Uma estrela no céu, outra no mar

Eu tenho um amigo que eu nunca vi

Ele esconde a cabeça dentro de um sonho

Alguém deveria chamá-lo e ver se ele pode sair

Tentar perder a tristeza em que ele se encontra

(Neil Young)

A Valdo Barros

Além das estrelas. No entanto, aqui. Aqui onde existem estrelas no mar como nas praias. Se me recordo do  último dia? Sim, me recordo. No entanto… o homem-amigo que outrora caminhou no Poço da Draga se foi.

Novela epistolar, ensaio, livro? Faríamos em milhão, em milhão de milhão; números infinitesimais como são as estrelas no céu, as gotas no oceano, o esquecimento.

Mas, que é do destino de um homem-amigo sem seus camaradas, sem os olhos de pedra e sal do fantasma-mulher que partiu? Que é do destino de um homem-amigo na visceral solidão do duplo cólera? Nada. Ainda assim, um homem-amigo. Lágrimas negras saem, caem, doem; negras como nossos olhos de petróleo.

Aquela estrela não é dela, é tu. Caminhando na areia, mirando o mar, nos perguntávamos: que é do destino de um homem? Que é do destino deste homem?

Novela epistolar, ensaio, livro? Já não quero escrever… Mas as musas, os deuses todos, as mulheres, os homens, os insetos, todos o sabem: Faríamos em milhão, em milhão de milhão; infinitesimais números… Como tudo que existe!

Pedro Henrique

Pedro Henrique

Escritor, crítico e ensaísta. Livros publicados em 2020 em formato digital, possíveis de serem adquiridos com o autor: Bibelô de recordações; Relicário perdido; Heteronímia; Crônico; Rústico. Licenciado e Mestre em Filosofia pela UECE, Doutorando pela UFRJ. Reikiano e Massoterapeuta pelo espaço Ekobé. Perfil no instagram: @pedrenrique_insta. Encontra-se desempregado e qualquer contato pode ser feito também pelo e-mail: [email protected]

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