Com a mente mais plana e chata

Que suas próprias teorias

 

Oh! Verde retângulo!

O enquadramento de nossa miséria

A moldura do quadro

Queima o filme de um ex-país…

 

Oh! Mastro!

O pendão de tua bandeira

Vergando ante lábaros outros

(ou star spangled banner)

(ou estar obediente ao Bannon?)

 

E ao solo?

Ah! O Solo?

Ali está o menino

Preto, pobre, feio e sujo

Olhar vazio, sedento e insone

Em molambos

O catarro escorrendo-lhe das ventas

Des-hasteando “nossa” bandeira

Os pés descalços

Em uma terra que lhe faz estrangeiro

Dos farrapos em sua fronte se divisa:

 

“Aqui, jaz!

O gigante da latinoamérica!”

Renato Angelo

Renato Angelo

Mestre em políticas públicas, professor universitário, pesquisador, poeta e contista

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