VALE A PENA LER DE NOVO

Quando a Vida, em toda a sua soberania, põe-nos à prova, averigua a nossa capacidade de resistir às intempéries circunstanciais, avalia a nossa disposição no enfrentamento dos dissabores inesperados, cobra-nos resiliência à exaustão ante o surpreendente caos que nos ameaça reduzir a pó, a POESIA serve-nos como o néctar dos deuses, o bálsamo das divindades, o vinho dos que sempre vencem. Pois bem…
EM VOO VÃO
Se o pássaro, desencantado com a vida vã, voa…
O olhar fito no nada, vai voejando por aí afora,
Ao deus-dará, sem rumo, sem qualquer destino,
E até sem um mínimo de apego ao velho ninho,
Vai, seguramente, experienciar um voo vão, à toa,
Sem noção do ontem, do amanhã nem do agora;
Vai sofrer a dor, profunda e cruciante, do desatino;
Vai merecer, sim, morrer tão solitário, tão sozinho.
De igual talante, no peito meu um bater, que soa
Em um ritmo em cadência (com pressa, embora!),
De um velho coração, opresso e sem descortino,
Desesperançado, em prantos, mísero de carinhos.
N’alma, em contraponto pois, o sonho que destoa:
O desejo que projeta a vã esperança de outrora,
Que recria, sob um céu de anil, um tão cristalino
Horizonte – confiável: com aprumo e com alinho.
Alma e coração
Imitam o pássaro sem norte:
Em desafio à própria morte,
Em voo vão.
[Xykolu, em EU POÉTICO (s/editor), à página 43].

Francisco Luciano Gonçalves Moreira (Xykolu)

Graduado em Letras, ex-professor, servidor público federal aposentado.

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