AUTOGOLPE: O FASCISTA ESTÁ NU

Ao reagir de chofre, dando perdão de pena para o deputado Daniel Silveira (PDT-RJ), sem que se tenha, ao menos, transitado em julgado a decisão do STF que condenou o deputado por prática de atos antidemocráticos, ataques a membro do STF e à própria instituiçãoBolsonaro aplicou um autogolpe. Ao se colocar como revisor do STF, ele afirma que nada e ninguém podem contrariar a sua vontade. Assim, nesse mesmo ato, negou a democracia e se colocou acima dos poderes, realizou o gozo fascista.

Se, no ano passado, antes e durante as comemorações pela independência, Bolsonaro atentou fortemente contra a democracia, agrediu o Supremo, prometeu aplicar um golpe, não foi punido e, ainda, teve sua desculpa esfarrapada, forjada com a assessoria de outro golpista, aceita pelos três poderes, pela maioria dos parlamentares e da imprensa, agora, portanto, a promessa se realizou dentro das idiossincrasias políticas brasileiras: é, mas não parece, e a maioria finge acreditar que não é.

Há muito, não temos democracia no Brasil, faz tempo que a política foi privatizada e as eleições passaram a ser um simulacro para legitimar o funcionamento dos poderes a serviço de uma elite racista, colonial e perversa, que não tem limites e escrúpulos para acumular riquezas e ostentar privilégios à custa de empobrecidos e miseráveis.

Com o autogolpe, o que resta a Bolsonaro é se perpetuar no poder, o seu próximo passo é o de legitimar o autogolpe por meio das urnas, ainda pode acirrar os conflitos com o que resta da ordem constitucional para evitar a realização das eleições e tornar o golpe claro, ou ainda, perder as eleições e criar um movimento, juntamente com seus seguidores, de recusa aos resultados das urnas.

O autogolpe foi aplicado e o fascista está nu. Logo, o momento é de união nacional para impor a sua imediata renúncia e prisão. Todas as lideranças políticas, todos os partidos, movimentos sociais e parte dos empresários, que se dizem comprometidos com a sociedade, devem assumir o compromisso de resgate da democracia no país,convocando o povo para ocupar, permanentemente, as ruas. Se Lula fosse um homem de maior coragem, já teria interrompido sua campanha para presidente para mobilizar a sociedade, liderando-a contra o autogolpe. Ao se colocar apenas como alternativa em uma eleição dentro de um autogolpe, o resultado pode ser a sua morte política.

No Brasil, o fascista está nu e se fortalecendo, é hora de ocuparmos, massivamente, as ruas pela democracia enquanto ainda existem uns cacos e um pouco de poeira do que dela restou no país. É hora de sermos insubmissos.

Uribam Xavier

Uribam Xavier - gosta de café com tapioca e cuscuz, peixe frito ou no pirão, de frutas e verduras, antes de ser hipertenso era chegado a uma buchada e a um sarapatel. Frequenta o espetinho do Paraíba, no boêmio e universitário bairro do Benfica [Fortaleza], e no pré-carnaval segue o bloco Luxo da Aldeia. É professor, ativista decolonial e anti-imperialista, escrever para puxar conversa e fazer arenga política. Seus dois últimos livros são: “América Latina no Século XXI – As resistências ao padrão Mundial de poder”. Expressão Gráfica Editora, Fortaleza, 2016; “Crise Civilizacional e Pensamento Decolonial. Puxando conversa em tempos de pandemia”. Dialética Editora, São Paulo, 2021

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