“SAPIENTI SAT” *** “PARA O BOM ENTENDEDOR, MEIA PALAVRA BASTA”

Antes, era o verbo. Em seguida, vieram a prosa e a poesia. Depois,construíram-se os tropos, os conceitos e a dialética. Não necessariamente nessa ordem.

Os políticos surgiram com o invento das metáforas, a criação da semântica e de novas e insinuantes narrativas.

Os homens de Estado afirmaram-se com os gerúndios e advérbios e os militares, com os adjetivos e as interjeições — e impuseram a ordem direta.

Os juízes com os “entretanto”, os “não obstante” e as frases subordinadas, na forma imperativa e subjuntiva.

Os ativistas, já desfeitos da utopias originárias, ingressaram com as distopias reaparelhadas e as orações coordenadas.

Já os homens de fé modelaram novas revelações e deram-lhes condições efetivas para o aprovisionamento tempestivo de crenças provisórias.

Os intelectuais, unidos pela solidariedade contingente de uma cumplicidade autoprotetora, celebram o engenho e a arte de um estro cultivado com parábolas bem comportadas, sustentadas por catacreses exauridas, conquanto eloquentes. De eufemismo servem-se para a dissimulação das evidências indesejáveis. “Last but not least”, exercitam-se com as ferramentas do pleonasmo, trabalham as redundâncias e conferem-lhe o reforço de uma ideia para torná-la mais expressiva, conquanto desvalida de significado real.

Paulo Elpídio de Menezes Neto

Cientista político, exerceu o magistério na Universidade Federal do Ceará e participou da fundação da Faculdade de Ciências Sociais e Filosofia, em 1968, sendo o seu primeiro diretor. Foi pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação e reitor da UFC, no período de 1979/83. Exerceu os cargos de secretário da Educação Superior do Ministério da Educação, secretário da Educação do Estado do Ceará, secretário Nacional de Educação Básica e diretor do FNDE, do Ministério da Educação. Foi, por duas vezes, professor visitante da Universidade de Colônia, na Alemanha. É membro da Academia Brasileira de Educação. Tem vários livros publicados.