Aquelas que são imortais

O mês iniciou com um ar diferenciado. E não era porque estava iniciando o mês junino, tradicionalmente muito aguardado pelos Nordestinos. O motivo era outro…

Era uma tarde do primeiro dia do mês de junho de 2022, quando os cearenses receberam a noticia de que ela, a Rosa, havia feito sua passagem. Depois disso, desabou-se o céu em prantos, pranto este simbolizando o choro inconsolável de todos(as) aqueles(as) que sabiam do significado que esta mulher tem na história, não só do Ceará, mas do Brasil e mundo.

É impossível falar de Rosa no singular, ela era plural. Foi na pluralidade que ela levou sua vida, pois carregava em si a humanidade. Sempre viveu o coletivo e era nele que se realizava. Por isso sua história se entrelaça com a história de tantos(as) outros(as).

Rosa se incomodava quando diziam que ela era corajosa, que não tinha medo de nada. E rebatia na hora dizendo: “A coragem não é a ausência do medo, mas a consciência da responsabilidade”. Dizia isso para frisar que ela também era humana, tinha seus medos, mas acima deles havia algo maior, que era o desejo de mudar o mundo e com a consciência dessa responsabilidade ela movia montanhas.

E como falar de Rosa Fonseca, sem lembrar da tão saudosa Célia Zanetti, que também nos deixou uma lacuna imensa. Como falar dessas duas grandes mulheres, sem falar do Crítica Radical, grupo que ajudaram a fundar e que juntamente com elas, cumpriu um papel tão importante nas lutas da cidade e não só na cidade, pois suas ideias extrapolam fronteiras territoriais.

Impossível falar de Rosa e não falar da teoria crítica radical do valor-dissociação, da União das Mulheres Cearenses, da luta contra a ditadura militar, dos Grundrisse, do duplo Marx (esotérico x exotérico), de Robert Kurz, do moderno sistema fetichista patriarcal produtor de mercadorias, do “Morte ao Capitalismo”, da Emancipação Humana e Ambiental…

Rosa e Célia jamais morrerão, porque suas existências transcendem o plano terreno. A missão que elas tinham na Terra foi cumprida, mas não finalizada, pois agora elas passaram o bastão para nós. E quando digo nós, não me refiro apenas ao grupo Crítica Radical, afinal, a construção da sociedade emancipada é uma tarefa grande demais e deve ser construída coletivamente.

Se há uma forma de honrarmos a existência dessas duas exemplares guerreiras, é dando continuidade à luta, ainda mais agora, diante da ameaça real deste (des)governo que representa o ódio e a destruição da vida humana e ambiental.

Rosa e Célia, presente, ontem, hoje e sempre!

 

 

Dalila Martins

Maria Dalila Martins Leão é Eng. Agrônoma pela Universidade Federal do Ceará (UFC) e atualmente é Mestranda em Agronomia/Fitotecnia pela mesma instituição. Amante da natureza e entusiasta na luta pela Emancipação Humana e Ambiental!

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