Precisamos reformar a cabeça dos políticos, por Haroldo Araújo

Todos os analistas e comentaristas falam em “Reformas” e são inúmeras as que são nominadas repetidamente: Tributária, Previdenciária, Política, Trabalhista e são temas recorrentes nas manchetes de jornais. Em nenhuma das articulações de grandes colunistas são abordadas a falta de espírito público de nossos legisladores que não se apercebem que a inquietação está virando acomodação e toda acomodação é conflito latente.

Mais comum seria {ou deveria ser} uma severa cobrança de postura ética, que passa longe da cabeça pensante de nossos parlamentares em face de uma acomodação irracional. A postura de cada um nunca é reflexiva sobre a situação econômico-financeira em que toda a nação está mergulhada. Mergulho maior se verifica na falta de avaliação crítica e isso é visivelmente destruidor de nossas esperanças. As escolhas dos parlamentares são eleitoreiras e se Reforma desse voto estariam todas aprovadas.

Evidente que citar nomes para elogiar e há muitos assim como para criticar também, a exemplo da declaração da senadora Hoffman (PT) que afirmou que o Senado não tem moral para julgar uma Presidenta. Não sei se acabaria como uma busca de rótulos como toda a nossa sociedade já lhes impinge como forma de expressar indignação, dizem: “São todos iguais”! Acontece que não são. Posso atestar quando acompanho as sessões deliberativas [ou não] das comissões e até do plenário, quando os embates são mais evidentes.

Aqui expresso que os mais novos e alguns dos antigos falam com destreza e competência em discursos pessoais. Pronto! Aqui é que apresento minha indignação, como? Tanto na Câmara, quanto no Senado criou-se uma modalidade de reunião de líderes e os acordos de liderança predominam e as aprovações no PLENÁRIO são: Quem não quiser discutir a matéria, permaneça como se encontra! (Ninguém se mexe no plenário) e a matéria vai à sanção Presidencial!

Acontece que os acordos de liderança são realizados sem as câmeras que transmitem as sessões do Senado da República e da Câmara dos Deputados. O que foi discutido? Ninguém sabe, ninguém viu. O nome para isso? Transparência! O que se pretendeu oferecer à população com transmissões ao vivo, nessas reuniões, foi para o espaço?

Quando as reuniões de lideranças não chegam a um acordo, o tema não acordado vai à discussão no plenário! É nesse exato momento das discussões em plenário que os debatedores se mostram e caem as máscaras. As verdadeiras personalidades mostram-se em suas posições e é quando são evidenciados os indisfarçáveis interesses pessoais acerca dos assuntos publicamente debatidos em transmissão ao vivo pelas respectivas TVs.

Evidentemente que a intenção é ou deveria ser a de mostrar a realidade do que se passa nas aprovações de matérias de interesse público, como foi a intenção com as transmissões ao vivo pela s TVs, acaba sendo prejudicada pela pouca transparência dos verdadeiros debates que não são apresentados e seriam uma forma de avaliação do desempenho de cada representante do povo.

Matérias controversas ou não teriam que ser levadas para debate público. Sabemos que no calor dos debates alguns se exaltam querendo vencer no grito e isso também é aceitável. O que não é aceitável é que não sejam mostradas as contradições de alguns que se dizem em favor do povo e que usam seu tempo para fazer leituras de temas paroquiais e de pouco interesse nacional. Levam ao plenário questiúnculas pessoais e deslustram o parlamento, isso quando não se agridem por descontrole das emoções.

Para não fugir ao tema da moda, que é o do impedimento da Dilma, sabemos que os debates são acalorados, mas ninguém convence ninguém. Fica claro que muitos dizem: O Brasil perdeu 9 meses ou mais de debate televisivo face ao baixo nível das discussões! Certamente que essa situação se mostra contraditória com o que afirmamos, certo? Não! Em absoluto. Nunca perdemos com a necessária transparência dos debates e o melhor que fica em proveito de nosso povo é o respeito à democracia que tem na política e com a necessária transparência a maior força de um povo.

Muitos até tentaram não mostrar a cara nesse particular e em outros grandes temas como foi o do Fator Previdenciário e ficam em cima do muro. Como diria Cazuza: Mostra tua cara! Agora com os debates sobre o IMPEACHMENT já sabemos quem é quem e devemos isso à transparência dos debates. Cada um que tire suas conclusões porque todos temos nossas posições e crenças, mas é da discussão que nasce a luz. Nas próximas eleições vote em quem tem posições firmes, faça a sua REFORMA!

Haroldo Araujo

Funcionário público aposentado.