Pré-leitura do livro “Inconfidências Indeletáveis”, de Paulo Elpídio de Menezes Neto

O AUTOR

Paulo Elpídio de Menezes Neto é cientista político, Exerceu os cargos de secretário da Educação Superior do Ministério da Educação, secretário da Educação do Estado do Ceará, secretário Nacional de Educação Básica e diretor do FNDE, do Ministério da Educação. Foi Reitor da UFC e, por duas vezes, professor visitante da Universidade de Colônia, na Alemanha. Tem vários livros publicados.

A PUBLICAÇÃO

O livro “Inconfidê[email protected]áveis.com.br – os deslizes dos outros (e os nossos também)”, de autoria de Paulo Elpídio de Menezes Neto, foi lançado em 2007, pela editora Oficina da Palavra, com 244 páginas. Prefácio de Lustosa da Costa (que noticia o seu histórico primeiro lançamento literário em Paris).

CIRCUNSTÂNCIAS

Da virada de século (e de milênio) até 2007, sempre usando o e-mail, um grupo de intelectuais, unidos pela amizade, trocaram palavras sem a preocupação e cuidados de quem um dia as tornaria públicas, sem censura, sem edição. São eles (e elas): Maria Dulce Barros, Ana Maria Roland, Hélio Barros, Anchieta Esmeraldo, Marcondes Rosa, Antenor Leal, Jeová Sobreira, Milton Dias, Lúcio Brasileiro, Marta Menezes, Cláudio de Moura Castro, Eduardo Diatahy, João Borges de Melo e Lustosa da Costa.

A IMPORTÂNCIA DO LIVRO

A internet é justamente acusada de empobrecer a comunicação, retirando-lhe a noção de ‘timing’ ou desidratando os textos. Em outras palavras, saudade das velhas e boas cartas. Há quem diga que o delicioso ‘Cartas na Mesa’, de Fernando Sabino, seria impensável na era digital.

Este livro fulmina a afirmação. Os textos são longos ou curtos, sempre leves e agradáveis. Trazem para cada tema a irreverência, a ironia e o bom humor em adequadas proporções.

O leitor terá e-mails com todo o jeitão de cartas. E poderá matar a saudade.

O LIVRO

Na orelha, o escritor Pedro Paulo Montenegro assim valoriza a publicação:
“Inconfidências indeletáveis oferecem ao leitor páginas antológicas versando política, economia, conhecimentos históricos, reflexão filosófica sobre o homem e o universo. Valiosos são os trechos com alusão à leitura de obras clássicas e modernas de grande motivação para todos. Apreciação sobre livros que lê e relê, com predileção, sobretudo por Eça de Queiroz, sem deixar de sensibilizar-se com as leituras de Victor Hugo, Flaubert, Fernando Pessoa, Saramago…Comoventes são as páginas de ordem sentimental sobre relações pais e filhos, avós e netos”…

BONS MOMENTOS

“Pois bem, voltando ao sério. Não sou surfista profissional das ondas da internet, mas não perdi o gosto pela correspondência, dita epistolar. De um certo modo, a internet oferece retorno ao formato guttemberguiano. Escreve-se em letra de forma, embora não se imprima em papel. Como não perdi os velhos hábitos, imprimo, invariavelmente, o que escrevo ou recebo. É um desvio de caráter que só confesso a poucos íntimos. Se cai na boca do povo, estou perdido.

“Lembrei-me do pároco de Mossoró, beirando os 90 anos, acometido de muitos males, inclusive a idade provecta, que pedira auxílio do Bispo, homem de muita fé, para enfrentar as suas últimas horas terrenas. Diante das palavras de encorajamento daquele príncipe da Igreja, que lhe falava da alegria do encontro com Jesus e as excelsas criaturas celestes, respondeu, com um fiapo de voz: “— É, mas Mossoró é tão bonzinho!”.

“Se o PIB não cresceu, segundo as expectativas dos homens de governo, pior terá sido a sorte de outros índices descuidados pelos economistas. As taxas de bom senso têm caído sistematicamente nas três últimas décadas. O bom humor e a ironia de que se fartavam os brasileiros, em particular os cariocas, estão em falta: há desabastecimento desses bens de primeira necessidade do mercado. Os políticos já não são os mesmos dos tempos vividos: profissionalizaram-se, citam relatórios e estatísticas e, por vezes, dão a impressão de se terem alfabetizado; o que não quer dizer que deles devamos esperar grandes e edificantes obras.

“Melhor seria que se pusesse no ar um jornal com apresentadoras bem feitas e torneadas, que se vão despindo à frente dos telespectadores para aliviar a tensão política e elevar a libido dos telespectadores. Já se fez isso na Europa com sucesso. É verdade que as tensões não baixaram, nem os conflitos, em compensação belas pernas impõem-se à preferência dos homens de boa vontade.

“Dona Oda foi, ao seu modo, uma animadora política. Liderou a primeira greve de bondes no Ceará, dirigiu o primeiro automóvel, foi a primeira mulher casada a empregar-se e cortou os cabelos curtos, rente à nuca, quando a boa regra eram os cabelos longos, demonstração das virtudes e do recato de mulher…

CURTAS

“Aliás, Editor, após os 40, esse sentimento de perda, de tempo perdido, de oportunidades jogadas fora e o desejo de recuperar alguma coisa vêm com ímpeto cada vez mais forte.

“Há quem acredite, entre criaturas menos otimistas, que ser brasileiro faz mal ao bolso — e à saúde.

“Ideologia é como alguns hábitos e profissões, devem ser praticados em grupo, sob a benção de uma entidade protetora. Não pode ser um exercício solitário.

“Como vês, não é tranquila a vida de quem acumula livros, em vez de riquezas constantes e efetivas. Como muitos de nossos amigos.

“Bem-avisada, aquela senhora que aconselhava as netas a jamais casar com um filho de desembargador ou professor. “— É que eles, minhas filhas, deixam como herança apenas livros e cupins para cuidar.

Osvaldo Euclides

Osvaldo Euclides de Araújo tem graduação em Economia e mestrado em Administração, foi gestor de empresas e professor universitário. É escritor e coordenador geral do Segunda Opinião.

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