Relação juiz – prisioneiro

A atitude estúpida da  juíza que enquadrou Lula, por André Araújo 

Os pasquins da direita, quase todos, estão se esbaldando com a “bronca” da juíza Gabriela Hardt no Lula. “Enquadrou o Lula” dizem quase todos.  É espantoso pela ignorância da situação histórica de prisioneiro  versus captor, uma relação documentada em dez mil anos de historia conhecida.

O prisioneiro está na relação de falta de liberdade resultante de sua condição, não existe um diálogo de iguais entre um prisioneiro e o detentor de sua liberdade. Jamais se pode dizer que um juiz “enquadrou” um prisioneiro porque ele já está enquadrado pela própria prisão. MAS o prisioneiro sempre pode manifestar seu protesto sobre sua condição, até os Imperadores Romanos admitiam esse direito.

No Julgamento de Nuremberg, o Marechal Albrecht Kessekring, comandante de todas as forças alemãs na Itália, ao ser interrogado pelo Promotor americano Robert Jackson, que era então Procurador-Geral dos Estados Unidos, lhe deu uma resposta ríspida: “O senhor não entende nada de operações militares e sua pergunta é idiota”, Jackson respondeu “De fato o senhor entende mais do eu que nunca fui a uma guerra. Diante de suas explicações lhe peço desculpas”. Kesselring explicou que nunca poderia ter dado aquela ordem de que era acusado, pela própria lógica de uma operação militar.

Os interrogatórios em Nuremberg e no Tribunal Internacional de Crimes de Guerra de Tokyo foram milhares e não consta que algum juiz “enquadrou” algum prisioneiro, cada um deles teve o DIREITO de manifestar sua opinião, que ficou registrada, sem que nenhum juiz se sentisse “intimidado” e muito menos reclamasse do “tom” do prisioneiro. O prisioneiro tem o direito de responder como quiser.

Um juiz tem uma posição superior, NA CIRCUNSTÂNCIA, ao réu prisioneiro e não lhe cabe, por absurdo, se dizer intimidado pelo reu prisioneiro, se este está preso como pode intimidar?

A mídia direitista, na sua espantosa ignorância, está dando credenciais de “heroína” à juiza porque deu bronca a Lula, adoraram aquilo que acham a “humilhação” de Lula, é um espetáculo degradante.

Juiz é juiz, prisioneiro é prisioneiro, não existe “enquadramento” e “intimidação” nessa relação milenar.

 

André Araújo – Advogado formado pelo Mackenzie, dirigente sindical patronal por 16 anos como diretor tesoureiro do Sindicato Nac. da Indústria Eletroeletrônica-SINAEES e da ABINEE-Assoc. Bras. da Ind. Eletroeletrônica, presidente da EMPLASA – estatal do Estado de São Paulo, diretor financeiro da PRODAM – estatal da Prefeitura de S.Paulo, membro do Conselho de Administração da CEMIG-Cia. Energética de Minas Gerais.

Avatar

Convidado

Artigos enviados por autores convidados ao Segunda Opinião.

Mais do autor

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.