PRÉ-LEITURA DO LIVRO “DEUSMAR QUEIRÓS- O TECEDOR DE OUSADIAS”, DE JUAREZ LEITÃO

O AUTOR

Juarez Leitão, nascido em 1948, tem formação superior em História e Filosofia e é escritor, historiador e conferencista. Publicou mais de 40 livros, entre eles várias biografias. 

A PUBLICAÇÃO 

O livro “Deusmar Queirós – o tecedor de ousadias”, de autoria de Juarez Leitão, foi lançado em 2020, pelo editora Prêmius, com 315 páginas. O prefácio é de Raimundo Padilha. 

CIRCUNSTÂNCIAS 

No final dos anos 1970, Deusmar era um jovem recém formado economista coordenando a área de Mercado de Capitais na Unifor. Hoje comanda o bilionário Grupo Pague Menos, uma das maiores organizações de varejo (drugstore) do país. O desafio do biógrafo Juarez Leitão foi contar essa história em livro tão atraente quanto relevante. 

A IMPORTÂNCIA DO LIVRO 

O livro traz a informação de que, ao longo da história do Ceará, só duas empresas alcançaram os 100 anos. De certo modo, as empresas experimentam o mesmo ciclo dos produtos: nascimento, crescimento, maturidade e declínio. É que o impulso empreendedor não traz junto a qualidade da gestão. Deusmar já quebrou inúmeros paradigmas e fugiu do tradicional, construindo, com seu estilo único, um caminho em quase tudo diferenciado. O leitor poderá perceber, sem desmerecer o espírito empreendedor, que o livro traz mais forte o perfil humano do comandante. 

O LIVRO 

O livro se estrutura em duas linhas fundamentais. Na primeira, os negócios do grupo são expostos numa linguagem simples e direta, sem entrar no linguajar mais comum a empresários e executivos. Na segunda linha, Deusmar aparece como pessoa, dentro e fora dos negócios, com familiares ou não, exercendo a sua liderança original e atípica, no sentido de que não segue os padrões tradicionais do empresariado. Na medida em que as páginas avançam, as duas linhas se cruzam, também se tornam eventualmente paralelas ou apenas se fundem numa só. É a voz que Juarez Leitão escolheu para contar a história. Aliás, num momento do livro, o biógrafo escreveu que jamais se sentiu tão impressionado por um biografado.

Nesta linha de texto, o livro traz em incontáveis páginas a participação de familiares, de sócios, de parceiros, de amigos empresários ou não e dos colaboradores, como se o Grupo Pague Menos fosse mais uma comunidade do que um negócio. 

CURTAS 

“… Nós somos uma empresa séria, boa pagadora, que cumpre as suas obrigações. Menos de um por cento das empresas do país igualam o nosso desempenho.

“Crescia 20 por cento ao ano. Agora estamos crescendo 15 por cento. Esta é a nossa crise.

“… Antônio Nonato, meu pai, era reconhecido por todos como um comerciante honesto. Coisa muito difícil nos dias de hoje.

“… Embora fosse um aluno de boas notas, Deusmar era a peraltice em pessoa. Aquilo que os educadores chamam de um menino danado. 

“… Mesmo depois de ingressar na universidade, Deusmar não abandonou o escotismo. Atingiu na organização patentes superiores.

“O ano de 1989 se tornaria um marco em sua vida de caprichoso tecedor de ousadias. Parecia que todos os astros lhe sorriam. Em tudo que se meteu, obteve sucesso, tudo deu certo.

“Estava criado o embrião do correspondente bancário, que somente 12 anos depois seria regulamentado e incentivado pelo Banco Central do Brasil.

“Que a nossa empresa continue distribuindo ambulâncias, cadeiras de rodas, ajudando ex-presidiários, alfabetizando adultos e muitas outras coisas, uma verdadeira e autêntica Empresa Cidadã.

BONS MOMENTOS 

“… Três meses se passaram de namoro secreto, mas tão bem disfarçado, que apaziguava a vigilância dos irmãos. Namoro só por dizer, pois não havia contato físico algum, nem um simples pegar de mão. Isso aconteceu pela primeira vez quando, por acreditar numa ingênua simpatia, ela apertou a mão do namorado ao ver o número 16 numa placa de carro. A simpatia dizia que, se estando ao lado de um rapaz, vislumbrasse o número que coincidisse com a sua idade, pegasse na mão dele, que, com certeza, sairia casamento.

“… Quando voltou da entrevista com Bernardo Bichucher, Deusmar já era sócio da Pax Corretora com 15 por cento de participação acionária. Agora, era, também, concorrente de seu amigo Raimundo Padilha, um concorrente reconhecidamente hábil, ousado e operoso. Mas, acima de tudo, um amigo admirável e leal.

“… 1980, Deusmar Queiroz operava com afinco no mercado financeiro, para si e para grandes grupos empresariais. Com o aval do ex-presidente Ernesto Geisel (então presidente da Norquiza), a Pax Corretora de Valores intermedeia a aquisição de 72 por cento do capital da Companhia  Petroquímica do Nordeste -COPENE nas bolsas de valores e se torna, realmente, a maior corretora de valores do país na intermediação de ações de empresas beneficiários do sistema de incentivos fiscais do Nordeste, conhecido como Finor… lembra quando ele falou do primeiro milhão de dólares que acumulou? Pois foi nessa operação que ele ganhou. Com as bençãos do ex-presidente Ernesto Geisel.

“… O Ubiranilson é um homem de comedidas atitudes, de poucas palavras e ação centrada nos objetivos, que tem o hábito de avaliar e ponderar as iniciativas. Ao lado de Deusmar, que tem vocação visionária e costuma cavalgar afoitezas, funciona como um “sossega-leão“ para as temeridades. 

“… O método de escolha dos primeiros pontos foi o mesmo utilizado em Fortaleza. Tinha que ter uma farmácia no centro da cidade, como se fosse uma bandeira que marcasse território, bem como presença em bairros de melhor poder aquisitivo, em avenidas de alto tráfego, sempre no sentido Centro-Bairro.… Os clientes não compram remédio quando vão pro trabalho, e sim quando voltam pra casa casa. 

“… O processo seletivo chegara ao fim. Montamos um quadro enxuto, com profissionais que tinham a cara da empresa, ávidos por aprender, com um tanto de ousadia e, por fim, o elemento diferenciador: o brilho do olhar. Era isso que, ao final, desempatava o jogo a favor de um candidato.

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