Soberba presidencial, por Haroldo Araújo

Faltou humildade aos nossos gestores para reconhecer caminhos equivocados e sobrou soberba para se achar! Evidente que era muito estranho se constatar em manchetes de jornais locais e em noticiários internacionais que o mundo todo economizava para arrumar suas contas públicas, enquanto o Brasil gastava para crescer com o aumento do consumo, gastando o que não podia. Deu no que deu!

Inesquecível a imagem de nossa Presidenta ao lado de Angela Merkel, esta dirigente alemã que certamente se postava com a humildade e simplicidade que a caracteriza, ouvindo conselhos de Dilma em imagens transmitidas e em ambiente aberto, as duas cercadas de jornalistas e cada uma em seu púlpito e olhando uma para a outra sem nada dizer principalmente a humilde gestora alemã. A nossa Presidenta aconselhava a sua colega que para sair da crise não seria com severas contenções, mas ao contrário consumindo e gastando.

Até o Orçamento da União em nosso país foi sacrificado para sustentar políticas populistas e arrebanhadoras de votos, bem intencionadas as intenções dos gastadores certamente, mas de pouca responsabilidade quanto às consequência e à não escolha do modelo alternativo de austeridade que já está tirando o resto do mundo da fase mais difícil desta última década.

E uma coisa tem a ver com a outra? Sim! Acreditaram os governantes locais que seriam perdoados porque apenas contornavam a crise que era MUNDIAL. De mundial virou local, por que? Porque afetou nossa economia com monumental deficit de R$ 170 BI e paralelamente sacrificava nosso Orçamento e ninguém acreditava que o TCU poderia passar ao largo dessa paradoxal escolha brasileira. Esqueceram os gestores que o Tribunal de Contas da União (TCU) estava atento.

Por que mesmo estamos nos amparando no contexto? Porque tudo se passou num contexto de que o antecessor de nossa Presidenta era o midiático e guru infalível em que tudo que tocava virava ouro e até uma ilustre desconhecida virou Presidenta. O Guru místico era metido e aconselhava a continuar um clima idêntico ao que faturou em seus dois mandatos como Presidente e tinha toda moral do mundo porque saiu com 89% no IBOPE.

O mundo dá muitas voltas e me apego ao sábio filósofo que afirmava que o mesmo homem não atravessa o mesmo rio duas vezes, porque muda o homem ou muda o rio. A nossa Presidenta não soube lidar com o seu líder e muito menos com o partido mandão do líder que já não era tão carismático porque o mundo era quem estava mudando, aqui não mudaram e pensavam no dizer de Ciro Gomes: “Lula navegou na maionese”.

Não esqueço quando Lula tocando uma fase pós consolidação do Plano Real e em que a melhor fase da economia no mundo mostrava sua cara, Lula chegou a afirmar que “Governar é fácil”. Fica evidente então que inspirava confiança na pupila o que se supõe ser motivo de nossa presidente ter corrido atrás do guru, exatamente no momento em que recrudesceram as movimentações do grupo passe livre em sua primeira grande manifestação de rua em São Paulo. No conjunto da gestão havia sim a pouca humildade de Lula influenciando um tipo de postura que não mais se adequava ao nosso país, faltou humildade em quem mesmo mandava.

Haroldo Araujo

Funcionário público aposentado.