Pré-leitura do livro “O Cearense Revelado”, de Luís Sérgio Santos

O AUTOR

Luís Sérgio Santos, cearense, é jornalista, historiador e professor da área de Comunicação da Universidade Federal do Ceará. Já no início da carreira ganhou o Prêmio Esso, em 1980. Foi correspondente da Folha de S. Paulo, secretário de redação e editor geral dos dois maiores jornais do Ceará, Diário do Nordeste e O Povo, respectivamente. Expert em design gráfico, dá consultoria e implantou reestruturação de veículos impressos. Lançou três revistas, Fale, Inside Brasil e Poder Local, e é diretor geral da Omni Editora. É autor do livro “Rui Facó – uma biografia”. Em 2018 lançou “Parsifal – um intelectual no Poder”, além de “Intimorata”.

A PUBLICAÇÃO

O livro “O Cearense Revelado – uma jornada via DNA desvenda nossa ancestralidade”, de autoria de Luís Sérgio Santos, foi lançado em 2020, pelo Instituto Myra Eliane, com 350 páginas, prefácio de Igor Queiroz Barroso, apoio cultural da Federação das Indústrias do Estado do Ceará.

 

CIRCUNSTÂNCIAS

Parsifal Barroso, intelectual cearense que fez carreira política (foi deputado, governador e ministro), assistiu em 1945 a uma palestra de Gilberto Freyre cujo título era ‘Precisa-se do Ceará’. Em 1969, Parsifal lança o livro ‘O Cearense’, que foi reeditado recentemente, reacendendo o debate sobre a cearensidade. O tema ganha impulso com este livro que divulga resultados de uma pesquisa científica de natureza genética (GPS Origins – Geographic Population Structure) sobre a ancestralidade cearense.

A IMPORTÂNCIA DO LIVRO

O livro apresenta quadros estatísticos, gráficos, mapas e dinâmicas da movimentação de grupos populacionais que cobrem mil anos em todo o planeta. A tese defendida por Parsifal Barroso em seu livro (O Cearense, 1969) apontava para a presença no sangue cearense do branco europeu, do indígena e do negro africano (este em menor escala). A pesquisa genética veio comprovar a análise social e histórica, acrescentando um detalhe: o “gene pool” Fennoscandia, indicando presença (no sangue do branco europeu colonizador) ancestral de vikings e visigodos (eles dominaram longamente partes da Europa – destaque para a Inglaterra, Portugal e Espanha).

O LIVRO

O livro ‘O Cearense Revelado’ põe em perspectiva toda a evolução dos estudos sobre a cearensidade (termo criado por Parsifal), passando por Gilberto Freyre, Raimundo Girão, Barão de Studart, Djacir Menezes, Capistrano de Abreu, Antonio Bezerra, Gilmar de Carvalho, Geraldo Nobre e outros e abre uma nova e larga estrada para descobertas com a GPS Origins, apresentada em detalhes pelo Dr. Eran Elhaik, que desenvolveu a metodologia capaz de geolocalizar o lugar onde o DNA foi forjado. O algoritmo acessa um banco de dados genéticos do mundo inteiro e cruza com a amostra colhida localmente para mostrar onde os ancestrais dos cearenses viviam há (até) um milênio. Importa observar que a pesquisa genética não refere-se a “brancos europeus”, “negros africanos” ou “indígenas”, ela restringe-se a usar os nomes científicos dos “pools” genéticos dos lugares espalhados pelos cinco continentes, sem fazer juízos sócio-históricos ou de outra natureza. Assim, o livro ‘O Cearense Revelado’ tem duas faces, a divulgação formal dos resultados de uma pesquisa científica e uma retrospectiva de natureza sócio-histórica (esta, sim, falando de negros, indígenas e brancos europeus).

INSIGHTS

“Nossa técnica difere das técnicas alternativas, na medida em que modela a população humana – toda a população humana – sendo misturada.”

“A estrutura genética cearense, como de resto, do brasileiro e do europeu, é resultado de várias camadas de migração e consequente mistura”.

“O ‘pool’ genético – ou bolsão genético – é o conjunto de todos os genes, ou informações genéticas, em qualquer população, geralmente de uma mesma espécie. O DNA cearense é composto por 27 “pools”. No planeta há um total de 36 “pools”.

“A pesquisa GPS-DNA Origins Ceará mostra que, se existe um padrão genético na composição do cearense, esse padrão é a mistura. A regra vale para o Brasil não de modo homogêneo e pasteurizado.”

“Vasto, movediço e tumultuário é, entretanto, o campo do caldeamento étnico, mesmo que sejam afastados da pesquisa os mínimos de miscigenação”.

“O GPS Origins, o original e único algoritmo desenvolvido e lançado pelo professor doutor Eran Elhaik e sua equipe da Universidade de Sheffield (Reino Unido), identifica com precisão sem precedentes onde e quando as partes principais da composição genética humana foram formadas”.

IDEIAS CENTRAIS

“A tese apresentada por Parsifal Barroso a partir de pesquisas realizadas até o início dos anos 1960 parcialmente se confirma. Somos produtos da miscigenação genética de três matrizes principais: o ameríndio, o branco europeu e o africano. No entanto, a quantidade de etnias sintetizadas nessas três matrizes são um verdadeiro caldeirão, o que Eran Elhaik chama de bolsões genéticos.”

“Um primeiro desafio na formatação da metodologia foi desenvolver um modelo científico afastado de concepções raciais. Para qualquer lugar que olhássemos nós víamos misturas, tanto históricas quanto modernas. Entender que todos os humanos são miscigenados foi chegar à metade do caminho para desenvolver um modelo funcional que localizasse nossas origens…” (Dr. Eran Elhaik)

“Nosso rastreamento genético via GPS foi aplicado em amostra intencional (x160) sendo a seleção amostral controlada e baseada no conhecimento qualitativo da distribuição geográfica da população na perspectiva do propósito do estudo. A distribuição da amostra considerou as mesorregiões geográficas: 1) Noroeste cearense; 2)Norte cearense; 3) Região Metropolitana de Fortaleza; 4) Sertões cearenses; 5) Jaguaribe; 6) Centro-Sul cearense; 7) Sul cearense. Mesorregiões é a subdivisão dos estados brasileiros que congrega diversos municípios de cada área geográfica com similaridades econômicas e sociais, que por sua vez, são subdivididas em microrregiões. Tipo de amostra: saliva.”

Osvaldo Euclides

Osvaldo Euclides

Economista e Professor Universitário.

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