Retardar as reformas atrasa a recuperação econômica, por HAROLDO ARAÚJO

A simples divulgação da aprovação do texto da Reforma da Previdência já fez com que a Bolsa de Valores apresentasse números acima 98.000 pontos e alta de 2,3% (índice Bovespa). Bolsonaro deixou o Hospital ontem e já divulgou a idade mínima para aposentadoria: 65 anos para homens e 62 para mulheres. Após a confirmação da aprovação do texto a ser enviado ao Congresso Nacional, o dólar comercial apresentou queda e fechou o dia em R$ 3,74.

Boas notícias geram entusiasmo dos agentes econômicos e os mercados se tornam atrativos e favoráveis a entrada de recursos, a serem injetados no setor real da economia. Bons resultados e retorno dos investimentos ( taxa ROI)  das aplicações melhoram. A confiança também:  Ainda hoje o BC vendeu 10,33 mil SWAPS cambiais, o equivalente à venda futura de dólares, uma rolagem de US$ 5,165 Bilhões dos US$ 9,811 BILHÕES a se vencerem em março.

A melhora da confiança é visível e, também, da necessidade de reformas, se deve à certeza da disposição de garantir aos trabalhadores o que têm de melhor no Brasil que é um sistema previdenciário mais justo. Essas alterações beneficiam, principalmente, aos contribuintes de menor renda que já vinham se aposentando aos 65 anos. São muitos os motivos que nos levam a afirmar que retardar a discussão e aprovação das reformas só tem prejudicado o trabalhador.

Quando uma crise se instala numa economia e nas proporções como a que se instalou no Brasil, verifica-se que os empregos são os últimos a serem afetados.  Portanto, os números do desemprego serão, também, os últimos a refletir os resultados positivos decorrentes das mudanças a serem implementadas. Fica evidente que cai por terra essa balela de que reforma previdenciária vem em prejuízo dos mais desfavorecidos: É mais fácil constatar pelos 65 anos.

Dilma era manietada por grupos de interesses, em governo refém de sindicatos e correntes de esquerda retrógradas que não tinham a vontade de se aprofundar nas análises mais técnicas. Eram preocupados? Sim, mas com as repercussões políticas, porque as econômicas nunca foram consideradas. Evidente que os rombos eram negados e convenientemente escamoteados a ponto de se dizer que se tratava de interesse político ou econômico de banqueiros.

Um discurso anacrônico e que nos leva a amargar o crescimento da Dívida Interna e que chegou a números alarmantes de R$ 305 bilhões para o ano de 2019 ou algo como 4,1% do Produto Interno Bruto. Michel Temer que sucedeu a Presidenta (sic) afastada, teve a coragem de blindar sua equipe econômica. Teria blindado a própria economia e não uma equipe, se não tivesse sonhado em ser candidato a candidato novamente. Entregou a Previdência com rombos maiores

Finalmente, chega alguém ao governo com disposição de não trabalhar para se reeleger. Essa postura de independência em não aceitar as condicionalidades da velha política, assusta a quantos não entendem que não haverá um fiador de travessuras ou fiador de políticas, sejam elas quais forem. Blindar equipes ou ministros não é caminho mais acertado e a história está aí para comprovar. Muitos querem aparecer e logo se apresentam como intérpretes! Não há!

Está muito claro que a blindagem tem que ser na economia! Como? Ao fazer a Reforma da Previdência, Bolsonaro destrói o círculo vicioso de não compactuar com mais déficits e que trazem o aumento da Dívida Interna. Precisamos de dinheiro e precisamos, também, obter mais confiança das agências de ratings nas condições do governo em honrar seus compromissos, e, por via de consequência, redução do grau de risco e das taxas para o Brasil (risco soberano).

O Presidente trabalha para que o Congresso assuma, o quanto antes, suas responsabilidades para com a volta dos empregos e isso depende da retomada do crescimento econômico.

Haroldo Araujo

Funcionário público aposentado.

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