VOCÊ JÁ ENCONTROU A SUA TRIBO PROTETORA?

Somos, todos, tripulantes ou passageiros de uma nau desgovernada, “de bubuia”, como os antigos navegantes se referiam a sutuações extremas em alto mar.

Como possibilidade de sobrevivência, a tripulação dessa desafortunada barca da glória, deve resistir como puder aos avanços da “vanguarda revolucionária, progressista” da pós-modernidade. Contudo, os passageiros desta nau posta em risco não podem, premidos pelos desafios do aparelhamento dos comandos da nau, ceder diante do assédio do ódio, da desconstrução dos valores e da negação da liberdade para transformarem-se nos defensores orgânicos de regras e usos que tendem a cair em prescrição pelo decurso fatal de validade.

Como fazer para para evitar o avanço dos bárbaros e impedi-los de destruir 💥 conquistas civilizacionais milenares?

Como resistir à avalanche da insensatez premeditada sem nos tornarmos destruidores do futuro, das novas e inevitáveis perspectivas de vida em sociedade neste insensato planeta?

Aos que lutam e navegam por mares procelosos é negada a fraqueza do reconhecimento antecipado da derrota. Mesmo quando os indícios e o bom senso anunciam o desastre indesejado. O otimismo, quando não encerra uma certa dose de cinismo, é remédio 💊 tranquilizador. Afasta os maus presságios.

O aparelhamento ideológico da sociedade ocorreu metódica e progressivamente, ao longo de um século. Sob o olhar atônito e preguiçoso das nações mais poderosas. E com a sua cumplicidade.

Em poucos recantos do mundo real no qual vivemos, ainda é possível sobreviver sem a proteção das tribos ideológicas, sem a sua capacidade de infligir ameaças e agressões, sem a coletivização do pensamento e das mínimas aspirações.

Na universidade? Nos sindicatos? Nos movimentos sociais? Na escola? Na Igreja? No meio militar? Na literatura, entre cientistas? Nos retiros espirituais? Na mídia? Na família, ocupada ideologicamente pelos freikorps das amizades adolescentes?

Os noviços abraçam a causa como os “brothers” elegem a libertação pela inspiração das drogas e pela rejeição dos valores “burgueses”. Escritores sem uma tribo atuante são rejeitados, têm o acesso ao reconhecimento negado.

O acesso ao magistério é um rito conhecido: vence quem for escalado para vencer. A mídia, com exceções honrosas, transformou-se em um sindicato de escribas adestrados, privados dos valores de independência que marcaram a trajetória de muitos jornalistas, no passado.

Gente como nós, desamparada da proteção de tribos temidas pela sua combatividade não passa de ovelhas negras a serem tosquiadas.

Sem o resguardo de um “campo hegemônico” não há salvação.

Paulo Elpídio de Menezes Neto

Paulo Elpídio de Menezes Neto

Cientista político, exerceu o magistério na Universidade Federal do Ceará e participou da fundação da Faculdade de Ciências Sociais e Filosofia, em 1968, sendo o seu primeiro diretor. Foi pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação e reitor da UFC, no período de 1979/83. Exerceu os cargos de secretário da Educação Superior do Ministério da Educação, secretário da Educação do Estado do Ceará, secretário Nacional de Educação Básica e diretor do FNDE, do Ministério da Educação. Foi, por duas vezes, professor visitante da Universidade de Colônia, na Alemanha. É membro da Academia Brasileira de Educação. Tem vários livros publicados.

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