Razões do sucesso no cumprimento de uma missão, por Haroldo Araújo

A missão do BC é a defesa da nossa moeda o REAL. O reconhecimento do trabalho realizado por Ilan Goldfajn à frente deste órgão é resultante de sua persistência em não buscar os aplausos de entidades de classe e até da imprensa, porque todos têm certamente outros objetivos bem diferentes do guardião da moeda. O desafio foi manter-se com serenidade e saber enfrentar severas críticas, acreditando sempre em convicções de caráter técnico.

Há décadas que monitora as políticas governamentais que objetivam crescimento e satisfação das necessidades de realização de mais obras públicas como parte de planos governamentais.  O obstáculo das políticas públicas tem sido a escassez de recursos e o custo do crédito. Os juros, por exemplo, foram trazidos a patamares que, descontada a perda do poder de compra da moeda, podem ser melhor suportados em planilhas de custo das empresas nacionais.

A escassez de poupança nos obriga a buscar esse “funding” fora do país e a atratividade para os aplicadores sempre foi a taxa de juros. Ninguém viria fazer aplicações no Brasil quando fossem direcionadas à produtos financeiros com retorno negativo. Como consequência as políticas monetárias e creditícias podem levar a apreciação do real ou do dólar. Taxas de juros atrativas, no curto prazo, afetam as despesas com juros e a Dívida.

Juros atraentes geram aumento das aplicações de investidores internacionais e aumento de nossas reservas e a nossa tese é que isso tem sido uma boa política para o Brasil, não só pelo colchão de liquidez de aproximadamente US$ 400 BI, mas pela confiança na capacidade de enfrentamento de não menos eventuais crises de origem externa, por exemplo. Há casos que a especulação é contra países e moedas.

Essa visível situação de acúmulo de divisas com o aumento do volume das reservas trouxe muitas críticas pelo custo de carregamento das reservas cambiais. Acontece que a política contra as especulações externas, tem sido bem representada em um pilar de sustentação de nosso REAL pela flutuação cambial. Diz-se: “Câmbio Flutuante”.  Mesmo com “cartas na manga” (reservas altas), o Brasil não desafia mercado especulativo, mas às vezes mostra os dentes.

Sobre as críticas da acumulação de reservas, vale esclarecer que: O custo de carregamento oscila com a flutuação cambial e o resultado em 2018 mostra que o saldo em dez anos foi positivo e capaz de mostrar superávit ainda que considerada a perda do poder de compra sofrida pelo REAL no período considerado. Nunca deixamos de observar uma meta e os limites de flutuação da banda para cima ou para baixo, portanto, cumprimos o outro PILAR: Sistema de metas!

Uma economia como a nossa repousa na busca pela estabilidade, não comporta medidas radicais e trabalha no sentido de oferecer previsibilidade e gerar expectativas saudáveis para não desestruturar setores ou segmentos. O novo governo já sinaliza no sentido de oferecer essa política de não intervencionismo e isso também vai ao encontro da adoção de correções, ajustes e reformas para aperfeiçoar e (ou) mudar o que está fora dos parâmetros para a boa gestão.

Um dos trunfos do atual governo é a força das nossas instituições, como bem demonstra o Banco Central do Brasil que tem sido capaz de oferecer confiança aos mercados. Essa confiança se traduz em medidas compatíveis com o fortalecimento de políticas cambiais, monetárias e creditícias em suporte ao setor financeiro e por extensão ao setor real da economia. Os resultados têm-se mostrado satisfatórios.

Cumpre ao atual governo compreender que é essa política de entendimento fará com que as respostas econômico-financeiras continuem positivas, assim como foram até agora.

 

Haroldo Araujo

Haroldo Araujo

Funcionário público aposentado.

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