ESPELHOS

No espelho a vida ésó repetição,eco sem surpresa,luz sem comunhão. Há fome lá fora,há ruas, há rostos,mas o espelho prefereafetação do próprio gozo. Como um planeta sem sol,ledo e cego,orbita o próprio umbigopensando ser graça. Constrói catedraiscom vitrais do próprio retrato,ajoelha-se diante da própria voze responde amém. Enquanto isso,a vida — indisciplinada —bate à portae […]