Eleição 2018: a importância de Partidos Políticos estruturados, por Josênio Parente

Estamos na reta final de um processo eleitoral que marca um ponto de inflexão da jovem democracia brasileira. A campanha eleitoral de 2018 já começa, oficialmente desde 16 de agosto passado, mais intensamente e se aproxima do momento da propagando gratuita na TV “aberta”, que sempre tem sido um marco decisivo para desencadear um clima de competitividade típico, com mais agressividades entre candidatos. As Redes Sociais exerceram e continuarão a exercer um papel concorrente à força das tradicionais redes de comunicações, na disputa eleitoral. Haverá surpresas nestas eleições? Possivelmente entre candidatos que estão disputando espaços apertados, pois as tendências que as pesquisas mostraram deixam incertezas, as variações dos candidatos são pequenas. É o caso de Marina Silva, Ciro Gomes e Alckmin, sem falar em Bolsonaro, que está num lugar privilegiado, entre primeiro e segundo lugar, mas o horizonte não promete. Discutiremos adiante. Mas a importância deste pleito acontece na força das organizações partidárias.

Uma especificidade desta eleição, no entanto, foi a apreensão que tomou de conta dos candidatos e seus apoiadores com a presença permanente do espectro Lula. Ainda persiste forte. A incerteza da possibilidade de Lula poder concorrer cresceu com as pesquisas eleitorais da semana passada, as agencias CNT/MBA, Ibope e Datafolha, que apresentaram seu crescimento muito acima da margem de erro. Lula livre teria a mesma capacidade de resistência? O relacionamento entre os candidatos seria, sem dúvida, de outra forma, mas sua presença como vítima de poderosos foi um forte cabo eleitoral. Pelas pesquisas, o PT ganhará mais eleitores e deve recuperar o número de eleitos para a Câmara e para o Senado. Essa avaliação ainda é imprecisa e só com a contagem dos votos se confirmaria ou não. Relembramos que, no período do “Mensalão”, o PT perdeu espaços preciosos na representação política, e que parecia ser mais fácil com o “Lava Jato”. Não será o mesmo, as decisões judiciárias passaram a ser questionadas nas redes sociais, diminuindo sua legitimidade. O resultado final, contudo, definirá a validade ou não desse caminho para o partido, que já navegou célere no mote de perseguição política.

Além do fator Lula, Bolsonaro também mostra que esta eleição tem um componente novo. Ele continua liderando as pesquisas de opinião quando Lula sai de cena, sem muita variação nos institutos de pesquisas, IBOPE e Datafolha. A novidade é a dúvida que esses Institutos lançaram ao mostrarem que seu percentual tem variado para baixo, enquanto Marina, Ciro Gomes e Alckmin têm subido significativamente nas pesquisas de intenção de voto. Mais do que isso, ele tem aumentado a sua rejeição, sendo a maior. Mas o momento decisivo se aproxima. Em contrapartida, Bolsonaro tem sabido aproveitar espaço nas Redes Sociais.

Lula e Bolsonaro são, circunstancialmente, lideranças carismáticas, acima dos partidos, mas as pesquisas eleitorais mostram que Lula é favorecido por um partido consolidado estruturalmente e com uma esquerda mais unida pela defesa do que chamam de democracia, enquanto Bolsonaro, como Collor em 1989, depende do apoio de setores da direita desorganizados politicamente pela competitividade inerente ao momento, com mais divisões, mas com a vantagem de que a direita se une facilmente. Não há, contudo, no horizonte de médio prazo, esta possibilidade.

Se é o partido político o caminho para a representação e para o fortalecimento democrático, esta eleição tem sua importância por destacar essa realidade num momento em que há um processo de fortalecimento da cidadania brasileira com a crise política que assola o país. O momento é didático. Lula fortalece o PT e a esquerda política; e Bolsonaro faz o mesmo com os partidos de direita. O PSDB, fora do poder, não estruturou o partido de forma empresarial para assumir a liderança de representação de centro direita e o núcleo da militância fundadora ainda ambicionava jogar o PT para mais à esquerda para ficar com o centro esquerda. O modelo de Presidencialismo de Coalizão entra em crise, abalado pelo “Lava Jato”, e interfere na sua desestruturação. É nas crises que damos grandes saltos de maturidade!

Vamos em frente! A ruptura busca a reestruturação!

Josenio Parente

Josenio Parente

Cientista político, professor da UECE e UFC, coordenador do grupo de pesquisa Democracia e Globalização do CNPQ.

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