A tardia recuperação e a conta para a população, por Ricardo Coimbra

A cada novo momento observa-se que a retração na atividade econômica brasileira é muito grande. Os últimos dois anos, com quedas de 3,81% e de 3,60%, em 2015 e 2016, respectivamente, demonstram que o processo de recuperação não será tão simples. A melhoria significativa da ambiência econômica com processo de mudança de governo, como era esperada pelo mercado, numa perspectiva de melhora do ritmo da atividade econômica, não ocorreu. Situação que não se demonstrou com os dados já coletados em 2017, levando a uma perspectiva de crescimento no ano abaixo de 0,5%, isso se houver. Este cenário vem gerando forte impacto sobre o nível de emprego. A taxa de desemprego chegou ao patamar histórico de 14,2 milhões de pessoas desempregadas, segundo IBGE, na apuração de janeiro a março.

Um dado pouco alentador deve-se à confiança do consumidor, que vem subindo ao longo dos meses. Pode estar relacionado às recentes quedas da taxa Selic e da perspectiva de uma inflação abaixo da meta, provocada, principalmente, pela forte retração. Por outro lado, um fator determinante é o índice de confiança do empresariado industrial, o qual até melhorou ao longo dos últimos meses. Contudo, não decola de forma decisiva, teve até uma queda no mês de abril.

A esperança do governo e do mercado parecem estar fincadas na possibilidade das reformas trabalhistas e previdenciária para gerar melhoria de cenário e induzir novos investimentos, tanto internos como externos. Contudo, estas alavancas não serão suficientes para reverter o cenário caótico das contas públicas, mais relacionadas ao crescimento dos gastos com a manutenção das esferas de poder. Sejam elas no executivo,  legislativo e  judiciário com grandes benefícios e privilégios. Com salários elevados e vantagens, como: verbas de desempenho, auxílios moradia, permanência, paletó, gratificações, passagens, hospedagens, alimentações, veículos, assessores, etc. Eles tiram recursos que deveriam ser direcionados a saúde, educação e à própria previdência. Ou seja, se deleitam com os recursos públicos e passam a fatura para a população pagar.

Ricardo Coimbra

Ricardo Coimbra

Ricardo Coimbra: Mestre em Economia CAEN/UFC, Professor UNI7/Wyden UniFanor UECE/UniFametro, Vice-presidente Apimec/NE, Conselheiro Corecon/CE.

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