Pré-leitura do livro ‘Uma Breve História do Brasil’, de Mary Del Priore e Renato Venancio

OS AUTORES

Mary Del Priore é escritora (48 livros publicados sobre História) premiada (Jabuti e Casa-Grande & Senzala, entre outros) e ex-professora universitária. Tem pós-doutorado na École des Hautes Études em Sciences Sociales, de Paris.

Renato Venancio é pesquisador, professor universitário e escritor. Tem doutorado pela Universidade Paris IV/Sorbonne.

A PUBLICAÇÃO

O livro UMA BREVE HISTÓRIA DO BRASIL, de autoria de Mary Fel Priore e Renato Venancia, foi lançado em 2010 pela Editora Planeta, com 319 páginas.

CIRCUNSTÂNCIAS

Nas últimas décadas a história do Brasil saiu dos livros didáticos e ocupou as prateleiras das boas livrarias, conquistando vendas e prestígio para seus autores. A linguagem professoral foi substituída por textos acessíveis, numa linguagem quase jornalística. Informação e análise se articulam e dão mais que uma visão panorâmica dos cinco séculos que ainda não fizeram deste país uma nação que encha seus filhos de orgulho.

A IMPORTÂNCIA DO LIVRO

O Brasil e a gente brasileira não conhecem sua história. Quando muito, a maioria viu alguns espasmos dessa trajetória de quinhentos anos e memorizou nomes, datas e eventos que envolvem uma meia dúzia de mudanças de rumo, sem compreender o contexto, as motivações e os interesses que estavam em jogo. O livro trata dos negros, dos índios, dos brancos e dos colonizadores (e exploradores), cobre as regiões e os movimentos políticos ora de mudança, ora de resistência, ora de adaptação.

O LIVRO

Os autores estruturaram o livro em trinta e três capítulos breves. No prefácio, eles declaram sua intenção de fazer da leitura um diálogo de “saborosas conversas”, elegendo temas que auxiliem a compreensão dos “momentos formadores” do Brasil dos dias atuais. O texto cobre quinhentos anos e chega a fazer referências a eventos políticos marcantes do ano de 2006.

CURTAS (Insights)

“Sabemos mais a respeito de regiões ricas do que de pobres, de livres do que de escravos, de empresários do que de trabalhadores, de homens do que de mulheres, de adultos do que de crianças…”

“Em meados do século XX, a industrialização tornou-se o principal elemento de nosso desenvolvimento.”

“Em 1985, o MST retoma a ancestral luta pela reforma agrária brasileira. Como vimos, essa luta não é nova, sendo defendida por abolicionistas do século XIX e pelas Ligas Camponesas nos anos 950-1960.”

“Entre 1977 e 1983, o número de pessoas vivendo com rendimentos inferiores a um dólar por dia aumenta de 17 milhões para 30 milhões. Se no passado a pobreza é registrada mais frequentemente no campo, dando origem a formas de banditismo rural como o cangaço, agora ela tem a cidade como principal espaço.”

“Durante os dois governos do presidente Fernando Henrique Cardoso, ao contrário do que se previra, a privatizacão das empresas públicas e a abertura da economia para o capital internacional não levaram ao crescimento econômico.”

BONS MOMENTOS (Ideias Centrais)

“O sucesso da fórmula aplicada nas ilhas do Norte da África, Madeira e Cabo Verde, fez com que D. João III optasse pela divisão das terras em capitanias. Uma vez demarcadas, cada um com cinquenta léguas de costa, foram distribuídas entre fidalgos. Como donatários, cabia-lhes criar vilas e povoações, exercer justiça, nomear juízes e oficiais, incentivar a instalação de engenhos, marinhas de sal e moendas de água, arrendar terras do sertão. Uma série de vantagens e poderes funcionava como chamariz para os colonos. Em contrapartida, recebiam ‘um foral de direitos, foros, tributos e cousas que na dita terra hão de pagar’.”

“O Tribunal do Santo Ofício da Inquisição não se instalou jamais. Conforme foi dito, registram-seapenas denúncias avulsas e visitas de inquisidores à Bahia, Pernambuco e Grão-Pará, em busca de hereges, cristãos novos, feiticeiros, sodomitas e outros pecadores que infringiam a moral e a fé católica”

“Os escravos distinguiam-se entre boçais – como eram chamados os recém-chegados da África – e ladinos, os já aculturados e que entendiam o português. Ambos os grupos de estrangeiros opunham-se aos crioulos, aqueles nascidos no Brasil. Havia distinções entre as nações africanas e, dada a miscigenação, a cor mais clara da pele era também fator de diferenciação. Aos crioulos e mulatos reservavam-se as tarefas domésticas, artesanais e de supervisão. Aos africanos, dava-se o trabalho mais árduo.”

“A importância econômica e social desse século (XVIII) sertanejo não deixa dúvidas. Sertanejos, guascas e tropeiros estiveram por trás do funcionamento de açúcar, do desenvolvimento de atividades mineiras e do abastecimento do interior do Brasil. A circulação interna da Colônia, assim como o transporte de produtos e bens só podia ser feita no lombo de mulas. O abastecimento de Minas e dos grupos militares estacionados no Sul dependia da carne bovina. A fazenda de gado do Nordeste criou uma massa de pequenos e meedios proprietários. O mesmo se deu no Sul e no Sudeste.”

“Mal alimentados, com vestimentas não preparadas para o clima local, os soldados adoeciam facilmente de beribéri, malária, varíola, cólera-morbo e pneumonia. Os estudosos do tema chegaram até a avaliar que a fome e as doençasmataram dez vezes mais soldados brasileiros do que os conflitos abertos contra os paraguaios. Por isso, ao longo dos anos de guerra, foi se consolidando entre os oficiais a opinião de que o principal inimigo do Exército eram os políticos do Império, que haviam abandonado a instituição, substituindo-a em grande parte pela Guarda Nacional.”

“Tais lutas eram, em certo sentido, expressão máxima do que costuma ser definido como coronelismo, forma de “mandarinato local”, particularmente mais intensa no Nordeste, que se baseava na formação de exércitos particulares de jagunços. Estes atuavam criminosamente no sertão desde os tempos coloniais, sendo eventualmente contratados para servir em guerras entre famílias rivais ou, em épovas de muita penúria econômica, para proteger o gado.”

“Malgrado o desgaste público, o presidente se reelege em 2006. Na raiz deste sucesso estão as diferentes políticas implementadas, a inflação sob controle, a dívida com o FMI zerada e a balança comercial com resultados dobrados entre 2003 e 2005. O quadro de otimismo é embalado por outra novidade de grande impacto: o ano da reeleição comemora a autossuficiência em petróleo…e em outubro de 2006 a Petrobrás anuncia a descoberta do pré-sal.”

Osvaldo Euclides

Osvaldo Euclides de Araújo tem graduação em Economia e mestrado em Administração, foi gestor de empresas e professor universitário. É escritor e coordenador geral do Segunda Opinião.

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