A seriedade de nosso país nunca foi questionada. Por HAROLDO ARAÚJO

Nos anos sessenta (1963) um incidente entre Brasil e França foi conduzido pela diplomacia e por problemas relacionados à pesca da lagosta no nosso litoral, mas houve ruído sobre a verdadeira questão. Na época aquele país era governado por Charles De Gaulle (1890-1970), a quem se chegou a responsabilizar pela frase de que: “O Brasil não era um país sério”. Somente em 1979, ou 9 anos após a morte de Charles De Gaulle, soube-se que ele nunca dissera aquela frase.

É preciso que se promova uma busca na História e na análise dos fatos, para poder refletir e fazer uma apreciação isenta e desprovida do viés das paixões políticas, calor do momento ou   das incompreensões. Políticos no governo têm postura absolutamente distinta daquela que demonstram possuir quando estão na oposição, tornando-se diferentes do esperado. Se estão de beicinho, então os temas deixam de ser apreciados ainda que prejudiquem o povo.

Estamos num particular momento em que a nação está atenta ao comportamento dos que se distanciam de nossa situação econômico-financeira. Posturas de alguns parecem acometidas de comportamento bipolar. Se estão desgostosos com o que diz o Presidente, então promovem uma vendetta contra interesses públicos e todos os brasileiros pagam pelos desencantos pessoais. O Brasil não tem nada a ver com empatias ou antipatias no campo da disputa política.

Assim como o Presidente francês que só foi reconhecido após a sua morte, tenho certeza que há o reconhecimento de toda a população acerca da preocupação de nosso povo com a situação fiscal de nosso país. Sabe-se também que a maioria do povo observa quais são os parlamentares que estão realmente preocupados e identificados com a necessária busca da solução. Uma solução que depende de mudanças que possam trazer o respeito da comunidade internacional.

O ministro Luís Roberto Barroso, em entrevista à TV Folha, foi eloquente quando afirmou que os políticos se afastaram das principais e legítimas reivindicações do povo e vice-versa. Quando perguntado sobre esse distanciamento na política, ele esclareceu que esse grave problema se deve ao sistema político e eleitoral brasileiro, que deverá ser aperfeiçoado para que representantes saibam quem os elegeu e que representados saibam quem elegeram.

Nossa preocupação está centrada na, urgente necessidade de que se promovam correções, ajustes e reformas em todos os setores de atividade, não só na economia. É importante que se promova a transparência na gestão pública, a começar da parte fiscal que vem ocasionando os maiores riscos de desagregação social, conforme se pode constatar em outras nações amigas e nossos vizinhos. É preciso colocar os problemas fiscais em primeiro plano? Sim.

É preciso compreender os anseios de nossa sociedade, relacionados à cidadania, aos bons costumes, a ética e o necessário entendimento de que os problemas só existem enquanto não são equacionados. Precisamos viabilizar a gestão de forma que nossos gastos e despesas caibam dentro do novo país que sofreu e continuará sofrendo redução de receitas e queda de arrecadação, de outro modo é preciso entender que as questões não devem ser pessoais.

Uma sociedade que busca o respeito de outras nações de modo a criar atratividade de investimentos, precisa se organizar internamente. É preciso ter “Orçamento Público” equilibrado, de tal maneira que adquira confiança dos verdadeiros geradores de oportunidades de trabalho para trazer seus recursos para aplicar no Brasil. Eles querem a garantia de uma gestão responsável na administração pública.  Todos querem se dirigir à um país sério, sim.

A seriedade do Brasil nunca foi questionada por Charles De Gaulle, mas nossos líderes precisam aprender a separar as coisas. Rusgas pessoais não devem ser usadas contra interesses nacionais.

Haroldo Araujo

Haroldo Araujo

Funcionário público aposentado.

Mais do autor

1 comentário

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.