Amor em tempos de isolamento

—Aii!

Sinto aquela pontada pertinho do útero no meu lado esquerdo. 
– Eu sabia que estava ovulando! Esse tesão todo não viria do nada.

Bem que as vezes vem, mas esse era prenunciado pelo período fértil.

A dor traz um lembrete que nessa época meu gosto fica ainda mais adocicado, meus seios mais desejosos de uma mamada e que a minha vontade é de trepar por horas, ter todos meu buracos preenchidos, TODOS, gozar quantas vezes o corpo permitir e depois dormir exausta.
 
Mas não era hora.

Continuei o que fazia e enquanto pegava algumas caixas no alto do armário senti a ponta do puxador da gaveta na minha buceta. Eu amo roçar nas pontas dos móveis nesse período. Às vezes me ponho de pé perto da mesa e me estico para pegar algo do outro lado só pra sentir a ponta da madeira me tocando. E minha buceta é exigente! Prefere madeira. É como se plástico não tivesse o mesmo resultado. 

Já são três da tarde. Calor. Calor me dá vontade de transar. Não quero parar agora e nem tem com quem transar. Termino de pensar e imagino um pau lambuzado de meus fluidos roçando no meu clitóris. Ui, arrepiei. 

Quase tudo pronto e preciso ir ao banheiro, enquanto lavo as mãos lembro da calcinha me dando mais uma prova que minha buceta estava absurdamente molhada. Tinha nela quase que um gozo, mas era só minha vulva sendo sedenta. Esse adjetivo combina comigo nesse período. Sedenta! Nessa época tudo que faço é quase como querendo engolir e provar tudo. Tudo parece delicioso.

Lembrei de novo o pau roçando na minha buceta.

Pego os dedos da mão ainda molhada e levo à boca. Quente como o dia lá fora e quente como dentro de mim. 

Toco na vulva e sinto que nem precisava de saliva. Estava tão molhada que eu afogaria alguém que ousasse enfiar a cara entre minhas pernas. 

Puxei a calcinha de lado e passei dois dedos na buceta encharcada como se eles fossem aquele pau da minha imaginação roçando em mim, brincando no clitóris, escorregando a cabeça bem de leve pra dentro da vulva, depois tirando e fazendo tudo de novo. 

Subi a blusa e tentei alcançar o peito com a boca e continuava escorregando os dedos e quando chegava perto do cu, que também estava molhado, porque eu escorria, enfiava a ponta do mindinho nele. 

A perna tremeu e sentei no vaso. Tirei a calcinha e a blusa e abri as pernas como se eu fosse engolir aquele pau/homem imaginário.

Ali eu já nem sabia mais quanto dedos entravam e saiam de mim. A respiração já vinha acompanhada de uns grunidos. Enquanto os dedos estavam lá dentro como se buscassem algo em direção ao meu ventre, a palma da minha mão massageava o clitóris. Não aguentei muito tempo e tremi inteira.

Encolhi meu corpo e prendi minha mão dentro de mim, como se fosse um recado pra pau/homem imaginário – Aquieta um pouco.
 
Comecei a rir e sentia pequenos flashs na minha pele. Esse é o momento em que misturo as sensações em mim. Cheiro o silêncio, sinto flashs na pele, o corpo fica intocável e eu morro um tantinho de tanta energia que corre entre meus dedos. As extremidades todas formigam. Não sinto nada e sinto tanto ao mesmo tempo.
 
Intocável sigo por um tempo. Nem lembro o que fazia antes. 

Banho é bom nessas horas. Ao ligar o chuveiro e passar as mãos entre as coxas vejo que ainda escorro. 

Intocável brinco com os dedos entre as pernas e quando vejo eles já estão dentro de mim novamente…

Jessika Sampaio

Curiosa, tagarela, viajante, feminista, caótica e contraditória. Ignorante sobre quase tudo e em constante aprendizado sobre o vazio da existência. Além de ser bicho humano, já atuei como jornalista, radialista, assessora de imprensa e de comunicação, coordenadora de comunicação e em lutas ambientais e LGBTQIA+. Em processo de aceitação da escritora que grita aqui dentro.

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