Na Hora do Almoço – Luana Monteiro

Feijão posto na panela de pressão. Olhos no relógio. “Será que ele vai dormir até que eu consiga almoçar”? Questiono.

Enquanto amamento, dou uns balanços na cadeira. Passo a vista na sala. Até então ele parece calmo. Será que vai permanecer assim até o horário do almoço?

Mais alguns balanços na cadeira e resolvo soltá-lo do peito. Sono leve? Sono pesado? Me pergunto.  Coloco-o na rede. Mais alguns balanços. Corro para a cozinha. Preocupação no almoço. Rapidamente termino o arroz. O que mais poderia ser tão rápido para completar minha refeição? Frito um ovo. Será que vou conseguir almoçar antes dele acordar? Torno a me perguntar. Corto verduras e frutas no prato.

Antes tinha tempo de sobra, penso. Lembro de quando voltava da aula. Pegava o ônibus as 13h. Chegava em casa por volta de 14h. Fazia tudo no meu tempo, baseada em minhas prioridades. Almoço logo? Tomo banho primeiro ou descanso um pouco? Eram os pensamentos que povoavam minha cabeça. Não decidia de imediato, não precisava. Só mais tarde começo os estudos, pensava. Não havia tanta pressa. Não, uma vida tranquila. Somente minhas prioridades.

Quando a barriga cresceu, ainda não me sentia mãe. “Sou só uma mulher com a barriga grande”, dizia.

Comer para mim sempre foi um ritual. Daqueles em que se despende bastante tempo. Daqueles que exigem preparo no ambiente e no corpo. Eu simplesmente amo o momento das refeições.

Talvez meu filho também cultive esse hábito para si. Enquanto projeto planos para o futuro, tento me concentrar no meu novo tempo para realizar o meu ritual comensal. Como rápido. Mastigo pouco. Tomo líquidos logo em seguida. Não me importo, pois agora existe um outro ser e suas prioridades são também minhas.

Luana Monteiro

Luana Monteiro

Cientista social, mestre em Sociologia (UECE) e pesquisadora.

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