Precisa explicar de novo ou desenhar

Gestão da Economia – tenho muito clara a minha relação com as lideranças do mundo dos negócios. Eles me desprezam, eles apenas me toleram e não disfarçam o desdém que me dispensam. Se pudessem, diriam “comporte-se e mantenha distância“. Tudo bem, os sentimentos são recíprocos. Apesar disso, damo-nos bem, há um bom intermediário, de quem ambos gostamos e, até certo limite, em quem ambos confiamos. Eles querem defender seus interesses diretos, que são Reformas & Privatizações, coisa de dar engulho. Não vou fazer, não vou facilitar. Vou apenas administrar o tempo nos primeiros quatro anos. Vou empurrando com a barriga, depois de 2022 a gente vê isso. Se o Congresso fizer, minhas mãos estarão limpas…

Gestão da Pandemia – mais transparente não posso ser. Desde o primeiro momento estabeleci minha posição e minha política. É a contaminação de rebanho e o tratamento preventivo com cloroquina. O Brasil seria um exemplo para o mundo. O brasileiro é antes de tudo um forte, mergulha no esgoto e sai inteiro, sorrindo, saudável. Minha contrariedade com essas besteiras de distanciamento, máscaras, álcool gel e minhas dúvidas e suspeitas sobre vacinas apressadas ficaram claras no devido tempo. Vocês não são surdos, nem cegos, espero. E olha que eu repeti. E os discursos, as atitudes e as normativas do governo estão alinhados. No fim, vai ficar provado que eu estava certo. Questão de tempo. Estou administrando esse relógio também.

Gestão do Meio Ambiente – foi-se o tempo em que índio queria apito. Índio também gosta de dinheiro e a madeira e os minérios são o caminho. As parcerias vão andando nessa direção. Meu ministro é um craque, tem talento pra coisa. Imagina se eu ia deixar aquela terra imensa sem uso, sem exploração, como querem as ONGs e os gringos sabidos…Desmatamento e incêndios são inevitáveis, custa muito caro se meter a evitar. E todo mundo sabe que fiscalização de governo é coisa que não funciona. Nada funciona em governo. Daqui a uns poucos anos, vão me dar razão, disso não tenho dúvida.

Gestão da máquina administrativa – Como disse ainda antes de começar o governo e repeti depois, antes de começar a construir, precisarei destruir muita coisa. Estou colocando nos devidos lugares a minha gente e o esforço nessa direção já começou e vai indo bem. Só não vai mais ligeiro porque aqui e ali gente do legislativo e do judiciário se intromete. Mas eu não desisto, eu recuo e volto a avançar. A máquina vai ficar toda sob meu comando e sob o comando da minha gente. Até o judiciário e o legislativo vão se acostumar e aderir ao meu estilo, meu ritmo e vão se cansar de tentar atrapalhar.

Gestão da Comunicação – Aquilo que as esquerdas chamam de mídia hegemônica eu vou passar um trator em cima. Não paro de bater e vou tirando o oxigênio aos poucos. Quando me ameaçam, mando os negociadores certos e faço pequenas concessões, basicamente em forma de recuos e promessas que nunca poderão ser cobradas. Enquanto isso formou meu exército de soldados especiais, porque civis, mas tão obedientes e fiéis quanto os outros. Observem, essa gente boa vai estar cada vez mais forte, cada vez mais armada e empoderada. Por enquanto, a imprensa está na minha coleirinha, no meu cercadinho, eu faço a pauta, eles debatem a minha pauta.

Observações – Golpe não precisa, só se for de novo. O golpe já foi dado e eu estou no comando. Tudo o que aconteceu antes de mim é que foi golpe. Agora me interessa que falem em golpe e que tenham medo de golpe. Isso faz bem. Alivia a pressão sobre o governo. Posso fazer minhas coisas e meus projetos sem ter que explicar. E fica mais fácil para todo mundo se submeter, ou aceitar. Nesse ritmo governo e não governo por cem anos. Só estou fazendo minhas reformas e minha privatizacão particular.

Jana

Jana

Janete Nassi Freitas, nascida em 1966, fez curso superior de Comunicação, é expert em Administração, trabalhou como executiva de vendas e agora faz consultoria para pequenas e médias empresas, teve atuação em grêmios escolares quando jovem, é avessa a redes sociais embora use a internet, é sobrinha e neta de dois vereadores, mas jamais engajou-se ou sequer chegou a filiar-se a um partido, mas diz adorar um bom debate político. Declara-se uma pessoa “de centro”. Nunca exerceu qualquer função em jornalismo, não tem o diploma nem o registro profissional. Assina todos os textos e inserções na internet como “Jana”.

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