31 anos – por Jéssika Thaís

Virei meu ano! Amo meu aniversário e o que dizem sobre meu signo, ascendente, lua e marte (peixes, peixes, gêmeos e áries, se alguém quiser saber). O texto é grande e fala sobre mim. Assim como as redes sociais e o tempo que habitamos. É sempre sobre si. Engraçado, pensei sobre isso durante o banho e, tantas selfies, tantos filósofos de internet, tantas certezas e a gente tudo fodido da cabeça.

Enfim… voltando para o meu aniversário. Mais uma mudança, dessa vez um novo país. Permanente ou não, está sendo maravilhoso. No último ciclo eu vivi muitas vidas em uma só. Me mudei, me “juntei”, adotei mais um neném (a gatinha Dadá), me separei, amei muito minha mãe e minha avó, me apaixonei, me reaproximei dos migue e me separei de muita coisa. Agora ando à procura de mim.

Andei perdida no ano que passou. E abracei o labirinto para entendê-lo.

Conheci a depressão e com a ajuda de gente de muita luz e até gente que me fez mal, abracei, ela também. Quis morrer muitas vezes, e nesses dias eu contava muito com meus gatos. Pedi demissão de um importante cargo e não me arrependo.

A depressão fez isso, mas hoje não me culpo mais, sei que fiz o meu melhor com o que eu tinha e que deixei um ser de luz e competente por demais continuando o trabalho, inclusive, aniversário dela também hoje. Te amo, Nega! Muito! Espero um dia poder ser luz pra ti também.

Acho que as coisas começaram a desandar quando percebi que aos 30 eu não era ou não tinha o esperado pela sociedade. Então achava que a vida tinha acabado para mim e caí, pois não queria muitas daquelas coisas, mas achava que deveria ter.

Laís me ajudou a conseguir começar a falar sobre isso com alguém. Obrigada, fia! Queria agora te dar um cheiro imenso e um abraço do tamanho do tanto que a gente se gosta. Muitas cicatrizes eu ainda carrego, e faz parte. Vão curar, tá?

Entrei em outro trampo e saí de novo, dessa vez não foi a depressão, foi eu me respeitando. Fiquei desempregada, mas reconhecendo que eu precisava me cuidar e a terapia foi o que me sustentou, Elizabeth terapeuta linda, tenho tanto a te agradecer. O dinheiro guardado também ajudou nessa que é estar desempregada no país tropical abençoado por Deus.

Passei por muitas barras, talvez uma das piores noites da minha vida, carreguei pesos que não eram meus e desabei por um tempo. Mas sou forte e apareceram mulheres ainda mais fortes que  me deram a mão, o colo, seu conhecimento e me levantaram. Shemariah, você é poder puro!

Lembrei que venho de uma linhagem de mulheres incríveis! Bruxas sensitivas que estão comigo sempre. D. Fátima (mainha) e D. Maria (vó) não me deixam mentir.

Escrevi! Não como queria, mas escrevi. Isabel, você acreditou em mim e me senti tão feliz e especial. Você me fez acreditar que eu poderia escrever e que poderia ser bom. Tive contato com seres lindos, encarei o cursor piscando e li em público. Deusa, que dia mágico! Ouvi d. Fátima (mainha) falar: você deveria ser escritora! Quase chorei no dia.

Só que a gente sabe que a vida tem buracos e lá estava eu de novo. Sabia o que fazer, mas ser/estar quem/onde eu era/estava não era bom. Não tenho (AINDA, talvez) a veia para ser empreendedora e eu queria novas missões e não ter um trabalho não me ajudou muito nesse fosso. De novo, outra mulher incrível na minha vida, Brendalinda. Choramos as pitanga e cuidamos uma da outra e isso faz tanto bem.

Estudei, fiz iogurtes e comecei a fazer provas de concursos. É legal, mas eu não estava feliz. Assumi isso para mim, compartilhei com alguns amigos e aceitei a mão de mais uma mulher incrível, Maura, quero também um dia retribuir toda a felicidade e reviravolta que você me proporcionou. Eu amo reviravoltas emocionantes.

Em duas semanas minha vida mudou. Com o passaporte na mão, comprei a passagem, separei o que pude, contei com os migo pra trocar a pouca grana que tinha e arrumar os pano de bunda, vendi algumas poucas coisas, comprei rapadura, tapioca e castanha, esqueci a farinha e trouxe tudo pra Europa. Me afastei de quem amo tanto e me acheguei perto de seres lindos e que já chamo de família (nem sei se eles gostam. As coisas na Bélgica são diferentes).

Hoje moro em uma cidade pequena, fria e ótima para andar de bicicleta.

Medito; nem todo dia, pedalo; nem todo dia, como bem; nem todo dia, tomo remedinho; todo dia, tento não brigar mais comigo, com meu corpo, minhas rugas, estrias e erros.

Nas redes, ninguém chega ao final de um texto desse tamanho, mas só para dizer, caso você tenha chegado. Estou bem! Nem todo dia. Ainda não tô curada da depressão, o tratamento é longo e é necessário atenção, estou tomando vitamina D, vitamina C, própolis e muita água. Tenho alimentando meu espírito com boas coisas, me amado, dando atenção às pessoas que realmente se importam comigo, tentando confiar mais nas pessoas e querendo amar cada vez mais.

Depois daqui? Não sei. Vou viver meu hoje. Espero que você viva o seu também, e desculpa se fui estranha ou ausente de algum modo, eu não estava bem.

Muitas mais mulheres — e homens — também me ajudaram nesse ano difícil, não caberia em um texto. Eu precisaria de um livro para falar de todos os bem querer que tenho!

Jessika Sampaio

Jessika Sampaio

Feminista, jornalista, pós-graduanda em gestão ambiental, sonhadora, acredita em signos, no budismo e na apatia da natureza. Contraditória como todo bicho gente, curiosa e colunista do Segunda Opinião.

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