Quem disse que jornalistas e economistas “de mercado” são idiotas? por Capablanca

Economistas e jornalistas, aqueles que podem ser chamados de jornalistas e economistas “de mercado”, não são idiotas. Eles são apenas convenientes e espertos. E batalham dia após dia para se darem bem com os patrões e com o “mercado”. Para isso, são obrigados a sustentar como verdade uma certa narrativa sobre a economia brasileira. O problema é que os fatos teimam em pular na frente de todos e enfraquecem a versão mais repetida por esses profissionais.

Primeiro era a Petrobrás que estava falida, quebrada, um mar de lama e de corrupção. As ações caíram na Bolsa de quarenta para quatro reais. Temer assume o poder e, mágica!, as ações pulam de quatro para dezesseis reais em menos de seis meses (e já chegaram a 28 reais). E a Petrobrás quita muito antes do vencimento dívidas de dezenas de bilhões de reais de bilhões com dinheiro que tinha em caixa.

Segundo, era o próprio Brasil que estava quebrado, sem crédito, sem caixa. E agora descobriu-se que o país tem reservas internacionais de 380 bilhões de dólares, aplicados em títulos do tesouro dos Estados Unidos. Ao câmbio de hoje, isso dá mais de um trilhão de reais.

Terceiro, era o BNDES que também estava quebrado, porque emprestou dinheiro a tanta gente que não podia pagar. E agora se sabe e comenta-se que o BNDES já repassou ao Tesouro mais de duzentos bilhões de reais. Isso mesmo, em vez de financiar empresas e gerar desenvolvimento, o BNDES apenas tapa buracos fiscais.

Quarto, eram as empresas e as pessoas que estavam sem lucro e sem perspectiva. E sabe-se agora que os bancos privados continuam batendo recordes de lucro. Apuram anualmente mais de 120 bilhões de reais só de tarifas de prestação de serviços. E receberam de juros mais de 360 bilhões de reais em um ano.

Quinto e último, para não cansar o leitor, bastou Temer assumir para o discurso de crise urgente e dramática ser suavizado. A narrativa é que “a recessão acabou”, “a recuperação já começou”. Segundo essa narrativa, se for feita a reforma da previdência, tudo fica azul de bolinhas brancas, pois já foram feitas as reformas fiscais (Lei do Teto de Gastos) e trabalhista.

Como foi dito, jornalistas e economistas não são idiotas.

Como disse o poeta, “dormia/ a pátria mãe tão distraída/ sem perceber que era subtraída/ em tenebrosas transações…/”.

Capablanca

Capablanca

Ernesto Luís “Capablanca”, ou simplesmente “Capablanca” (homenagem ao jogador de xadrez) nascido em 1955, desde jovem dedica-se a trabalhar em ONGs com atuação em projetos sociais nas periferias de grandes cidades; não tem formação superior, diz que conhece metade do Brasil e o “que importa” na América do Sul, é colaborador regular de jornais comunitários. Declara-se um progressista,mas decepcionou-se com as experiências políticas e diz que atua na internet de várias formas.

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