Viva Paulo Guedes! O mercado está do jeito que o diabo gosta

Imagine que um especulador esperto seja, por alguns desses sortilégios do mercado financeiro, capaz de prever que a Bolsa de Valores vai subir uns trinta por cento e o dólar vai cair uns vinte por cento. E que isso vai acontecer no curto espaço de trinta dias.

Bem, isso é um absurdo. Não há razões para uma bolsa subir tanto. Também não há razões para uma taxa de câmbio despencar tão violenta e rapidamente. Não faz sentido.

Acontece que isto aconteceu no Brasil, mais ou menos nessas dimensões e mais ou menos neste prazo, quando a taxa de câmbio variou entre pouco abaixo de cinco e ao ível de seis reais e a bolsa de valores subiu quase trinta por cento,

Se o especulador é estrangeiro ele ganha duas vezes. A primeira na alta da bolsa. A segunda na queda da taxa de câmbio, admitindo que ele vai levar o dinheiro de volta para seu país de origem.

Essa hipótese é só uma espculação, claro, mas o mercado financeiro é mesmo cheio de sortilégios e as instituições financeiras estão lotadas de “experts” muito espertos. E as autoridades econômico-financeiras atualmente são “gente do mercado”.

Essas ideias soltas ocorrem quando todos leram que o Brasil estava lucrando 500 bilhões de reais (isso mesmo, meio trilhão de reais) com a alta do dólar de 5 para 6 reais (aumentando o valor das reservas cambiais do país). E ninguém sabia o que fazer com tanto dinheiro. Calma: esse dinheiro é apenas contábil, não foi ganho de fato. Até porque quando a imprensa começou a especular o que seria feito com os 500 bilhões, o dólar caiu abaixo de 5 reais de novo. Vapt-Vupt.

Os 500 bilhões do governo não se materializaram mas as especulações e os especuladores espertos, estes sim, realizam seus lucros.

Lembram da “ciranda financeira” dos anos 1980 e 1990? Pois é. O Brasil avançou e chegamos lá. O mercado está do jeito que o diabo gosta. Viva Paulo Guedes!

Capablanca

Capablanca

Ernesto Luís “Capablanca”, ou simplesmente “Capablanca” (homenagem ao jogador de xadrez) nascido em 1955, desde jovem dedica-se a trabalhar em ONGs com atuação em projetos sociais nas periferias de grandes cidades; não tem formação superior, diz que conhece metade do Brasil e o “que importa” na América do Sul, é colaborador regular de jornais comunitários. Declara-se um progressista,mas decepcionou-se com as experiências políticas e diz que atua na internet de várias formas.

Mais do autor

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.