PRÉ-LEITURA DO LIVRO ‘ESTRELA DE PEDRA’, DE DIMAS MACEDO

O AUTOR

Dimas Macedo, nascido em 1956, é jurista, poeta, crítico literário e historiador, além de professor universitário. 

A PUBLICAÇÃO 

O livro “Estrela de Pedra”, de autoria de Dimas Macedo, teve, em 2024, uma edição com 46 páginas, pela Editora Códice (Brasília). 

CIRCUNSTÂNCIAS 

Este livro é o terceiro na sequência de poesias da obra de Dimas Macedo. Os dois primeiros foram A Distância de Todas as Coisas (1980) e Lavoura Úmida (1990). Assim, este Estrela de Pedra foi originalmente lançado em 1994. Esta edição de 2024 comemorou os 30 anos da obra que teve especial impacto, escalando vários degraus  na avaliação dos críticos: a poesia já mostra a plena maturidade do autor. Dimas Macedo conquista e consolida lugar de destaque entre os grandes poetas brasileiros. 

A IMPORTÂNCIA DO LIVRO 

Os poemas de Dimas Macedo provocam os olhares dos críticos literários mais lidos e admirados. Seus versos fazem por merecer essa atenção mais rigorosa, mercê de sua originalidade, sua potência, sua capacidade de ora encantar, ora inquietar. 

O que dizem esses críticos em trechos sucintos. 

Linhares Filho: “… No seu lirismo, ora canta o amor com suas dores e deleites, ora sonda filosoficamente a vida…”.

Ribeiro Ramos: “… Dono de uma linguagem limpa e escorreita, Dimas Macedo encanta como prosador, mas, tendo estreado muito jovem como poeta, deu-lhe a poesia bem cedo fama e glória… “. 

César Coelho: “… Dimas Macedo é um desses jovens que trazem a quem tem sensibilidade, a quem tem amor às coisas belas e puras da vida a certeza de que a poesia está cada vez mais viva, apesar do egoísmo, dos interesses menores que identificam homens tristemente materializados… “. 

Sânzio de Azevedo: “… o pensador, que busca decifrar os segredos da vida … Também vamos encontrar o poeta de notas sociais, verberando a crueldade dos poderosos”. 

Diogo Fontenelle “… Dimas Macedo engravida a palavra em simultânea floração linguística, psicológica e social. Sem dúvida, todo o universo psicológico traduzido ao plano social… “.

O LIVRO 

Estrela de Pedra é um livro breve e traz uma poesia originalíssima no estilo e no tom. Os 25 poemas foram distribuídos em três capítulos: 8 em Leveza, 8 em Gravidade e 9 em Orfeu de Mim. 

Cada momento da trajetória de Dimas Macedo traz uma marca e um sinal da mensagem do autor, da sua linguagem. Seus poemas entregam mais na leitura atenta e na releitura, se há vontade de encontrar a plenitude da poesia. A beleza e a profundidade de Dimas Macedo vão se revelando conforme acontece o mergulho do leitor nas palavras, nas linhas e entrelinhas, nos saltos entre dois poemas ou entre seus abismos…

Em outras palavras: Estrela de Pedra precisa ser absorvido, sentido, mais ainda que lido e compreendido. 

CURTAS 

“…Tecer a arte

com engenho

é o meu empenho. 

Desnudar a alma

com calma

é o meu delírio…

“… Serei poeta? Nem tanto. 

O meu abismo, 

uma canção incompleta…

“… Estou exposto à sorte

e a chuva me anuncia a morte

e me turva…

“… Efêmeras pontes. Efêmeros rios. 

E o desafio de atravessar as pontes 

e as asas metálicas da arte.

Ó efêmeras esculturas,

Ó sérvulas  esmeraldas…

“A essência do ser. A insatisfação. 

A morte. A indignação. 

A ânsia. A lucidez. Eis tudo que sou. 

O hospício do mundo 

eis aqui onde estou…

“… Tenho as mãos no mundo 

e os olhos seguros nas mãos. 

Vejo-me que sou carne e unha 

quando me enveneno no vinho… 

BONS MOMENTOS 

… A arte é a dor 

e a vida pela vida é o escárnio 

posto que a metafísica 

é sempre a liturgia do dilúvio. 

Não me deixem confessar 

o sonho que borbulha 

e o drama que me parte 

pois a lâmina da razão é a inverdade…

“… E a dor de não amar 

o amor é devaneio torpe 

porque o prazer inflama 

a dor de não doar 

o corpo ao precipício. 

E tudo que tu dizes 

o barro dos teus olhos 

o brilho do teu rosto 

o sal dos teus dedos de marfim e tédio tudo é impasse…

“O que será esse mundo, 

esse cosmos sem fim, 

essa utopia? 

Correm para onde, então, 

essas filosofias? 

O que será feito assim 

dessa matéria, 

nesse caos, enfim, 

da minha solidão? 

Dize tu, Senhor, 

a origem do conflito, 

de onde provém 

a angústia do meu grito…

“Não sei por que destino vago 

ou se vegeto. 

Minha vida é qual um livro aberto 

que atravessa a nado. 

Minha solidão tem bases de concreto 

e as minhas ânsias claras intenções. Com as lições da dor eu teço 

uma canção ao vento 

e reinvento a vida…

“Na agitação dos dias 

e nos dias que são gastos 

a vida esvai-se 

e a vida se faz tudo. 

E a morte se fez medo 

onde lancei os dados 

e ofertei os dedos 

e afaguei 

o tecido polido destas rugas. 

E a sensibilidade da vida se fez surda…

“Ó coxas, ó conchas, ó formas puríssimas de Luana, 

a aplacar a minha imensa 

montanha de desejos. 

Os beijos de Luana, ó seios

úmidos de vertigens, 

ó virgens reentrâncias 

do corpo de Luana 

me escutai: 

sou aquele que guarda 

um rebanho de carícias 

mas que se farta 

em muitas ovelhas desgarradas, 

aquele que busca 

as fontes da amada 

e não sacia a sede…

“Penso em você 

e você proíbe o meu pensar 

e eu vou ficando 

neste desprazer 

até me despedaçar 

e não mais prestar 

para me refazer.

Como é difícil 

a gente não morrer 

e se fazer interpretar 

e não poder buscar 

aquilo que nos dá prazer…

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