Pré-leitura do livro “O País dos Petralhas”, de Reinaldo Azevedo

para mim

O AUTOR 

Reinaldo Azevedo tem formação em Letras e é jornalista. Trabalhou na sucursal Brasília da Folha. Publicou também o livro Contra o Consenso. Foi editor das revistas Bravo!, República e Primeira Leitura. Em 2008 era colunista (na edição impressa) e blogueiro na revista Veja. Hoje tem um programa diário na Band News FM. 

A PUBLICAÇÃO 

O livro “O País dos Petralhas”, de autoria de Reinaldo Azevedo, foi lançado em 2008, pela editora Record, com 337 páginas. 

CIRCUNSTÂNCIAS 

A partir de 2006, basicamente, prosperou na imprensa tradicional e nas redes sociais um jornalismo de opinião virulento e raivoso, tão parcial quanto apaixonado. Reinaldo Azevedo, Diogo Mainardi (na revista Veja) e Arnaldo Jabor (na TV Globo) eram os campeões do estilo batizado de “Rottweiler”. Difícil definir os contornos, porque não havia limites. 

Um partido de esquerda estava no comando do governo federal pela primeira vez. O herói brasileiro daquele momento, segundo a revista, era Joaquim Barbosa, ministro da suprema corte, relator do rumoroso mensalão. Os canhões estavam todos apontados para o governo federal, vale dizer para o presidente da República e seu partido (Lula e PT). 

Reinaldo Azevedo, culto, dono de textos bem escritos e corajoso construiu e consolidou uma imagem singular de si mesmo, que administra até os dias atuais. O livro ajudou. 

A IMPORTÂNCIA DO LIVRO 

A imprensa tradicional sempre foi especialmente crítica e teve má vontade com partidos e com políticos de centro-esquerda e de esquerda. Era o natural, o esperado do velho conservadorismo. Aí veio a mudança. A partir de 2006, o colunismo de opinião política abrigou e estimulou uma radicalização que beirava o fanatismo, sendo Reinaldo, Mainardi e Jabor os mais ardentes e célebres praticantes do novo estilo. 

Talvez nem se possa chamar tal prática de jornalismo, de tão fora da curva, levando em conta meio século de opinião, pelo menos.  O livro de Reinaldo Azevedo traz a contribuição de reunir num só espaço uma representativa amostra do que se aproximava de uma seita. E, passado o calor dos eventos e de suas circunstâncias, o conjunto pode ser apreciado ou condenado com algum rigor e alguma isenção hoje. 

O LIVRO 

O livro se estrutura em cinco capítulos. O primeiro, a cachaça dos intelectuais e a imprensa. O segundo, preto no branco — textos publicados em O Globo. Terceiro, sociedade das ideias mortas. Quarto, mundo, mundo, vasto mundo e suas crenças. Quinto, a arte da política e um pouco de política com arte. 

Todos os cinco capítulos são compostos de textos publicados na imprensa tradicional e seus blogs pelo autor, sem notas e referências. Todas vieram a público entre os anos de 2006 e 2008, inclusive. 

(Haveria depois o “O País dos Petralhas II”, com textos do período 2009-2012.)

CURTAS 

“Só um idiota não vê qual a diferença entre roubar um banco e fundar um banco — os juros pagos por Lula. 

“Tudo o que é bom para o PT é ruim para o Brasil. Não é a primeira vez que escrevo sobre a frase que mais me rendeu protestos. Até alguns conservadores fizeram um muxoxo: — Cheira a preconceito. E daí?

“Na esquerda midiática e acadêmica, a única coisa superior á má-fé é a burrice. Lula deve sua reeleição ao Banco Central. 

“Sabem quem não precisa, definitivamente, de cotas no Brasil? Os idiotas. 

“O PT, embora chamado Partido dos Trabalhadores, fez-se no cadinho dessa ligeireza teórica da imprensa, e, acreditem, da academia.

“Três entre cinco petralhas formam uma quadrilha de oito. 

“O lugar de João Pedro Stédile, líder de um movimento fantasma chamado MST, é a cadeia. Em vez disso, recebe verba do governo para promover o terrorismo e a chantagem.

“Deus faz “hehe” porque é Aquele do Novo Testamento, sabem? Um pouco mais bem-humorado do que O do Velho— que, obviamente, já teria fulminado Lula com um raio. Acusação: misticismo, curandeirismo e magia. 

BONS MOMENTOS

“…APEDEUTA – O termo é dicionarizado: “Que ou quem não tem instrução, ignorante”. Neste livro e no blog, “O Apedeuta”, com artigo, designa o presidente Luiz Inácio Lula da Silva quando ele faz apologia da ignorância ou fala alguma batatada teórica. 

“…BABALORIXÁ DE BANÂNIA – É outro dos epítetos de Lula, empregado quando ele assume certa vocação mística ou missionária. No candomblé, o babalorixá é um chefe espiritual. O termo “banânia”, uma referência ao Brasil, é inspirado no país Kakânia, criacão de Musil no romance Um Homem Sem Qualidades. 

“…PETRALHA – Neologismo criado da fusão das palavras “petista” e  “metralha” — dos Irmãos Metralha, sempre de olho na caixa forte do Tio Patinhas. Um petralha defende o “roubo social”. Ele não vê mal nenhum em assaltar os cofres públicos desde que seja para a construção do “partido”.

“…TOCADORES DE TUBA – É o colunismo engajado na defesa incondicional do governo petista. O tocador de tuba é o propagandista menos sutil. Suas versões mais amenas podem tocar flauta ou saxofone. Alguns dos tocadores desses instrumentos de sopro já estão empregados na TV Pública — a Lula News. Mas há muita gente na fila. 

“Quem sabe o que penso já percebeu que não aceito a violência como instrumento para fazer política…É a de Chico Buarque, o amiguinho do facínora Fidel Castro, por exemplo. Chico respondeu a indagações que são de natureza política. Se tivesse feito digressões sobre os sonetos petrarquianos, talvez eu o tivesse deixado de lado. Em meio ao caos e ao medo espalhado por terroristas no Rio, esse senhor vem com a conversa mole de que responsável mesmo pela violência é a classe média! É a análise de um imbecil ou de um mau-caráter. 

“No Brasil, eu sei que o PT está mais ocupado com a fusão das teles do que com a luta armada, ora essa. Boa parte dos petistas, hoje em dia, faz negócios. É que há uma distorção infantil nesse debate que nos impede de reconhecer as coisas como são..imagina-se, tolamente, que direitistas gostam de dinheiro, e esquerdistas, só de ideologia. Não! Eles são chegadões a uma bufunfa. Esse cretinismo é irmão gêmeo da crença ingênua de que esquerdistas sempre estão preocupados com a justiça social. Nada disso!

“…as oposições continuarão caladas, reféns do PT. Sabem quem, definitivamente, não precisa de cotas no Brasil? Os idiotas. Já estão bem representados. Algum deputado aceitaria patrocinar um projeto exigindo que só bípedes com a coluna ereta podem exercer cargo público ou dar aula em universidade?

Osvaldo Euclides

Osvaldo Euclides de Araújo tem graduação em Economia e mestrado em Administração, foi gestor de empresas e professor universitário. É escritor e coordenador geral do Segunda Opinião.

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