UMA CRUZADA PATRIÓTICA CONTRA O NAZISMO, ANTES QUE O COMUNISMO (OU A SUA VERSÃO MAIS BRANDA, O PROGRESSISMO) POSSA CHEGAR AO BRASIL…

O ministro Dino  parte em cruzada patriótica contra os focos nazistas e neonazistas incrustados perversamente em nossas  caras tradiçōes cristãs, às quais se apega este comunista de boa índole em seu  zêlo exemplar pelo resguardo da  nossa segurança ideológica, se assim a podemos  chamar.
Sem querer ser desmancha-prazeres de ninguém, deixo aqui algumas  dúvidas  encabuladas. Talvez seja o único brasileiro a tê-las. Não escondo, em respeito a quem me possa desavisadamente ler,  a minha grosseira   ignorância sobre a história deste país.
Por onde se distribuem estes coletivos fascistas no Brasil?  Quem se dispõe a financiá-los e em nome de quem? Vai ver, foi este Bolsonaro que voltou impregnado de ideias da direita do partido republicano americano, e as trouxe misturadas com as joias de d. Michelle.
Se fomos invadidos por estas ideias perniciosas enquanto  dormíamos a sono solto, antes de terem chegado por aqui  a suma ideológica de Lenine, os ensinamentos de Gramsci e o bolivarianismo de Chávez, não resta dúvida de que estamos vivendo grandes riscos anunciados e o nosso Estado de Direito precisa armar-se contra essas ameaças.
Por último, uma dúvida que mal ouso compartilhar com tantos leitores inteligentes que frequentam o Facebook: qual a diferença entre “nazismo” e “neonazismo” ?
Presumo que devemos temer o nazismo  pela simples razão de já o termos, enraizado, entre os nossos intelectuais, os homens da mídia, em alguns partidos políticos descuidados, entre os estudantes, nas universidades, com  os sem-terra e os operários sindicalizados.  Já o neonazismo nos enche de apreensão. A exemplo do comunismo, há de ser coisa nova, incerta, pós-moderna que só pela  graça divina não chegaram aos nossos lares.
As pessoas ingênuas, como eu, hão de temer pelo dia em  que outras ideologias — as de esquerda, por exemplo, que Deus nos guarde —  chegarem subrepticiamente  e contaminarem os nossos estudantes, as universidades, as crianças indefesas, as nossas esposas e aqueles trabalhadores de ofício expostos à sanha da subversão…
Sim. Impõe-se que se faça alguma coisa, enquanto nos resta tempo.

Paulo Elpídio de Menezes Neto

Cientista político, exerceu o magistério na Universidade Federal do Ceará e participou da fundação da Faculdade de Ciências Sociais e Filosofia, em 1968, sendo o seu primeiro diretor. Foi pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação e reitor da UFC, no período de 1979/83. Exerceu os cargos de secretário da Educação Superior do Ministério da Educação, secretário da Educação do Estado do Ceará, secretário Nacional de Educação Básica e diretor do FNDE, do Ministério da Educação. Foi, por duas vezes, professor visitante da Universidade de Colônia, na Alemanha. É membro da Academia Brasileira de Educação. Tem vários livros publicados.