BRANCA – Duarte Dias

No branco branco dessa tela branca
teu rosto claro luz azul do dia
Sagrado som teu sonho em vão seria
Se resguardado na imagem franca

Teu belo corpo de figura tanta
Formosa curva de tão raras cores
Como encantada em meio a mil rumores
Jamais traria o medo que espanta

E assim como quem não cabe via
No ato falho do farol que havia
Tua sombra rubra a dançar na noite

Eu mero traço de fogoso riso
Me arrisco a ser bem mais do que sujeito
Imensidão na borda do teu leito
Preciso fosse se fosse preciso

Porém prostrado em tão baixo relevo
Suspiro aflito por teus olhos densos
E prisioneiro em riscos tão intensos
Me esvazio posto não me atrevo

E assim como quem não cabe via
No ato falho do farol que havia
Tua sombra rubra a dançar na noite

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BRANCA – Duarte Dias

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