A risada de Irene

A leitura do documento oficial publicado no dia de ontem, 04/05/2022, da decisão da Direção Executiva do Partido dos Trabalhadores (PT) no Ceará em relação à enésima agressão midiática consumada por Ciro Gomes (PDT), contra Lula e contra o PT, ajuda a compreender o grau de acabrunhamento em que se encontra uma boa parte de lideranças estaduais petistas, que encenaram, mais uma vez, um espetáculo deprimente, pela ausência de um projeto político capaz de romper com a dependência da estrutura de poder, nas mãos do Partido Democrático Trabalhista (PDT), dominada pela oligarquia Ferreira Gomes. Na mais recente agressão, Ciro esguichou que “não iria se submeter a um lado corrupto do PT que também existe no Ceará”. Ou seja, para ele é Roberto Cláudio ou não é ninguém para concorrer ao governo do estado.

O presidente Lula quando esteve no Ceará em agosto passado já havia pressentido o agravamento da situação, diante do forte crescimento do desgaste político provocado por Ciro Gomes ao PT, quando pediu publicamente ao então governador Camilo Santana (PT) que agisse com altivez político-partidária, concluindo o seu mandato até o final de 2022. Mas Lula não foi atendido em seu apelo. Santana preferiu seguir com seu projeto pessoal, desincompatibilizando-se em 02 de abril deste ano, deixando o governo do estado nas mãos da pedetista Izolda Cela, que já declarou seu voto em Ciro. Uma imagem emblemática da consolidação deste acordo, é o vídeo que correu pelas redes sociais com Ciro, Cid e Camilo celebrando efusivamente a posse da cirista Izolda como governadora.

Completando a breve análise do tabuleiro do xadrez político local, passados oito anos de governo da Prefeitura de Fortaleza nas mãos do PDT, com a administração Roberto Cláudio (2013-2020), a dita “Aliança” não viabilizou o retorno do PT ao poder municipal da capital alencarina, governada de 2005 a 2012 pela petista Luizianne Lins, emplacando, com imediato e intenso apoio do governador Camilo Santana, o nome de José Sarto (PDT) como o novo prefeito de Fortaleza (2021-2024). Portanto, trata-se de uma estratégia muito bem arquitetada pelo PDT para esvaziar o PT Ceará da estrutura do poder. O PT não governa o estado e nem a capital.

Por fim, dando uma rápida passada pelo sentimento imediato da militância-raiz-petista, estes últimos movimentos deprimentes no dia de ontem, da parte de suas lideranças, ao submeter-se ao senhorio dos Ferreira Gomes, parece provocar uma reação, talvez ainda não calculada pela burocracia política, de um movimento em direção à candidata ao governo do estado pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), Adelita Monteiro, que desde os primeiros momentos declarou seu apoio incondicional ao Projeto Lula Presidente. Resta saber se sem os votos do PT ao governo do estado, a oligarquia Ferreira Gomes irá conseguir emplacar Bob Cláudio no Palácio da Abolição. A conferir. Enquanto isso Irene continua dando a sua risada.

Alexandre Aragão de Albuquerque

Mestre em Políticas Públicas e Sociedade (UECE). Especialista em Democracia Participativa e Movimentos Sociais (UFMG). Arte-educador (UFPE). Alfabetizador pelo Método Paulo Freire (CNBB). Pesquisador do Grupo Democracia e Globalização (UECE/CNPQ). Autor dos livros: Juventude, Educação e Participação Política (Paco Editorial); Para entender o tempo presente (Paco Editorial); Uma escola de comunhão na liberdade (Paco Editorial); Fraternidade e Comunhão: motores da construção de um novo paradigma humano (Editora Casa Leiria) .

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