Em pequenas doses, por Alder Teixeira

 
Em todo caso, precisamos lembrar que quem deve responder primeiramente pela vitória do mal no mundo não são seus executores cegos, mas os servidores do bem, que são espiritualmente capazes de ver. (F. Stepun)

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É conhecido o provérbio latino atribuído a Plínio, o Grande: “In vino, veritas”, ou seja, “no vinho, a verdade”. Defendo que também o voto revela o homem. Assim foi.

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Pouco tempo se passou, e nós mesmos nos curvamos sob o seu fardo, porque ninguém nos ensinou o que era a liberdade. Só nos ensinaram a morrer pela liberdade. (Svetlana Aleksiévitch, prêmio Nobel de Literatura 2015).

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Para quem defendeu a isenção do juiz Sergio Moro já soa mal o seu encontro com Bolsonaro, nesta quinta-feira, quando deverá confirmar seus superpoderes de novo ministro da Justiça. Segundo Mourão, o vice do presidente eleito, o convite se deu antes da eleição. Sim, entendi.

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A propósito, está na edição de quinta-feira da Folha de S. Paulo, juízes federais, dirigentes de associações de magistrados e ministros do Supremo avaliam que, ainda que Sergio Moro rejeite o convite para a superpasta da Justiça de Jair Bolsonaro, ele já meteu os pés pelas mãos.

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De Marina Silva, sobre a proposta de fusão dos Ministérios da Agricultura e Meio Ambiente: — “Você submete um ministério com a função de fiscalizar ao setor que será fiscalizado”. Em metáfora grosseira, é como se você confiasse aos macacos cuidar do bananal.

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“Freire, sim, Frota, não”. A frase, empunhada por estudantes ontem, no Congresso Nacional, referia-se ao educador Paulo Freire, nome internacionalmente respeitado como notável educador que foi, e Alexandre Frota, o ator de filmes pornô, eleito deputado pelo PSL, respectivamente.

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A única força legitimada para invadir as universidades é a das ideias livres e plurais. Qualquer outra que ali ingresse é tirana, e tirania é o exato contrário da democracia. (Cármen Lúcia, ministra do STF)

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“A guinada do juiz”, é como se intitula o editorial do jornal Folha de S. Paulo, desta quinta-feira. Ao se aproximar do novo governo, Sergio Moro perde a isenção necessária para seguir à frente da Lava Jato e mina esforços de combate à corrupção, diz o lide (em inglês: lead), como se chama, no jornalismo, o primeiro parágrafo posto em destaque.

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Há dias, disse que a lua de mel dos eleitores com o presidente eleito terminaria assim que ele assumisse o mandato. Estava errada. Nem bem o casamento foi consumado, os desentendimentos começaram. (Mariliz Pereira Jorge, jornalista)

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Sempre sinto atração por esse pequeno espaço: o ser humano… um ser humano. Na verdade é lá que tudo acontece. (Svetlana Aleksiévitch)

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Um prestigiado assessor do deputado Heitor Ferrer, Barros Alves, poeta e membro da Academia Cearense de Cinema (pasmem!), postou em redes sociais a afirmação de que “as mulheres de bem votaram em Bolsonaro, as vadias, não”. Claro que foi afastado do cargo e responderá a processo da própria Assembleia Legislativa. Entrarei, hoje, com pedido de afastamento também da ACC. Fere, num só golpe, com a sua truculência recorrente, a poesia e o cinema. E envergonha seus pares!

Alder Teixeira

Alder Teixeira

Professor titular aposentado da UECE e do IFCE nas disciplinas de História da Arte, Estética do Cinema, Comunicação e Linguagem nas Artes Visuais, Teoria da Literatura e Análise do Texto Dramático. Especialista em Literatura Brasileira, Mestre em Letras e Doutor em Artes pela Universidade Federal de Minas Gerais. É autor, entre outros, dos livros Do Amor e Outros Poemas, Do Amor e Outras Crônicas, Componentes Dramáticos da Poética de Carlos Drummond de Andrade, A Hora do Lobo: Estratégias Narrativas na Filmografia de Ingmar Bergman e Guia da Prosa de Ficção Brasileira. Escreve crônicas e artigos de crítica cinematográfica

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