PRÉ-LEITURA DO LIVRO “SOBRE LIVROS E IDEIAS”, DE EDUARDO CÉSAR MAIA


O AUTOR

Eduardo César Maia é jornalista, professor e escritor. Tem graduação em Jornalismo, mestrado e doutorado em Teoria da Literatura (disciplina que ensina na UFPE). Publicou vários livros individuais e coletivos sobre crítica literária e filosofia e participa de três revistas da área como colaborador e editor. 

A PUBLICAÇÃO 

O livro “Sobre Livros e Ideias – uma seleção de ensaios e entrevistas do Café Colombo”, organizado por Eduardo César Maia, foi lançado em 2016, pela editora Café Colombo, com 325 páginas e apresentação de Sidney Rocha. Edição virtual disponível no Kindle, da Amazon. 

CIRCUNSTÂNCIAS 

Eduardo César Maia reúne para um livro uma qualificada seleção de ensaios e de entrevistas com escritores. Todos os eventos e participantes têm alguma conexão com o café-editora Colombo (também programa em rádio). Os autores escolhidos podem ser novos ou já conhecidos e renomados. E os temas tratados são relevantes e oportunos. Boa literatura na veia. 

A IMPORTÂNCIA DO LIVRO 

O livro tem um conteúdo substantivo apresentado em textos de alta qualidade. Os ensaios escolhem tratar temas cativantes e controversos e as entrevistas mostram uma excepcional empatia entre entrevistadores e entrevistados. O tempo passa rápido na leitura atenta das mais de trezentas páginas. Um banquete sobre livros e ideias.

O LIVRO 

O livro se estrutura em duas grandes partes. A primeira dedicada a ensaios, a segunda dedicada a entrevistas. Os ensaístas são brasileiros e estrangeiros, enquanto os entrevistados são todos escritores brasileiros. 

Os temas dos ensaios e a pauta das entrevistas são escolhidos em função da originalidade e da oportunidade, além de serem de alto interesse tanto de escritores, quanto de leitores e qualquer agente atuante direta ou indiretamente no mercado editorial. 

A título de exemplo, o primeiro ensaio apresenta e defende a ideia de que há uma afinidade especial entre filosofia e literatura. O autor propõe que a filosofia é literatura conceitual, e desenvolve sua sólida argumentação. O ensaio seguinte busca dar uma visão da presença da filosofia na obra de Jorge Luís Borges…

As entrevistas com os sete escritores são especialmente atraentes. Uma delas capta a experiência de um autor escrevendo um ousado romance depois de sofrer um AVC. Outra entrevista explora a lista de ações e atividades de divulgação profissional de um livro novo. 

Este é um livro para se ler devagar, saboreando cada pedaço. 

CURTAS 

“O escritor escreve aquilo que não confessa nem à própria alma.

“O escritor não pode se fiscalizar enquanto escreve. 

“Sartre descobriu Kafka na Tchecoslováquia, coitado, esquecido, ninguém dava importância.

“Em literatura não se diz, se mostra.

“Tenho paixão por livro curto. Para mim, livro é aquilo que você recebe como um golpe.

“O leitor disperso eu não quero, pode deixar meu livro em casa.

BONS MOMENTOS 

“… Eu abro um dos meus contos com a referência a uma espécie de confraternização entre torturados e torturadores em um bar do Recife. Porque o tempo passa. A gente não tem que ser vingativo, mas a história deve ser preservada.

“… Quão significativa era essa passagem do um ao dois, da unidade à pluralidade, e assim ao infinito. Com o segundo ator entraram em cena os diálogos e as infinitas possibilidades da reação de uns personagens sobre os outros.

“Sem deixar de ser Kafka, Kafka difere de Kafka — ou Borges difere de Borges, e ainda é Borges. Eis um, pelo menos, dos problemas que uma tradução propõe: um mesmo que se permite ser, quem diria, diferente de si mesmo, e ser-se ainda.

“A literatura tem o encanto da metáfora, do símbolo, da imagem. Faz com que você perceba o que é dor. Ninguém sabe o que é dor. Sabe o que é a sua dor, mas quando é no outro é somente uma dor. Uma palavra.

“Literatura não tem que provar nada, tem que embelezar, sentir a maravilha e a dor do mundo. Cada autor diz à sua maneira… Eu compreendi que a dor é só pessoal. Mesmo quando você sofre com a tortura vendo uma pessoa estraçalhada e morta. Por isso é tão difícil entender Jesus Cristo.

“Vamos no carro e vamos ouvindo. A literatura precisa que eu pare e leia. A pintura precisa que eu pare e veja. O cinema exige que eu me sente e veja. A música não. É a grande arte porque não precisa de ninguém.

“Eu quero a condição humana, o abismo humano. A coisa que mais me intriga é o homem, o ser no mundo. O homem é intrigante pela sua própria natureza, não importa o país em que ele vive.

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