Pré-leitura do livro “Para Pensar”, de Élcio Batista

O AUTOR

Élcio Batista é mestre em Ciências Sociais, nascido em 1974, no Paraná. Foi eleito vice-prefeito de Fortaleza em 2020, depois de sete anos como secretário dos governos municipal e estadual, na sequência de uma carreira como professor e gestor de instituições de ensino superior.

A PUBLICAÇÃO

O livro “Para Pensar”, de autoria de Élcio Batista, foi concluído e editado em 2019, pela 7 Letras, com 163 páginas. Ilustrações de Gervásio TROCHE. Apresentação de Irlys Barreira.

CIRCUNSTÂNCIAS

Élcio Batista se coloca de forma ativa no debate público. Escreve para jornais e revistas, participa de livros coletivos, expõe ideias em palestras e programas veiculados em rádio e TV. Entre 2014 e 2016 fez anotações breves sobre questões mais complexas que atraiam seu interesse como acadêmico e como agente político. Em 2019, organizou e revisou tais textos e os encaminhou para a editora. Ana Soter desenvolveu um projeto gráfico específico para o conteúdo e sugeriu Troche para ilustrar. O lançamento formal ocorreu em 2022.

A IMPORTÂNCIA DO LIVRO

Élcio Batista foi de professor e gestor de universidade a secretário do governo estadual. As ideias expostas na obra mostram um observador atento ao particular e ao coletivo, ao público e ao privado, ao regional e ao universal, à economia e à cultura, mundos diferentes que demandam atenção de intelectuais e de políticos ativos. O livro não enfrenta os problemas, não se propõe a fazê-lo, apenas informa e sensibiliza o leitor. Certamente dirigido aos jovens de todas as idades — a julgar pela linguagem e pelo design gráfico —, o livro é pauta inteligente e ponto de partida estimulante para debate.

O LIVRO

O livro se estrutura na sequência de textos leves e breves, como se fossem curtas crônicas ou anotações para desenvolvimento futuro, como sugere na apresentação a professora Irlys Barreira (a partir de Wright Mills, com o conceito de artesanato intelectual). A leitura é rápida, facilitada pela originalidade do formato (tipologia, layout) e pela ilustração simples e criativa.

O texto se faz direto e acessível, por mais delicada que seja a questão proposta.

Eis uma amostra da pauta: Por que o capitalismo é tão injusto? Como podemos escrever o futuro? Qual é o preço da desigualdade? Como Mozart se transformou num gênio? Como ocorrem os processos de ascensão social? A crise hídrica é inevitável? E no Ceará ela será uma oportunidade?

CURTAS

“A arte nos eleva. Tudo o mais nos deprime.

“A cada ciclo as mesmas forças —minorias, sempre elas! — subjugam a maioria, impondo que continuem a viver na iniquidade.

“O sonho não acabou e permanece como promessa a se realizar.

“… entender os jogos interativos, friccionais e de mútua dependência é algo fascinante.

“… Queremos estar mais perto do poder pelas possibilidades que este tem de definir os destinos coletivos.

“Precisamos de uma escada rolante ou elevador para reduzirmos a desigualdade.

“Não posso nem falar em mudança cultural, pois a escassez é o que caracteriza nossa civilização.

“Uma das chaves para o entendimento da vida social no mundo contemporâneo está na relação entre o privado e o público.

BONS MOMENTOS

“A conquista da “civilidade” representa uma combinação entre controles externos e autocontroles, por um lado, e desenvolvimento econômico e humano por outro. Nada disso pode ser alcançado — em nações livres e democráticas — sem que Estado e sociedade civil interajam em torno de determinados objetivos. A redução da violência é uma tarefa de todos os poderes públicos, dos setores privados e dos indivíduos-cidadãos.

“O século XXI é o século da justiça ou da combinação de liberdade com igualdade . Os escandinavos, canadenses e australianos estão na vanguarda. O Brasil insiste em aceitar com “naturalidade” a extrema desigualdade. Resultado: o país não cresce, a indústria não rompe o ciclo de dependência de tecnologias exógenas, a pobreza persiste e a violência aumenta. A continuar fazendo o mesmo e esperar resultados diferentes, pode-se afirmar: nosso futuro nunca foi tão certo!

“A questão política no Brasil é nossa tolerância secular com a desigualdade em níveis insustentáveis. O crescimento econômico é um dos pilares da mudança estrutural. Outro é um sistema tributário ajustado ao problema. Ainda, uma política de longo prazo na formação de capital humano. Por fim, investimentos sustentados por décadas em ciência, tecnologia, inovação e cultura.

“Sempre a cultura! Por quê ? Em razão do prestígio, da distinção que ela imprime no mundo social. Uma biblioteca, um museu, um teatro, uma vez “criados”, transformom-se em lugares “sagrados”. Eternizam-se e adquirem a capacidade de eternizar os indivíduos.

“Queremos estar mais perto do poder pelas possibilidades que este tem de definir os destinos coletivos. As “massas” parecem se sentir abandonadas pelas elites políticas e econômicas. Isto não é bom, pois abre caminho para lideranças demagógicas, irresponsáveis e intolerantes. Um alívio: os processos de longa duração se desenvolvem entre “avanços” e “recuos”.

“Durante um dia no ano — a data em que nascemos — a noção do tempo é soberana. Teses explicativas sobre o tempo e sua conexão com a vida se multiplicam. Mas logo são consumidas, devoradas pelo tempo. “Não deu tempo”, diz a lápide do poeta sábio e inquieto. “Vamos inventar o tempo”, argumenta o gênio criativo. Escolhamos entre o gênio e o sábio.

 

Foto: Instagram do autor (@elciobatista)

Osvaldo Euclides

Osvaldo Euclides de Araújo tem graduação em Economia e mestrado em Administração, foi gestor de empresas e professor universitário. É escritor e coordenador geral do Segunda Opinião.

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